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Arquivo de março de 2010

Boticão

segunda-feira, 22 de março de 2010

 

Não é que eu tenha medo. Ou aversão. A verdade é que ir ao dentista não está na minha lista das coisas mais agradáveis do mundo. Não me recuso a aparecer uma ou duas vezes por ano para uma limpeza profunda – e por isso não me lembro da última vez que tive um dente obturado. Mas há pelo menos uns 12 anos venho adiando a retirada do único siso que me nasceu totalmente fora do lugar. Invento desculpas, arrumo compromissos e complico a agenda para deixar a pequena cirurgia de extração para o próximo mês, próximo semestre ou, melhor ainda, próximo ano. A arte da procrastinação em seu estado mais puro.

 

Minha fuga durou até duas semanas atrás quando o dente começou a incomodar. Decidi finalizar o assunto de uma vez. Tomei coragem e liguei para a dentista, combinando a cirurgia para a última 6ª.feira. Apareci no consultório às 9hs em ponto, tenso e ansioso. Duas horas e várias anestesias depois, saí da cadeira com a boca costurada, um dente a menos e a recomendação de passar quatro dias sem mastigar. Ou seja, por enquanto só purê de batata, sopinhas e sorvete. Não há como ser diferente, o pós operatório é realmente chato e doloroso. E antes que me dêem a idéia advirto: não dá para tomar vinho (com canudinho) e antibiótico ao mesmo tempo!

 

Mas quem aprecia comida é criativo mesmo nos momentos de dieta. Entediado por dois dias consecutivos de “papinha”, resolvi incrementar um pouco o tradicional mingau de maisena do café da manhã com cardamomo e cúrcuma trazidos da última viagem a Dubai. O resultado foi bem interessante, agradável. E valeu para dar um pouco mais de cor às refeições tão sem graça destas últimas 48 horas. Pouco riso, pouco siso, mas pelo menos um pouco mais de sabor.

mingau

 

Mingau de Maisena com Cardamomo e Cúrcuma

 

Ingredientes (1 pessoa):

 

- 200 ml de leite integral.

- 1 colher de sobremesa bem cheia de maisena.

- 4 favas de cardamomo.

- 1 colher de sobremesa de mel (ou mais, a gosto).

- 1 pitada de sal (opcional).

- 1 colher de sobremesa de manteiga.

- Cúrcuma em pó, o quanto baste.

 

Modo de Preparo:

 

1. Uma panelinha, coloque o leite e dissolva a maisena.

2. Amasse com os dedos levemente as favas de cardamomo, o necessário para abri-las um pouco e permitir que liberem seu aroma. Acrescente à panela, juntamente com o mel, a manteiga e uma pitada de sal (opcional).

3. Leve a panela ao fogo bem baixo, misturando sempre, até adquirir a consistência de mingau.

4. Coloque em uma tigela e polvilhe um pouco de cúrcuma. Servir morno.

 

Cauby!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Xim Xenhorrr, professorrrr!

Semana passada, presente de aniversário para meu pai: show do Cauby Peixoto no Bar Brahma. Faz tempo que ele é fã, desde a época da juventude, quando contracenou com Cauby numa foto novela. Na estória, meu pai era o instrutor de ginástica da namorada do galã ciumento. E quem era o tal galã? Cauby em pessoa!

A foto abaixo foi a única que restou… passou recentemente por digitalização e foi devidamente autografada:

cauby-fotonovela

Passados mais de 50 anos, o re-encontro (esclareço que meu pai é o de camisa preta!):

cauby-e-pai

Vale (muito) a pena ir ao Bar Brahma, apesar do preconceito que muitos têm contra o centro da cidade. Como o show começa às 22:30hs, é mais tranqüilo chegar de carro à famosa esquina da Avenida Ipiranga com São João. Há vallet e muita segurança na porta. É preciso chegar com antecedência (por volta das 21hs). Ótimo pretexto para vários chopps impecáveis, pastéis e outros petiscos caprichados, enquanto se espera pelo espetáculo.

Ver Cauby sendo aclamado pelo público ao entrar no salão causa emoção. Ele vem devagar, com certa dificuldade, passos curtos, apoiado nos seguranças. Mas vem feliz, risonho, todo simpatia. Me pergunto se com aquela idade ele vai dar conta do show. Será que ele agüenta? Ainda tem voz e resistência?

cauby-entrando1

Ajudado pelos músicos, sobe a escadinha do pequeno palco, senta em sua cadeira e ajeita a estante onde está o roteiro do show e as letras das músicas. A banda começa a tocar. E então tudo se transforma. Cauby mostra a que veio, a voz perfeita, potente, limpa e afinada. A interpretação despreocupada, por vezes marota, por vezes maliciosa, reflete a tranqüilidade de quem tem anos de estrada e sabe hipnotizar qualquer tipo de público. Ele usa e abusa do carisma e arrisca canções novas no repertório. Fantástico, emocionante, imperdível.

caubi-canta

Que analogia posso utilizar para descrever a experiência? Acho que Cauby é como vinho bom. O rótulo já não é o mesmo, a garrafa pode estar bem empoeirada, a rolha tem de ser manuseada com todo cuidado… mas o conteúdo é revelador. Cheio das surpresas, nuances e profundidade que só os grandes vinhos de guarda podem oferecer.

Cauby Peixoto no Bar Brahma. Todas as 2as. feiras às 22:30. Bar Brahma – av. Ipiranga com S. João. R$ 60

Imagine a Cena

domingo, 7 de março de 2010

 

Domingo retrasado à noite, no carro com a Gabi, David (8) e Lucas (5), a caminho da nossa pizzaria favorita. David, torcedor fanático do Coritiba (um dia eu ainda entenderei o porquê…) fica bastante injuriado ao ouvir no rádio a notícia da derrota de seu time:

 

David: puxa vida, pai, o “coxa” tá uma m*rda!

Gabi: filho! Que é isto!?!? Um menino educado não pode falar assim!

 

3 segundos de silêncio.

 

Lucas: mãe, então pode falar que o “coxa” tá um “cocô de cavalo” ?

Gabi: é… “cocô de cavalo” acho que pode…

 

Mais 3 segundos de silêncio.

 

Lucas: mãe, “cocô de cavalo” é a mesma coisa que bosta, né?

Gabi: é, é…

Lucas: que é a mesma coisa que m*rda, né?

Eu e a Gabi: ?!?!?!?

 

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