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Arquivo de julho de 2009

Radiola 6 – Claus Ogermann

quarta-feira, 29 de julho de 2009

 

ogermann1Aqueles que, como eu, têm a mania de ler os créditos de gravação dos bons discos (isso mesmo, discos – comecei a ouvir música no século passado, em vitrolas…) e CD’s conhecem Claus Ogermann. Com certeza sabem que ele assina os arranjos do antológico “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, de 1967. Sabem também que trabalhando com artistas como Sammy Davis Jr., Barbara Streissand, Stan Getz, Oscar Peterson, George Benson, Bill Evans, Dianna Krall e mais uma lista enorme de estrelas, Ogermann tornou-se um dos maiores arranjadores do século XX. Foi indicado mais de 15 vezes para o Grammy, tendo ganho o prêmio em 1979.

 

Até aqui, nenhuma novidade. O que pouca gente sabe é que por volta de 1970 Ogermann resolveu dar uma guinada em sua carreira dedicando-se quase que exclusivamente à composição clássica. Foi durante um vôo de S. Paulo para Amsterdam que tive contato pela primeira vez com a “versão erudita” de Ogermann. Explico: dentre as várias opções do menu de música clássica “on demand” da KLM estava o álbum Works for Violin & Piano, com Yue Deng e Jean-Yves Thibaudet. Gostei de cara e após muita luta consegui o CD, graças a um colega holandês que fez a gentileza de encomendá-lo.

 

É música séria e consistente. Ogermann sabe escrever música de câmara e estabelece um diálogo muito equilibrado entre piano e violino. Das quatro peças do álbum, Nightwings (que pode ser encontrada no Ipod aí de cima) é a mais fácil de ouvir. Quase uma berceuse, muito melodiosa, é uma boa introdução às demais obras, mais densas, complexas e exigentes em termos de interpretação. São mais 3 composições: Sarabande-Fantasie, Duo lírico e Preludio and Chant. Deng e Thibaudet dão conta do serviço com bom gosto e classe. Gostei do jeito como tocam juntos, principalmente como trabalham a dinâmica.

 

Certa vez, Glenn Gould escreveu a Claus Ogermann: “I’ve been listening to your work almost obsessively. (…) This is very much my kind of music”. Penso da mesma forma e continuo ouvindo o Works for Violin & Piano sem parar neste julho chuvoso.

 

Claus Ogermann – Works for Violin & Piano

Yue Deng & Jean-Yves Thibaudet

Decca

Gravado no Capitol Studios, Los Angeles em 18 e 19 de fevereiro de 2006

Só Isso VII – Creme de Abacate

sábado, 25 de julho de 2009

abacate2

Abacate bem maduro, batido com leite condensado. Umas gotinhas de baunilha. Geladeira. Esta sobremesa está na família há 3 gerações.

Piadinha – Receita boa

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Receita de frango Assado com Paganini e Whisky
Ótima pra fazer em dias frios

Ingredientes:
- 01 garrafa de whisky (do bom, claro!)
- 01 frango de aproximadamente 02 quilos
- sal, pimenta e cheiro verde a gosto
- 350 ml de azeite de oliva extra virgem
- nozes moídas
- Um cd com a coletânea dos 24 caprichos para violino solo de Paganini

Modo de Preparo:
- Coloque o CD com os 24 Caprichos de Paganini para tocar. Deixe o volume bem alto.
- Pegue o frango.
- Beba uma dose dupla de whisky
- Envolva o frango e tempere-o com sal, pimenta e cheiro verde a gosto.
- Massageie o frango com azeite.
- Pré-aqueça o forno por aproximadamente 10 minutos.
- Sirva-se de uma boa dose dupla(caprichada) de whisky enquanto aguarda.
- Use as nozes moídas como “tira gosto”.
- Coloque o frango em uma assadeira grande.
- Sirva-se de mais duas doses duplas de whisky.
- Axustar o terbostato na marca 3, e debois de uns vinch binutos, botar para assassinar.
- digu: assar a ave.
- Derrubar uma dose de whisky debois de beia hora, formar abaertura e gontrolar a assadura do frango.
- Tentar zentar na gadeira, servir-se de uoooooooootra dose tarada de whisky.
- Cozer(?), costurar(?), cozinhar, sei lá, o vrango.
- Deixáááá o o pato no vorno por umas 4 horas.
- Tentar retirar o vrango do vorno — num vai guemar a mão, si nâo nun toka!
- Mandar mais uma boa dose de whisky pra dentro . . de você, é glaro.
-Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno, porque na brimeira teenndadiiiva dããão deeeeuuuuuu.
-Pô.. quem colocuou ocd da ” Famila Lima” pra zocar…nau muda nau…
- Begar o vrango que gaiu no jão e enjugar com o bano de jão e cologá-lo numa pandeja ou
qualquer outra coisa, bois avinal você nem gosssssssssta muito de vrango mesmo…
 


Pós cirúrgico

sábado, 18 de julho de 2009

Foi no hospital, no dia seguinte à cirurgia no joelho, que vi esta receita. Programa da Ana Maria Braga (sim, eu vejo e gosto televisão…no hospital!). Já havia ouvido falar de “Maneco de Jaleco”, mas não fazia a mínima idéia do que era. Pensava ser um bolo, doce ou quitanda. Algo como “Romeu e Julieta”, coisa de mineiro. Quanto à origem do prato, não me enganei. Vem de Minas Gerais mesmo. Mas não tem nada de doce. É um substancial angu, enriquecido com toucinho, couve e outras simplicidades muito especiais.

