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Alfarrábios – de palídromos e tautologia

 

Sou vidrado no idioma do meu país! Desde sempre. Por respeito e admiração, faço o possível para não “escorregar” quando escrevo por aqui. Procuro elaborar com clareza, revejo muito o texto, corrijo-o o máximo que consigo. As novas regras ortográficas às vezes me fazem titubear. Mas aos  poucos e não sem um certo estranhamento vou tentando me acostumar:  ideia sem o acento agudo, deixar o trema de lado, usar menos o hífen. 

 

Com a vinda para a China, passei a falar muito menos em Português. E passei e ler menos sobre Português. Tenho um amigo, entretanto, que de tempos em tempos me salva a gramática, abastecendo-me de coisas interessantíssimas. Veja o que recebi esta semana (não sei qual é a fonte, por isto não é citada):

 

SABE O QUE É UM PALÍNDROMO?
 
Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
 
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:
 
 SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
 
 Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), tomei a liberdade de selecionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões…
  
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ
 
E SABE O QUE É TAUTOLOGIA?

É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso ‘subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

 Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, ‘surpresa inesperada’. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.

 

Obrigado ao prof. Edson, meu grande amigo e ao autor, para mim desconhecido!

 

Um comentário para “Alfarrábios – de palídromos e tautologia”

  1. wair disse:

    Rogerio, aqui por estas plagas um vício , quase um vírus, contaminou a comunicação. Pergunta-se qualquer coisa a alguém, e a resposta começa com…” Na verdade, eu acho…”. Como se alguém fosse explicar algo assumindo uma mentira. Não sei se encaixa no conceito de tautologia, mas se não, deve haver algum termo que defina esta situação. abs!

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