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Arquivo da Categoria ‘Alfarrábios’

A propósito…

sábado, 27 de julho de 2013

Hoje me dei conta de que ontem foi dia 26 de julho. Nem parece que já faz 3 anos que chegamos aqui. Sensações e emoções daqueles primeiros meses ficarão indelevelmente marcadas: surpresa, furstração, saudade, raiva, medo, confusão, impotência… 3 anos depois são coisa do passado. Agora viraram superação, maturidade, experiência e expectativa. O Brasil se torna mais “terra natal”  e menos “minha casa”. A China é cada vez mais este lugar intrigante que nos acolhe neste momento e oferece grandes oportunidades. É cada vez menos o monstro indecifrável que engole a todos. É o lugar onde Deus no colocou neste momento, onde tínhamos de estar. Para dar, mais do que receber e aprender, mais do que ensinar. Eu poderia discorrer sobre este período por páginas e páginas. Mas há um amigo veterano – 8 anos por aqui – que diz: “você chega na China e logo após o primeiro mês já quer escrever um livro; após o primeiro ano quer escrever só uma crônica; após 2 anos não quer escrever nem uma frase…” Respeito a sabedoria dos veteranos. Fico com algumas lnhas apenas.

 

Zhouzhuang

Barqueiros nos canais de Zhouzhuang

Alfarrábios – de palídromos e tautologia

domingo, 27 de março de 2011

 

Sou vidrado no idioma do meu país! Desde sempre. Por respeito e admiração, faço o possível para não “escorregar” quando escrevo por aqui. Procuro elaborar com clareza, revejo muito o texto, corrijo-o o máximo que consigo. As novas regras ortográficas às vezes me fazem titubear. Mas aos  poucos e não sem um certo estranhamento vou tentando me acostumar:  ideia sem o acento agudo, deixar o trema de lado, usar menos o hífen. 

 

Com a vinda para a China, passei a falar muito menos em Português. E passei e ler menos sobre Português. Tenho um amigo, entretanto, que de tempos em tempos me salva a gramática, abastecendo-me de coisas interessantíssimas. Veja o que recebi esta semana (não sei qual é a fonte, por isto não é citada):

 

SABE O QUE É UM PALÍNDROMO?
 
Um palíndromo é uma palavra ou um número que se lê da mesma maneira nos dois sentidos, normalmente, da esquerda para a direita e ao contrário.
 
Exemplos: OVO, OSSO, RADAR. O mesmo se aplica às frases, embora a coincidência seja tanto mais difícil de conseguir quanto maior a frase; é o caso do conhecido:
 
 SOCORRAM-ME, SUBI NO ONIBUS EM MARROCOS.
 
 Diante do interesse pelo assunto (confesse, já leu a frase ao contrário), tomei a liberdade de selecionar alguns dos melhores palíndromos da língua de Camões…
  
ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ
 
E SABE O QUE É TAUTOLOGIA?

É o termo usado para definir um dos vícios, e erros, mais comuns de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. O exemplo clássico é o famoso ‘subir para cima’ ou o ‘descer para baixo’. Mas há outros, como pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exacta
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto
- facto real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planear antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito .

 Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, ‘surpresa inesperada’. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia.

 

Obrigado ao prof. Edson, meu grande amigo e ao autor, para mim desconhecido!

 

Alfarrábios II – Presentão…

terça-feira, 25 de março de 2008

…recém chegado de Buenos Aires pelas mãos do meu amigo e irmão Francisco.

O “Anuario Brascó/Portelli 2007-2008″ é tudo aquilo que promete: um guia sobre os principais vinhos argentinos (foram 1.300 provas!), com detalhes sobre os produtores, preços, pontuação e comentários dos dois autores. Equanto Miguel Brascó – escritor e jornalista – dá opiniões mais descontraídas e pitorescas, o sommelier Fabricio Portelli analisa cada garrafa de forma mais técnica. Desta forma, quem lê conta com duas visões e versões sobre um mesmo tema. Muito interessante.

Muchíssimas gracias, Francisco!

“Anuário Brascó/Portelli de los Vinos Argentinos 2007 – 2008″

Miguel Brascó e Fabrcio Guillermo Portelli

416 páginas
Editado por Simposium, ArgenitnaISBN 978-978-23885-4-6

Alfarrábios

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Comecei ler esta semana o “Martín Fierro”, de José Hernández, uma das obras primas da literatura Latino-americana. O autor nasceu na Argentina em 1834, justamente quando a atividade pecuária começava a ganhar importância econômica. Após trabalhar no campo até os 14 anos, Hernández ingressou na carreira militar, passando daí a jornalista e político. Morreu em Buenos Aires, em 1886.

“Martín Fierro” é um poema épico que trata da figura do “Gaúcho”, pioneiro nos pampas, seus usos e costumes, sua filosofia de vida. Para quem se interessa pela cultura gaúcha – não só a do Rio Grande, mas também a das fronteiras com Uruguai e Argentina – é leitura imprescindível.

A propósito, lá na Argentina também chamam marmelada (dulce de membrillo) com queijo de “Martín Fierro”.

