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Arquivo da Categoria ‘Family Notebook - Caderno da Família’

Nos trilhos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

 

É passeio para ser feito uma vez na vida e nada mais, do tipo “férias em família”. Mas vale a pena descer a Serra do Mar de trem até Morretes. É a segunda atração turística mais visitada do Paraná, atrás apenas das Cataratas do Iguaçu.  A viagem começa em Curitiba, onde o embarque é feito na rodoferroviária. Melhor escolher os “vagões executivos”. Apesar de mais caros (R$ 89,00 adultos e R$ 45,00 crianças), há maior espaço entre as poltronas, refrigerantes e cerveja à vontade (um lanchinho “de avião” também, mas vamos pular esta parte). Além disso, guias turísticos bilíngües, muito bem treinados, que comentam toda a viagem, chamando a atenção para os pontos mais interessantes do percurso.

 

Segundo a simpática Carol, responsável pelo nosso vagão, a ferrovia começou a ser construída em 1880, projeto inicial dos irmãos Rebouças. São 110km de descida de serra, 30 pontes e 13 túneis, partindo de 934m acima do nível do mar. O objetivo inicial da obra era integrar o litoral paranaense a Curitiba, permitindo o desenvolvimento econômico da região.

 

 

carol

 

Coloquei as Bachianas Brasileiras n°2 de Villa-Lobos no Ipod e comecei a curtir a viagem…

 

Cruzando o trecho de mata atlântica mais preservado do país.

 

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Represa Caiguava: a chaminé, agora dentro d’água, era de uma antiga olaria.

 

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Bromélias.

 

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Hortênsias ao longo dos trilhos. Não são espécies nativas e foram plantadas para a visita inaugural de D. Pedro II (que nunca aconteceu). Era uma de suas flores preferidas.

 

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Rio Ipiranga. Não, não é o riacho da independência…

  

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Na Serra do Mar.

 

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Ponte São João, a 55m de altura. Foi projetada no Brasil e construída na Bélgica.

 

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Pico do Marumbi.

 

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Após umas 3 horas de viagem, vamos chegando a Morretes, num calor úmido e insuportável. Nossa guia insiste: não dá para ir embora sem provar o prato mais famoso da cidade, o Barreado. Como é que é?!?? Comer Barreado em Morretes num calor de 40°C?!? Isto eu como é na casa meu sogro em Guaratuba, à beira da piscina. Ele faz o melhor barreado que conheço e, ainda por cima divide a receita, passo a passo:

 

Em tempo - dizem que o termo “barreado” vem da forma com que se fecha a panela de barro durante o cozimento: faz-se um “barro” de água + farinha de mandioca que é colocada ao redor da tampa para vedar a panela. Meu sogro garante que não é necessário, mas nesta receita fizemos questão utilizar a técnica, para honrar a tradição.

 

Barreado do Sogro

 

Ingredientes:

 

- 200g de manteiga.

- 3 cebolas grandes picadas grosseiramente.

- 500g de toucinho ou bacon picado em cubinhos.

- 1kg de músculo limpo e cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 2kg de coxão duro cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 500g de massa de tomate (ou uns 6 tomates bem maduros, sem pele, sem semente e picados).

- 1 colher de sopa rasa de cominho.

- Água ou caldo de carne (preferência do sogro) o quanto baste.

- Sal o quanto baste.

Para vedar a panela: farinha de mandioca e água misturados numa papa bem firme.

 

Modo de Preparo:

 

1.  Aqueça bem um panelão de barro (tem que ser de barro!) e derreta a manteiga.

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2. Acrescente a cebola e o toucinho, misture e refogue até que a cebola fique transparente.

 

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3. Junte a carne misturando bem e cozinhe por cerca de 5 minutos.

 

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4. Acrescente a massa de tomate e o cominho. Misture e cubra com o caldo de carne.

