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Canivete Suíço II

sexta-feira, 23 de maio de 2008
Três dias em Buenos Aires



Aceitei o convite do meu grande amigo Rogério e titular deste blog para inaugurar o democrático espaço criado para a manifestação dos leitores.

Já tinha em mente um outro texto sobre uma paixão que compartilhamos: os cavalos. Aliás, foi através desses magníficos animais que iniciamos nossa amizade. Mas esta história eu conto em outra oportunidade.

Final de semana passado, após uma série de coincidências agradáveis, minha esposa e eu fomos comemorar o aniversário dela na pitoresca capital portenha. Como diz a Kelly “so many things, so little time”… E o que fazer de bom por lá?

Dicas e indicações dos amigos não faltaram, mas passarei adiante três que realmente valeram à pena do pouco que conhecemos.


O espetáculo no centenário Café Tortoni foi muito bom. O primeiro instante do show me apavorou: uma dramatização representando um bordel portenho, briga de faca e um desfecho grotesco. Mas depois a coisa virou música e dança e o show fez sentido. Os artistas eram de primeira linha, as músicas eram os super hits do tango e a gente sai de lá querendo aprender a dançar, tocar, comprar cd, dvd, e tudo mais que um turista inexperiente tem direito.


Recomendo, ao contrário do que fizemos, guardar certa distância do palco. Confesso que senti frio na barriga ao deparar muito, mas muito próximo de nossas cabeças dois ameríndios tocando tambor e batendo os pés; suas boleadeiras cortavam o ar tirando casquinhas do público estático na fila do gargarejo.

Inesquecível bife de chorizo na Cabaña Las Lilas à parte, fomos garimpar vinhos. Recebemos recomendação do Rogério para irmos a Le choix des vins. Lá fomos nós. Atendidos com muita simpatia pela Dna. M. Magdalena Sallaberry, constatamos uma boa variedade de produtos numa loja preocupada com o acondicionamento correto das garrafas.

De pronto adquirimos meia-dúzia seguindo nosso limitado conhecimento de aprendizes e aconselhados pela simpática senhora. Os vinhos foram entregues no hotel muito bem protegidos e embalados dentro de uma caixa de madeira que nem os relapsos funcionários dos dois aeroportos conseguiram destruir, apesar de várias tentativas.

No final da viagem quase a caminho do aeroporto demos uma rápida passada no caldeirão de la Bambonera para adquirir uma camisa oficial do Boca Juniors encomendada pelo meu filho Lucas. Ufa! Chegamos ao aeroporto em tempo de adquirir mais seis garrafas a preços módicos no Duty Free.

Café Tortoni – Avda. de Mayo, 852/9 – www.cafetortoni.com.ar

Cabaña Las Lilas – Alicia Moreau de Justo, 516 – Puerto Madero – www.laslilas.com.ar

Le choix des vins – Posadas, 1166 – www.lechoixdesvins.com

Marco Tirelli, 19 de maio de 2008

“Canivete Suíço” é um espaço que o AmuseBouche abre para qualquer tema, idéia ou assunto não relacionado ao tema principal do blog. Os amigos da blogsfera estão convidados a participar, enviando seus textos e idéias para rmo77@uol.com.br

Canivete Suíço

domingo, 4 de maio de 2008

@#$X*% do Bin Laden! Desde setembro de 2001 a rotina de quem “bate mala” pelo mundo ficou insuportável. A cada novo embarque ou conexão, a mesma celeuma: abre a mochila, tira o laptop. Bota o celular na bandeja. Any coins in your pocket? Tira o cinto e o casaco. Passa pelo raio-x. Piiiiiii. Please go back and take your shoes off! Passa de novo. Guarda tudo de volta. Veste o cinto, o casaco e o sapato…

Por causa disso, há sete anos, aposentei meu canivete suíço. Ia comigo para todo lugar, preso ao chaveiro. Consertou mala quebrada, desencapou fios, abriu pacotes e aparafusou muito cabo de panela frouxo. Descascou fruta, abriu lata e sacou rolha. Esculpiu as iniciais da namorada junto às minhas. Tê-lo comigo dava uma espécie de segurança: em se acabando o mundo, ali estava minha ferramenta de sobrevivência. Bin Laden acabou com isto.

Descobri então quão paradoxal é um canivete suíço. Tão multifuncional e, ao mesmo tempo, tão limitado. Útil em certas funções e ocasiões, inútil em outras (você abriria um vinho raro com o saca-rolhas de um canivete suíço?). Como usar aquele apetrecho em forma de gancho? Ou aquela lâmina pontiaguda com um furinho no meio? Pra que serve? Serve pra tudo; não serve pra nada. Sobrevivi sem ele…

Mesmo esquecido no fundo da gaveta (aposentadoria precoce imposta pelo terrorista), guardo com carinho o paradoxo de 1001 (in)utilidades que está comigo desde a adolescência. Seu destino já é certo: será herdado pelo David. Passará de pai pra filho. Como o relógio que um dia terei, também suíço.

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