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Aprendiz VI - Torrontés

sábado, 29 de março de 2008

Que eu me lembre, foi a primeira vez que provei um vinho feito com esta uva. Segundo o que pesquisei, é a variedade símbolo da Argentina, por ser autóctone - ou criolla, como alguns preferem. Apesar da combinação com a comida não ter sido feliz, gostei muito deste San Pedro de Yacochuya 2007, da região de Salta. Trata-se de um vinho muito interessante, com aromas de pera, maçã e um pouco de maracujá. Na boca tem corpo médio, sabor muito floral, diferente, que me chamou a atenção (uma mistura de jasmim com resina ou almíscar - se é que isto é possível!). Mais para seco do que para doce, como prefiro. Pouca acidez e boa permanência. Acho que teria sido melhor aproveitado se servido com uma receita de tempero mais marcante.
De qualquer forma, foi uma ótima descoberta e vou repetir a dose, procurando provar e comparar Torrontés de outros produtores!
- San Pedro de Yacochuya Torrontés 2007 - Branco
- Yacochuya S.A. - Cafayate - Salta - Argentina

Alfarrábios II - Presentão…

terça-feira, 25 de março de 2008

…recém chegado de Buenos Aires pelas mãos do meu amigo e irmão Francisco.

O “Anuario Brascó/Portelli 2007-2008″ é tudo aquilo que promete: um guia sobre os principais vinhos argentinos (foram 1.300 provas!), com detalhes sobre os produtores, preços, pontuação e comentários dos dois autores. Equanto Miguel Brascó - escritor e jornalista - dá opiniões mais descontraídas e pitorescas, o sommelier Fabricio Portelli analisa cada garrafa de forma mais técnica. Desta forma, quem lê conta com duas visões e versões sobre um mesmo tema. Muito interessante.

Muchíssimas gracias, Francisco!

“Anuário Brascó/Portelli de los Vinos Argentinos 2007 - 2008″

Miguel Brascó e Fabrcio Guillermo Portelli

416 páginas
Editado por Simposium, ArgenitnaISBN 978-978-23885-4-6

Aprendiz V - Falou e Disse.

sábado, 15 de março de 2008

Texto definitivo do Luiz Horta, publicado no Glupt!
http://luizhorta.wordpress.com/2008/03/10/um-pouco-de-ritual-convem/

Aprendiz IV - Vinho com o que ?!?!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Jiló. Jiló com curry!

Não dá para descrever a cara de espanto da Bete e do David quando cheguei à loja pedindo um vinho para combinar com a receita que vi ontem no “Come-se”. Como a princípio eu queria um vinho branco, a primeira sugestão foi um Gewuztraminer. Infelizmente não havia nenhum em estoque. Daí em diante foi uma seqüência de suposições. Passamos por Syrahs, Cabernets e afins. Pesquisas no google…que vinho combinaria com curry, afinal? Nenhuma pista. E por que um prato tão exótico e diferente? Porque se fosse um “boeuf bourguignon” não teria a mínima graça! Na combinação inusitada é que estava o desafio.

Por fim, Bete sugeriu um espumante, o mais encorpado possível. O raciocínio foi o seguinte: na pior das hípóteses, a refrescância do espumante equilibraria a ardência do curry. Escolhemos o “Margot Extra Brut”, argentino de Mendoza.

Quer saber? A combinação não ficou lá estas maravilhas. Mas também não foi desastrosa. Valeu a experiência. Em tempo: sugestões são bem-vindas…

P.S. Fiz o curry de jiló tal qual a receita da Neide Rigo, acompanhado de arroz jasmin. Continuo amando jiló. Com curry ou com angú…

- Margot Blanc de Noirs Extra Brut - espumante, método Champenoise
- Bodegas Margot - Mendoza, Argentina.
- Chardonay / Syrah.
Cor amarelo, quase pêssego. Aroma de Peras, casca de laranja seca, pão. Encorpado. Na boca frutas amarelas, floral, equilibrado, agradável. Gostei.

Aprendiz III - St. Pierre no papillote com Purée de Ervilhas(para acompanhar vinho rosé)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A idéia veio do Chucrute com Salsicha. Na verdade, copiei descaradamente, exceto pelo tipo de peixe. Como não temos halibuts disponíveis no Brasil, utilizei filés de St. Pierre. E preparei no papel alumínio(papillote). No Purê de Ervilhas do mesmo site, não mudei nada. Fiz também umas batatinhas ao murro, bem simples, para acompanhar. Tudo isto para tentar harmonizar com um Corbières Rosé que foi indicado pelo caderno Paladar do Estadão.

A receita deu mais certo do que eu esperava. Ficou mesmo uma delícia. E a combinação do aroma de círticos do peixe com as frutas vermelhas do vinho foi muito boa. Um “levantou a bola” do outro.