 

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5. Quando começar a ferver tampe a panela (vede com a massa de farinha se quiser, mas garanto que não precisa!) e deixe cozinhar por cerca de 4 a 5 horas ou até a carne ficar bem macia, desmanchando.

6. Com uma colher de pau, desmanche toda a carne na própria panela e deixe conzinhando para encorpar por cerca de mais meia hora. Acerte o sal e sirva acompanhado de farinha de mandioca e banana assada.

 

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Mais informações sobre o passeio de trem: www.serraverdeexpress.com.br

Zahyra

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

 

Ela partiu semana passada, após alguns dias de luta contra uma pneumonia teimosa. Em fevereiro de 2010 completaria 100 anos. Minha avó paterna teve uma vida valente. Enviuvou relativamente cedo. Sozinha e sem perder o sorriso no rosto, criou 10 filhos e um sobrinho. A saúde a acompanhou quase até o final.

 

Morei com ela no Rio de Janeiro, nos anos de faculdade. Agüentava minhas 6 horas de estudo de violino sem reclamar e ainda que eu já tivesse mais de 18 anos, ralhava quando chegava das farras de madrugada. Recebia com carinho alguns colegas músicos que vinham estudar no Rio e ficavam hospedados em casa até encontrarem apartamento. Gostava de me assistir na Sala Cecília Meireles e não se importava quando o quarteto de cordas em que eu tocava ensaiava em sua sala de visitas. Não eram tempos fáceis. Como músico de orquestra, meu ritmo de vida era muito puxado e o dinheiro nem sempre sobrava. Eu era moleque novo, recém saído do ninho, tentando “engolir” o mundo sem saber direito que rumo tomar. Nas alegrias e nas frustrações, vovó estava sempre lá, firme. Hoje chego à conclusão de que sem o seu apoio naquela época, minha vida teria sido muito, muito mais difícil.

 

Nos últimos anos, apesar dela ter vindo morar em São Paulo, nos distanciamos um pouco. Por quê? Não sei explicar. A vida de casado, a correria de viver metade do mês fora do Brasil, a rotina com as crianças? Nada disso justifica. Talvez o incômodo inconsciente de ver quem a gente gosta ficar senil a ponto de não nos reconhecer? De constatar que mesmo aquelas pessoas que são esteio e fortaleza em nossas vidas passarão um dia? Pode ser, mas não alivia nem um pouco o remorso de não termos convivido mais nesta etapa final.

 

Me despedi da vovó Zahyra há exatos 10 dias, quando a visitei na UTI. Vi a lutadora de sempre brigando novamente com todas as suas forças. Desta vez contra a dor e a dificuldade de respirar. Quando eu entrei na sala ela abriu os olhos e entendi imediatamente que aquela seria a última vez.

 

Engraçado como nestas horas a gente lembra dos momentos mais ternos e mais felizes, das manias simpáticas, dos gestos de carinho e das tradições. Na minha família, no dia do natal há um doce que não pode faltar. Era a receita preferida do avô que morreu cedo e não conheci. A vovó fez questão de continuar preparando para os filhos e netos. E também passou o “segredo” adiante. Este creme de castanhas é tão delicioso quanto as suas outras sobremesas: o doce de abóbora, a banana caramelada, a “sobremesa deliciosa” (um pavê que ela inventou) e a Ille Flotant. Mas tem um gosto especial de natal e de perpetuidade que não posso descrever. Prepará-lo hoje foi o melhor jeito que encontrei de lembrar dela. Um beijo, Zazá. Saudade.

 

pudimcastanhas

 

Creme de Castanhas

 

Ingredientes:

 

- 4 xícaras de leite integral.

- 3 colheres de sopa de amido de milho.

- 3 gemas.

- Açúcar a gosto (umas 2 colheres de sopa, o creme não deve ficar muito doce).

- Um prato cheio de castanhas portuguesas cozidas, descascadas e amassadas grosseiramente com um garfo.

- 2 colheres de sopa de cacau em pó.