Quase não mudei a receita que está no site do “Mais Você”: troquei a costelinha de porco por charque caseiro; omiti o queijo ralado na finalização porque me pareceu italiano demais. Sim, fez falta cozinhar num fogão à lenha, mas pelo menos usei uma panela de ferro. Melhor ainda se fosse uma panela de pedra sabão, daquelas autênticas, de Ouro Preto e adjacências… Preciso conseguir uma.

Muita pimenta para dar o toque final e animar o doente. Cachacinha de Salinas para rebater o frio (cura mais que muito antibiótico…rsrs). Vinho para quem preferiu. Companhia de amigos da antiga, que passaram para saber de minha recuperação. Tratamento perfeito para quem está convalescendo.

maneco2

9 de julho

quinta-feira, 9 de julho de 2009

feriado

Feriado em São Paulo…

Disaster Proof

domingo, 5 de julho de 2009

Desastres acontecem na minha cozinha. Mais freqüentemente do que conto por aqui. Anteontem resolvi bolar um couscous com legumes assados. Muito fácil, não tinha como dar errado: picar abobrinha, tomates cereja e pimenta cambuci (chapéu de padre), regar com azeite + sal + alho e levar ao forno. Depois misturar com couscous hidratado com caldo de legumes bem quente e salpicar hortelã. Ficou horrível. Sem gosto e sem textura. Acabamos pedindo uma pizza.

Era preciso tirar a má impressão no jantar seguinte e o frio me lembrou desta receita à prova de erros: Pasta e Fagioli é um típico prato-família na Itália. Não existe uma “fórmula tradicional”. A preparação varia de mamma para mamma, de região para região e depende muito dos ingredientes disponíveis. Conheço, por exemplo, uma outra maneira de se fazer, onde o feijão é batido com os legumes, como se fosse um creme, que experimentei em Verona.

Desta vez aproveitei uns fagioli lamon que trouxe da Itália na última viagem. Orgânicos e cultivados no Piemonte, são uma variedade de Fagioli Borlotti ovalada e rajada de marron. Têm um sabor muito peculiar, um pouco tostado, lembrando nozes. Guardei um punhado de caroços para plantar. Vamos ver se vingam… No dia a dia, é claro que utilizo qualquer feijão marrom que fique graúdo e firme quando cozido. E a pasta que estiver disponível na despensa. Como boa comfort food, a Pasta e Fagioli depende mais do carinho com que se prepara do que do rigor e origem dos ingredientes.

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Uma Versão de Pasta e Fagioli

Ingredientes:

- 150g de feijão do tipo graúdo (utilizei o italiano lamon, mas até o mulatinho serve…).

- ½ cebola picadinha.

- 2 dentes de alho picadinhos.

- 1 talo de salsão picadinho.

- 4 colheres de sopa de azeite de oliva.

- 1 lata de tomate pelado, picado.

- 1 folha de louro.

- 1 ramo de alecrim fresco.

- 1 litro de caldo de galinha.

- 2 bons punhados de macarrão curto (utilizei serpentini de grano duro).

- 1 pitada de pimenta tipo calabresa (opcional).

- Sal e pimenta do reino moída o quanto baste.

Modo de preparo:

1. Numa tigela, deixe os feijões de molho em água por cerca de 12 horas. Após este período, escorra a água, coloque os feijões em uma panela, cubra com água e cozinhe até que estejam macios, porém firmes. Reserve.

2. Em uma panela, coloque o azeite, a cebola, o alho, o salsão e o louro. Refogue, mexendo de vez em quando, até que a cebola esteja transparente.

3. Acrescente o tomate pelado picado, os feijões e o ramo de alecrim. Refogue por cerca de 3 minutos.

4. Acrescente o caldo de galinha. Quando começar a ferver, acrescente o macarrão. Cozinhe com a panela tampada, em fogo baixo, até que o macarrão esteja cozido.

5. Acerte o sal, coloque a pimenta do reino moída e a pimenta calabresa (opcional).

6. Se quiser, polvilhe parmiggiano ralado ao servir.

Nota: Com esta sopa bebemos o Senhorio de Nava Reserva 2004, um Ribeira del Duero que comentei neste post. Ele não se mostrou tão exuberante quanto eu esperava, mas é um vinho bastante elegante, equilibrado, de corpo médio, com notas de madeira e louro que, em tese combinariam bem com a Pasta e Fagioli. Acontece que este prato tem sabor bem delicado, eu não carreguei no tempero nem salguei demais, pois queria mesmo o sabor dos vegetais. O vinho, apesar de gostoso, ficou um pouco “over” na harmonização.

Radiola 5 – Sugestão da Lígia

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Recebi esta sugestão de link através de um comentário da Lígia neste post. Ela é superfã da Ella Fitzgerald e nos indicou sua música favorita.

Maravilha de versão deste clássico, com Joe Pass na guitarra. Reparem na dinâmica (crescendo até o meio da música e dali por diante um suave decrescendo até o final) e no entrosamento dos dois. Pura música de câmara.

http://www.youtube.com/watch?v=jAoABuJS1MA

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