Obviamente, como bom aprendiz, dei uma olhada no meu “Larrousse do Vinho” para entender um pouco mais sobre a região de Corbières. Uma 3a. feira sem grandes perspectivas, mas com um ótimo jantar!
Vinho:
- Domaine des Blanquières 2006 - Rosé
- Societé Cooperative de Névian - Corbières, França
- 70% Grenache / 20% Syrah / 10% Cinsault
Cor rosé intensa, quase avermelhada. Aroma de morangos (talvez framboesa?), bem equilibrado. Gostoso e refrescante na boca.
Curiosidade:achei aqui uma entrevista de Rogerio Rebouças com Sophia Pujol, Diretora da Cave de Névian. Ela conta que o vinho tem o nome de “Blanquières” por causa das pedras brancas que existem na região…

Aprendiz II - Cunhado 3 x Rogério 0

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Estou mesmo levando a sério esta questão de aprofundar meus conhecimentos sobre vinho. Pela primeira vez na vida me dei ao trabalho de pesquisar sobre uma garrafa que ganhei, desta vez de meu cunhado. Trata-se de um Rioja: Viña Alberdi Reserva 2000. Já sabia que La Rioja é uma importante região produtora da Espanha. Na verdade, era tudo que eu sabia. Confesso que desconfiei da idade da garrafa: ganhar um tinto de 2000? Já estamos em 2008! Ou o vinho é muito bom, ou já passou da hora de beber…Será presente de grego?

‘In dubita pro réu’, já que meu cunhado não é de mesquinharias.

Fui verificar os poucos livros sobre vinho que tenho em casa, nunca lidos, por pura preguiça:

-“La Clef des Vignes” – bacana, mas só fala sobre França.
-“101 Dicas Essenciais” – muito genérico.
-“Larousse do Vinho” – Ganhei num evento e ainda estava na embalagem. Foi o que ajudou mais.

Descobri que:

- Minha “biblioteca enológica” está paupérrima (alguma dica a respeito?).
- A produção da Rioja começou a tomar vulto a partir de 1860, quando o Marquês de Riscal introduziu o uso de barricas de carvalho novo, além de outras técnicas aprendidas durante uma estada em Bordeaux.
- A “Rioja Alta”, de onde vem a minha garrafa, está a uma altitude de 400 a 500m e as temperaturas mais frescas propiciam vinhos de melhor qualidade. Um a zero para o meu cunhado.
- A principal cepa da região é a Tempranillo, chamada assim porque amadurece um pouco mais cedo (temprano) do que outras cepas da região.
- Os Riojas tintos “reserva” são postos à venda a partir de seu quarto ano. Precisam passar doze meses em barrica + doze meses em garrafa, no mínimo. Dois a Zero para meu cunhado: aparentemente o vinho ainda deve estar bom.

Com estas informações em mente, fui fuçar na internet e encontrei o seguinte:

- Aromas de fruto vermelho, coco queimado e baunilha. Na boca é elegante e harmônico. Muito saboroso com ótimo equilíbrio entre álcool/taninos/acidez. Retrogosto persistente de cereja. (www.belovinho.com.br em 2007)
-Um gostoso e perfumado aroma de flores, trufas, cereja e baunilha. Corpo sedoso e de média concentração que apresenta funghi, terra molhada, cereja e algum tostado. Boa acidez e saboroso meio de boca, com uma boa persistência e delicioso final.Excelente. (www.cellartracker.com em agosto de 2007).
- Wine Advocate review: The 2000 Reserva Vina Alberdi is a blend of 80% Tempranillo and 20% Mazuela (Carignan). Medium ruby in color, it exhibits a nicely developed and expressive nose of cedar, spice, and red currants. Light to medium-bodied, seamless, elegant, and ripe, drink this wine now and over the next 3-4 years. (28/2/2007)

São três a zero pro meu cunhado. Só me resta deixar a garrafa deitada até o verão passar, escolher um prato que combine (sugestões são bem-vindas!) e convidar o cunhado para compartilhar o vinho comigo!

P.S.: Os iniciados me perdoem se este post pareceu bobo demais. Só queria dividir esta experiência de “pesquisa”.

Aprendiz I - Boas Surpresas

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Bebo geralmente um ou dois cálices no jantar. Sei que taças usar e a que temperatura servir. Não erro muito na hora de combinar com a comida. Em um ou outro caso sei até porque aquela uva se desenvolveu melhor naquele lugar. Sei fazer cara de sabedoria ao observar o líquido contra a luz, girar a taça para ver as lágrimas, incliná-la e conferir o “halo aquoso”, aspirar fundo. Consigo identificar alguns aromas e até alguns sabores. Engano um montão de gente: lá na empresa cabe a mim escolher o vinho nos jantares com clientes importantes. E o melhor é que dou sorte na escolha em 90% das vezes. Mas no fundo, no fundo, não passo de um grande curioso. Tenho que confessar.