- 4 gotas de essência de baunilha.

- 1 pitada de sal.

- Susupiros ou claras em neve batidas com açúcar, o quanto baste.

 

Modo de preparo:

 

1. Misturar as gemas com o açúcar e o sal.

2. Acrescentar o leite, o amido de milho (dissolver num pouquinho de leite para evitar formar grumos), o cacau em pó e a baunilha. Misturar bem e levar ao fogo bem baixo até formar um creme.

3. Acrescentar as castanhas ao creme, misturar e colocar num pirex (ou então em taças, como eu prefiro).

4. Depois de frio, cobrir com suspiro (claras batidas em neve com açúcar) e levar à geladeira. Servir bem gelado.

Pudim de Pão II

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

 

A dica foi enviada pela Chris através de um comentário neste post. É o pudim de pão que a avó dela fazia, sem leite condensado. Totalmente “slow food”!

 

Nada melhor que um feriado com bastante tempo livre para testar a sugestão. Confesso que quando terminei de bater a massa no liquidificador fiquei bastante apreensivo. Achei-a muito líquida; tive a impressão de que talvez o pudim não firmasse. Mas não se deve desconfiar das receitas de avó. São aperfeiçoadas ao longo de muitos anos e sempre dão certo. De modo que segurei meus instintos e segui todas as instruções, exceto pelo absinto e as frutas cristalizadas, que não havia na despensa. A receita rende bastante. Enchi uma forma “normal” de 23cm e outra do tipo “bolo inglês”. Como meu forno é meio biruta, precisei de um tempo um pouco maior para assar, cerca de 2 horas.

 

Se ficou bom? Sensacional! Pela foto abaixo, meio tosca e tirada com o celular, dá para perceber que sobrou quase nada. Testado, aprovado e recomendado. Obrigado Chris!

 

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Pudim de pão com frutas cristalizadas e damascos ao aroma de Absinto
receita da Marie Christine Carrano

Ingredientes:

- 1 l de leite
- 4 xícaras de miolo de pão cortado em cubos
- 8 ovos
- 3 xícaras de açúcar
- 250 g de frutas cristalizadas
- 100 g de damascos secos
- 2 cálices de rum
- 2 cálices de Absinto
- 1 colher de chá de canela em pó
- calda de caramelo feita com 2 xícaras de chá de açúcar e uma de água

Modo de Preparo:

Coloque as frutas cristalizadas e os damascos bem picados de molho no rum e no Absinto.
Deixe o pão de molho no leite por mais ou menos 1 hora. Depois desse tempo, esprema bem até obter a quantidade de 4 xícaras. Torne a colocar o pão no mesmo leite e junte o açúcar, a canela e os ovos. Bata tudo no liquidificador.
Quando tiver se formado uma massa homogênea, despeje numa travessa e acrescente as frutas e as bebidas e misture bem.
Prepare a calda de caramelo (se achar necessário, coloque um pouco mais de açúcar e água). Despeje o caramelo numa forma de pudim com furo no meio.
Espalhe bem pela forma toda e espere esfriar um pouco. Despeje o pudim na forma, espalhando as frutas no fundo. Asse em forno moderado, em banho-maria, durante 1 ½ h mais ou menos ou até que enfiando um palito, este saia limpo.
Deixe esfriar e leve à geladeira. Na hora de servir, aqueça rapidamente a forma para que o caramelo derreta um pouco e desenforme num prato de bolo.
Bom apetite!

Rendimento: 8 a 10 porções

Petrópolis

sábado, 31 de outubro de 2009

 

O fusca azul calcinha saía do Grajaú toda 6ª. feira, mais ou menos às 5 da tarde. No banco da frente meu pai e minha mãe. Atrás, eu e minhas duas irmãs. Sem cinto de segurança, que naquela época isto não existia. Passávamos pela Avenida Brasil sem muitos problemas. Há 35 anos o trânsito costumava ser bem melhor. No caminho, a refinaria Duque de Caxias (REDUC) e uma infinidade de motéis. Sempre me chamava atenção o “Pink” cujo logo era uma gatinha muito bonitinha. “Mãe, o que é motel?” “Ahn? Como assim?!?…Ah, filho, é um hotel onde a gente passa só uma noite…” “Sei, mãe. Quando eu crescer quero passar uma noite aí, tá?”