“Martín Fierro” de José Hernández
Editorial Juventud S.A. – Barcelona – 2006
ISBN 84-261-5718-1

Relíquia

domingo, 13 de janeiro de 2008

Dentre meus livros de culinária existe um que considero uma relíquia. Não apenas pela dificuldade que tive em encontrá-lo, mas também pelo conteúdo e a história que ele carrega. Meu exemplar é da 7ª edição. Foi publicado em 1986, pela Editora Vozes, em Petrópolis. Nem é tão antigo assim, apesar de estar bastante surrado e com as páginas amareladas que todo livro que saiu da estante e freqüentou a cozinha tem.

O “Fogão de Lenha – Quitandas e Quitutes de Minas Gerais”, de Maria Stella Libânio Christo é único, por seu trabalho de pesquisa. A autora, que é mãe do Frei Betto, buscou velhos cadernos de família. Receitas que, durante gerações, passaram de mãe para filha. Estórias e segredos. 300 anos de cozinha mineira em 572 receitas.

Tomei contato pela primeira vez com o “Fogão de Lenha” ainda adolescente. Morávamos em Belo Horizonte. Minha mãe achou tão interessante que comprou dois: um para presentear minha avó e outro que está com ela até hoje. Já adulto, topei de novo com o livro na cozinha da mamãe. Comecei a procurar um para comprar. Descobri que já estava fora de catálogo. Quem sabe na Internet? Quem sabe em alguns sebos? Telefonemas para a Editora. Não. Procura mais. Nada. Acabei desistindo, perdi as esperanças e esqueci do assunto.

A surpresa veio neste último dia dos pais, embrulhada para presente e com a seguinte dedicatória:

“Filho, como um pai especial, você tem alimentado bem, em todos os sentidos, os seus filhotes. Divirta-se com as histórias e fatos interessantes escritos neste livro e também tire bom proveito das receitas. Tenho certeza que a Vó querida ficaria muito contente se soubesse que o ‘Fogão de Lenha’ seria seu um dia. Neste Dia dos Pais de 2007, senti que deveria dar a você o livro que um dia foi de sua avó. Feliz dia, pois, e bon appetit!”
Beijos,
Mãe
S.P. 12/08/2007

Pois é. Eu não sabia que, após a morte da vovó, o exemplar dela ficara com a minha mãe. Repetindo a tradição de séculos, as receitas mineiras passam mais uma vez para a próxima geração! Desta vez de avó para neto, através de uma mãe atenta e carinhosa.

Hoje levantei cedo. Resolvi surpreender as crianças com um pão de queijo fresquinho. Escolhi uma receita do “Fogão de Lenha”. Preparei a massa e coloquei no forno. Enquanto escrevo este texto, os pães estão assando e a Gabi passa um café. O aroma que invadiu a casa me fez voltar no tempo. Acho que uns 300 anos.

Pão de Queijo com Batata *

*Do livro “Fogão de Lenha” – Maria Stella Libânio Christo – Ed. Vozes, 1977
É preciso dizer que as receitas do “Fogão de Lenha” são escritas de forma muito simples: omitem algumas etapas do processo de preparação. As medidas são dadas em “copos”, “xícaras” e “punhados”. Porque naquela época as pessoas (digo, as mulheres) começavam a ter contato com “o cozinhar” muito cedo. Aprendiam olhando as mães, avós e tias. Não é livro para iniciante ou para quem nunca pôs o pé na cozinha. Para este “Pão de Queijo com Batata” fiz as seguintes adaptações:
- Substituí a bnha de porco da receita original pela mesma quantidade de manteiga.
- Converti as medidas para o sistema métrico (g e ml).
- Detalhei todo o processo de preparo.
- Todo mundo sabe (todo mundo?!?) que pão de queijo autêntico deve ser feito com queijo do Sêrro, que é bem salgado. Aqui em São Paulo é difícil encontrá-lo. Como usei queijo de minas padrão ou meia cura(não é o frescal!), que tem menos sal, acrescentei uma colher de café de sal à receita.

Ingredientes:

- 2 colheres de sopa (100g) de manteiga com sal.
- 2 copos (500g) de batata cozida e amassada.
- 2 ovos caipira.
- 2 copos (250g) de polvilho azedo.
- 1 e ½ copo (200g) de queijo de minas (prefira queijo do Serro, se não encontrar substitua por queijo meia cura) ralado.
- 1 colher de café (15g) de sal (no caso de você não usar o queijo do Serro).

Modo de Preparo:

1. Numa tigela grande misture todos os ingredientes e amasse bem com as mãos até formar uma massa pegajosa e homogênea.
2. Pré-aqueça o forno por 10 minutos a 200°C.
3. Enquanto o forno aquece, passe um pouco de óleo de canola nas mãos e enrole a massa em bolinhas de aproximadamente 3 a 5cm de diâmetro. Coloque as bolinhas numa forma untada com óleo de canola.
4. Asse por aproximadamente 45 minutos (ou até que os pãezinhos estejam dourados) à 200°C. NÃO abra o forno até que os pãezinhos estejam prontos.

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