O que conheço de vinho? Pouca coisa, uma colcha de retalhos composta por informações esporádicas que pincei aqui e ali. Nunca me preocupei em me aprofundar, aprender mais, ler um pouco. Na verdade, sempre tive preguiça. E medo. Medo de refinar demais o paladar, ficar exigente e começar a gastar uma pequena fortuna.

Mas agora, com o Amuse Bouche, a coisa muda. Como escrever um blog que fala de comida sem saber o básico sobre vinhos? Preciso de um mínimo de bagagem. Preciso conhecer um pouco mais.

Resolvi “me mexer”. Semana passada, o Marco, um dos meus melhores amigos me convidou para uma degustação de vinhos de verão, numa loja da “Grand Cru”, bem perto aqui de casa. Foi a primeira vez que participei de um evento deste tipo. Num primeiro momento, fiquei com certo receio de encontrar pessoas chatas e “up nose”. Boa surpresa, eram apenas 17 participantes, gente interessante, descontraída e de bom papo. Super-leigos, curiosos (como eu) e iniciados. Perguntas de todos os “níveis” que foram muito bem respondidas pelo Marcel, dono da loja, que dirigiu a degustação.

Ao chegar, fomos, eu e a Gabriela, muito bem recebidos pela Betty, esposa do Marcel. À mesa (grandona, bem iluminada, para 20 pessoas), 5 taças (uma para água e 4 para os vinhos), cestas com pão italiano e, muito importante, as fichas de degustação. Olhei-as de lado e pensei: Putz, como é que vou preencher isto? Vou “pagar mico”. Segunda boa surpresa: Marcel conduziu a coisa de tal forma que foi fácil tirar minhas próprias conclusões, achar aromas e sabores escondidos, “compreender o que estávamos bebendo”.

Terceira surpresa: Gabriela, mais entusiasmada do que eu esperava, revelou-se muito talentosa para degustar.

Após provarmos o último vinho da noite, mais cestas, desta vez com pães variados, e tábuas de frios. Todos enturmados, o bate papo seguiu por mais uma hora e meia! Quanto custou tudo isto: R$ 45,00 por cabeça. Justíssimo para uma 4ª. feira sem grandes expectativas. Barato se eu levar em conta o quão agradável foi o encontro.

Última surpresa da noite: saber que os vinhos que experimentamos tinham preços muito honestos e acessíveis. Impossível sair sem nehuma garrafa.

Portanto, foi uma noite ótima. Animados, decidimos nos matricular num “curso básico”. Apenas para nivelar o conhecimento. Grande começo!

Degustação de Vinhos de Verão – Grand Cru Granja Vianna – 30.Jan.2008

1) Nocturno Brut – Espumante
- Vinícola Robino – Mendoza, Argentina
- 50% Chenin / 50% Ugni Blanc
- Método Charmat
Cor leve, aroma de cítricos e fermento, acidez e frescor acentuados, corpo leve, persistência média. Obs.: servi 6ª. feira passada, como aperitivo, num jantar aqui em casa. Convidados gostaram.

2) Vicar’s Choice Sauvignon Blanc 2007 – Branco
- Vinícola Saint Clair Estate Winery – Marlborough, Nova Zelândia
- Sauvignon Blanc
Cor levemente esrverdeada (para mim lembrou feno…), aroma muito, muito marcante de maracujá, depois goiaba e grama cortada no final. Acidez acentuada, corpo leve e persistência média. Obs.: para nós foi a revelação da noite. Adoramos este vinho!

3) Kankura Carbernet-Syrah 2007 – Rosé
- Vinícola Kankura SA – Valle de Colchagua, Chile
- 80% Cabernet Sauvignon / 20% Syrah
Cor salmon brilhante, aroma floral com toques de cassis (este cassis eu tive dificuldade em achar…quem percebeu foi a Gabi). Média acidez, corpo leve. Obs.: ficou prejudicado na seqüência da degustação pois o vinho anterior (Vicar’s Choice) era muito mais intenso. Eleito melhor rosé do Chile no Guia Descorchados 2008. O Marcel contou que anteriormente a Vinícola Kankura chamava-se “Hondo de Enseada”. Cultura (in)útil: Kankura quer dizer “cântaro” em Mapuche.

4) Humberto Canale Pinot Noir 2006
- Vinícola Humberto Canale – Rio Negro, Patagônia, Argentina
- Pinot Noir
Coloração rubi intensa. Aroma amadeirado, baunilha, cereja e, o mais legal, fumaça de charuto (gostei desta!). Equilibrado. Taninos médios, leve de corpo com média persistência. Gostei bastante.

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