 

O fusquinha continuava subindo a serra, faróis já acesos, geralmente atrás de um ônibus da “Viação Fácil” ou da “Viação Única”. Logo o “ruço” aparecia e a velocidade do carro diminuía, junto com a temperatura. Seguir os ônibus era uma alternativa segura nas curvas onde não se enxergava nada. Fim da subida, mais um pouquinho a primeira parada: “Casa do Alemão”. Sanduíche de lingüiça, com mostarda escura e uma garrafa de “Mineirinho”. Que d-e-l-í-c-i-a!!! Meu pai preferia o croquete de carne, com uma cervejinha (ainda não havia bafômetro). Minha mãe sempre levava os biscoitos amanteigados, que seriam devorados no café da manhã do dia seguinte. Não me lembro o que as meninas comiam. Na verdade eu só queria saber de beber meu “Mineirinho”, bem gelado, e traçar o sanduíche.

 

Entra no carro de novo, de barriga cheia e reconfortada. Só mais 18 quilômetros até a casa de campo de meus avós, em Nogueira. Fins de semana perfeitos, com cavalos, pé na grama, feijão preto inesquecível, couve da horta, geléia de framboesa do quintal. Banho de mangueira, banho de chuva. Volta da ferradura. Cuca de farofa, doce de banana, bolo de fubá. E muitos caramelos da “Casa D’Ângelo” que a vovó comprava especialmente para os domingos. O pacote que ganhei esta semana me fez voltar no tempo e lembrar de tudo isso. Pena que não veio uma garrafa de “Mineirinho” também! Saudades.

 

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Bacalhau sem risco

domingo, 16 de agosto de 2009

 Vou arriscar um palpite: 85% das receitas de bacalhau que existem por aí são variações sobre um mesmo tema.

Arrisco também uma explicação: na minha opinião, bacalhau é um item tão nobre, tão sagrado e tão especial em sua simplicidade que poucos são aqueles que têm competência para inovar. Por que reinventar a roda? Para que complicar quando, por gerações e gerações, nossos ancestrais portugueses testaram, adaptaram e aprimoraram receitas de sucesso comprovado?

 

No que diz respeito a bacalhau, sou conservador. Arrisco pouco. Desculpem-me o clichê: menos é mais. Por isso fico na minha e limito-me a cozinhar como os pais e avós. O máximo que faço é mudar um ingrediente aqui e outro acolá. Jamais comprometo a essência.

 

Esta é a minha variação pessoal da sempre louvada e imprescindível bacalhoada que meu sogro de Guaratuba prepara como ninguém. Foi minha escolha para o cardápio do dia dos pais. Não mudei quase nada: as cebolas foram fatiadas, ao invés de entrarem às metades; diminuí o tamanho das batatas, tomates e ovos. Usei a panela esmaltada ao invés do refratário. Acho que o sogrão, que infelizmente não estava à mesa, não se importaria…

 

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Bacalhoada quase do jeito do sogro para o dia dos Pais

 

Ingredientes:

 

- 1kg de lombo de Bacalhau.

- 15 batatas bolinha.

- 2 cebolas fatiadas em rodelas.

- 20 tomates cereja cortados ao meio.

- 1 bom punhado de azeitonas pretas graúdas.

- 6 dentes de alho (com casaca mesmo).

- 2 folhas de louro.

- 12 grãos de pimenta.

- 12 ovos de codorna cozidos e descascados.

- Azeite de oliva extra virgem o quanto baste.

