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Arquivo de março de 2011

Alfarrábios – de palídromos e tautologia

domingo, 27 de março de 2011

 

Sou vidrado no idioma do meu país! Desde sempre. Por respeito e admiração, faço o possível para não “escorregar” quando escrevo por aqui. Procuro elaborar com clareza, revejo muito o texto, corrijo-o o máximo que consigo. As novas regras ortográficas às vezes me fazem titubear. Mas aos  poucos e não sem um certo estranhamento vou tentando me acostumar:  ideia sem o acento agudo, deixar o trema de lado, usar menos o hífen. 

 

Com a vinda para a China, passei a falar muito menos em Português. E passei e ler menos sobre Português. Tenho um amigo, entretanto, que de tempos em tempos me salva a gramática, abastecendo-me de coisas interessantíssimas. Veja o que recebi esta semana (não sei qual é a fonte, por isto não é citada):

 

SABE O QUE É UM PALÍNDROMO?
 
Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
 
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:
 
 SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
 
 Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), tomei a liberdade de selecionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões…
  
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ
 
E SABE O QUE É TAUTOLOGIA?

É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso ‘subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

 Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, ‘surpresa inesperada’. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.

 

Obrigado ao prof. Edson, meu grande amigo e ao autor, para mim desconhecido!

 

Redondas

sábado, 19 de março de 2011

 

Nem tudo são crisântemos, fogos e lanternas vermelhas aqui no país do meio. Agente passa apertos também. Enfrenta a burocracia, os problemas de comunicação e as diferenças de mentalidade.  E sente saudades. De gente, lugares e sabores. Aqui não tem bacalhau, as frutas, sucos e vegetais do Brasil… E também não tem pizzas como as da Basílica! Isto transforma-se num belo problema para uma carioca que viveu os últimos 16 em São Paulo e tem dois filhos paulistanos. Invariavelmente, todo domingo, vem aquela vontade de pizza. E a pergunta: onde vamos comer?

 

Já percorremos boa parte da cidade em busca de uma redonda decente: Da Marco, The Kitchen Salvatore Cuomo, Papa John’s, Med Thyme, Peng You’s, Va Bene ,  a  Côté, Aqua… até Pizza Hut passou pelo crivo! Algumas são aceitáveis, outras sofríveis, nenhuma excepcional. Então semana retrasada entreguei os pontos e achei que melhor alternativa seria fazer as pizzas eu mesmo.

 

Já publiquei por aqui uma pizza de frigideira, que é uma das mais acessadas do blog. Mas não era exatamente este tipo que queríamos. Revirei os livros e a web em busca de uma receita mais “autêntica” e que aparentemente funcionasse. Acabei fazendo algumas adaptações nesta aqui. Basicamente ajustei alguns ingredientes segundo o bom senso e acrescentei um pouco de açúcar à massa, para uma fermentação um pouco mais rápida. O resultado foi excelente.

 

Comprei também uma pedra de assar que foi fundamental ao processo.  Sem ela creio que o forno não chegaria a uma temperatura alta o suficiente para deixar massa com a textura e crocância necessárias. Recheios e molho como de costume. A pedidos da molecada, inventei uma pizza doce com o que tinha na geladeira: Framboesa com Cream Cheese. E assim o endereço da melhor pizzaria de Shanghai passou a ser: 1 Xiu Yan Lu #129 – aqui em casa!

 

 pizza1

 

Massa de Pizza (adaptado de fornobravo.com)

 

Ingredientes:

 

- 6 xícaras de Farinha de trigo.

- 3 colheres de chá de sal.

- 1 colher de chá de açúcar.

- 2 colheres de chá de fermento biológico seco.

- 400ml de água morna.

 

Modo de Preparo:

 

1. Dissolver o fermento e o açúcar na

2. Numa tigela grande misturar a farinha e o sal. Acrescentar a água morna.

3. Misturar e sovar por cerca de 5 a 10 minutos, até que a massa esteja lisa.

4. Descansar a massa por 15 minutos. Sovar novamente por mais 5 minutos. Voltar a massa para a tigela, limpa e enfarinhada. Cobrir com um pano úmido e deixar crescer por cerca de 1 hora.

5. Dividir a massa em 4 partes, abrir os discos e recheá-los.

6. Assar em forno muito quente.

Rende 4 discos de pizza.

 

Recheio de Pizza doce – Framboesa e Cream Cheese: misturar 2 colheradas de geléia de framboesa com um pouco de Cointreau, a fim de obter uma consistência mais líquida. Espalhar sobre o disco de pizza e acrescentar colheradas de cream cheese. Assar em forno muito quente.

 

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Em tempo: facilita muito a manipulação usar uma grade ou suporte redondo como o da foto abaixo. Comprei 2, no mesmo lugar onde adquiri a pedra de assar. Neste caso, basta abrir a massa e colocá-la no suporte antes de rechear a pizza.

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Entendendo a Cozinha Chinesa 1.01 – capítulo 2

quarta-feira, 9 de março de 2011

 

Finalmente divido por aqui um pouco das coisas que tenho aprendido lá no “The Kitchen At”!

 

Tenho me surpreendido com a variedade de técnicas, modos de preparo e ingredientes da cozinha chinesa. E aí fica difícil decidir por onde começar. Depois de matutar um pouco, achei melhor falar sobre o que o chef Wang considera “os 6 temperos indispensáveis”, sem os quais não se consegue expressar o verdadeiro caráter da culinária da China (sic). Vamos a eles:

 

Huáng jĭu: ao pé da letra, significa “álcool amarelo”. É uma bebida fermentada, de graduação alcoólica baixa, geralmente feita de arroz (há regiões que acrescentam também outros cereais). Por aqui o pessoal bebe este “vinho de arroz” geralmente aquecido e com tirinhas de gengibre. Tem um aroma interessantíssimo e eu particularmente gosto muito.

 

Tsú: O Vinagre chinês feito de “glutinous rice”. Pode ser que eu esteja exagerando, mas depois que você provar o vinagre daqui, vai rever seus conceitos a respeito do Accetto Balsamico. Em outras palavras, ultimamente eu tenho preferido Tsú para temperar a salada. Ele tem um sabor rico, levemente adocicado e um aroma, na minha opinião, levemente lácteo. Ótimo.

 

Táng e  Yán: Sal e Açúcar, os mesmos usados pelo resto da humanidade (exceto pelos Shanghaineses, que também usam muito “rock sugar”, mas isto é outra história…).

 

Shēng Chōu: literalmente “essência crua”, ou seja, um molho de soja mais claro e de sabor mais suave. Tem aroma mais rico, complexo e é menos denso do que o “shoyu” que é fabricado no Brasil.

 

Lăo Chōu: que significa “essência velha”. É o molho de soja envelhecido, mais denso, quase preto e de sabor pouco acentuado, que é geralmente usado para dar cor à comida. 

 

 

 

ingredientes

 

 

Ponto interessante: segundo o Chef Wang, uma das principais funções do Huang Jiu é tirar o gosto e odor de “cru” das carnes. E o gengibre também é muito usado com esta finalidade. Sim, por aqui eles têm horror a alimentos crus. Não entendem, por exemplo, a nossa paixão por saladas. Acreditam que vegetais cozidos são mais saborosos e saudáveis (!). Creio que isto vem principalmente da preocupação com a contaminação dos alimentos. E pelo mesmo motivo, se você pedir um copo d’agua em qualquer reunião de trabalho, seu anfitrião lhe trará uma xícara com água quente (Aaaargh!). Qualquer dia conto esta história melhor.

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