 

Modo de Preparo:

 

1. Dessalgue o bacalhau: corte o lombo em postas de aproximadamente 3 dedos e deixe-os de molho numa tigela com água por 48 horas. Durante este período troque a água a cada 8 horas. Escorra e reserve as postas.

2. Cozinhe as batatas bolinha (com casca) em água fervente por 20 minutos. Escorra a água e reserve as batatas.

3. Numa panela grande esmaltada (tipo Le Creuset) que possa ir ao forno: coloque as batatas, os dentes de alho, as folhas de louro e os grãos de pimenta. Acrescente os tomates cereja e as cebolas em rodela. Disponha sobre as fatias de cebola as postas de bacalhau e as azeitonas. Regue com bastante azeite.

4. Tampe a panela e leve ao forno préaquecido a 220°C por 45 minutos.

5. Ao servir, finalize acrescentado os ovos de codorna à panela.

Só Isso VII - Creme de Abacate

sábado, 25 de julho de 2009

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Abacate bem maduro, batido com leite condensado. Umas gotinhas de baunilha. Geladeira. Esta sobremesa está na família há 3 gerações.

Outra receita de família

quinta-feira, 11 de junho de 2009

 

Como é que pode? Um descendente de português com espanhol dizer que fondue de queijo é “receita de família”?

 

Explico que a receita está no caderno da minha mãe desde que me entendo por gente. Veio de uma prima que mora na França há muitos anos e diz ter aprendido com um amigo suíço.

 

Explicação dada, ressalto que fazer fondue é facílimo e extremamente prazeroso, do preparo ao consumo. Para quem gosta de cozinhar ou quer impressionar um pouquinho a namorada, não se justifica comprar fondue industrializada (notar que é palavra do gênero feminino a fondue, e não o contrário com diz a maioria). Os segredos? Poucos, mas fundamentais:

 

- Queijo de primeira qualidade. Tem de ser importado. Não adianta economizar neste quesito. Queijos ruins não vão derreter de maneira uniforme. O produto final será uma massa toda cheia de grumos.

 

- Um “pingo” de kirschwasser. Trata-se de aguardente de cerejas. Vale a pena investir numa garrafa. Provavelmente você só vai usar kirsch em fondues. Talvez em sobremesas. Dura anos…

 

- Uma pitada de noz moscada e outra de pimenta do reino. A gosto do freguês. Na minha fondue nunca falta.

 

- Para incrementar, servir, além do pão: pepinos em conserva (cornichons), batatinhas inteiras cozidas, cebolinha “pérola” em conserva. É assim que se come na Suíça.

 

- O principal: vinho e os amigos de bom papo para compartilhar. Fondue é um prato que agrega as pessoas. A menos que seus propósitos sejam “românticos” é legal ter pelo menos umas 4 pessoas a volta da panela.

 

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Fondue de Queijo da Lia, minha prima “francesa”

Ingredientes (para 4 a 5 pessoas):

 

- 250g de queijo Gruyère.

- 250g de queijo Emmenthal.

- 1 colher de sopa não muito cheia de amido de milho.

- 1 dente de alho.

- aproximadamente 200ml de vinho branco seco (eu costumo usar Chardonnay).

- Um “chorinho” de kirschwasser (umas 2 colheres de sopa).

- Noz moscada ralada na hora, a gosto.

- Pimenta do reino ralada na hora, a gosto.

 

Para acompanhar:

 

- Pepinos em conserva (cornichons)

- Batatinhas cozidas, com a casca.

- Cebolinha pérola em conserva.

- Pão de boa consistência (eu gosto de usar baguette ou pão italiano), cortado em cubos de cerca de 4cm.

 

Modo de Preparo:

 

1. Rale o Gruyère e o Emmenthal no ralador grosso. Reserve.

2. Corte o dente de alho ao meio e esfregue as metades em todo o interior da panela de fondue (prefira uma panela esmaltada, que possa ir tanto ao fogo quanto ao réchaud).

3. Na panela coloque os queijos ralados e o amido de milho. Misture levemente com as mãos para distribuir o amido de milho de forma homogênea.

4. Acrescente o vinho branco. Misture, leve a panela ao fogão e acenda o fogo bem baixo, mexendo sempre até que os queijos se fundam, a fondue comece a ferver levemente e fique homogênea.

5. Apague o fogo, acrescente a noz moscada, a pimenta do reino a gosto e também o kirsch. Misture e leve imediatamente à mesa sobre o réchaud próprio para fondue, já aceso.

 

Receita da Família

sábado, 30 de maio de 2009

Fígado. Rabada. Mocotó. Língua. Para uns, apenas restos abomináveis do boi. Para outros, iguarias. Faço parte do segundo grupo. Aprecio miúdos e congêneres desde criança (exceção para miolos). Coisa de guloso curioso, que teve a sorte de ter cozinheiras de mão cheia na família, cada uma com sua especialidade. Minha avó fazia iscas de fígado deliciosas. A rabada com agrião de minha mãe é imbatível. E a sogra é expert em dobradinha. Aproveitei que ela está nos visitando e “exigi” o prato para o jantar de ontem à noite.   

Metade dos hóspedes que estão aqui neste fim de semana preferiu pizza, torcendo o nariz para a outra opção do cardápio. Pobres coitados, não aprenderam a apreciar as sutilezas deste tipo de comida, que raramente se acha em restaurante e cujas receitas geralmente não são escritas. É tudo feito “de olho” e cada especialista tem o seu truque. Tentei registrar o processo e as quantidades para não ficar tão dependente assim das visitas da sogra. Nada contra receber visitas da sogra, que fique bem claro! (risos)

 

 

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Dobradinha da Sogra

 

Ingredientes:

 

- 1 e ½ kg de dobradinha já limpa (peça no açougue).

- 6 limões.

- 100g de manteiga.

- 2 folhas de louro.

- 1 cebola grande picada.

- 3 dentes de alho picados.

- 3 tomates inteiros picados.

- 600g de costelinha de porco defumada.

- 6 linguiças tipo “fininha” cortada em rodelas de aproximadamente 1 dedo OU 2 linguiças tipo “calabresa” em rodelas finas.

- 500ml de caldo de carne.

- 500ml polpa de tomate.

- Pimenta dedo de moça em rodelas finas, a gosto.

- 1 galho de manjericão (opcional)

- Sal a gosto.

 

Modo de Preparo:

 

1. Lavar bem a dobradinha na água corrente. Segredo 1: tem que lavar BEM.

2. Cortar a dobradinha em tiras de aproximadamente 0,5cm de largura. Segredo 2: cortar no sentido transversal às fibras.

3. Colocar a dobradinha fatiada numa panela e espremer o suco de 3 limões. Cobrir com água e deixar ferver. Escorrer e repetir este processo mais uma vez.

4. Escorrer novamente e ferver pela terceira e última vez, porém sem o suco de limão. Escorrer.

5. Trasnferir a dobradinha escorrida para uma panela de pressão, cobrir com água, tampar e acender o fogo. Quando a panela começar a “chiar”, abaixar o fogo e cozinhar por cerca de 15 minutos. Apagar o fogo, deixar a panela esfriar totalmente, abri-la e escorrer a dobradinha. Reservar.

6. Numa panela, cobrir a costelinha defumada com água, aferventar para tirar o excesso de sal e escorrer. Voltar a costelinha para a panela, cobrir com água e ferver por mais 15 minutos. Escorrer e reservar.

7. Fazer o molho: numa panela grande, refogar o alho, a cebola, o louro e o tomate. Acrescentar a polpa de tomate, deixando apurar por cerca de 5 minutos. Acrescentar a lingüiça e a costelinha. Misturar e deixar cozinhar por mais 5 minutos. Acrescentar 500ml de caldo de carne e a pimenta dedo de moça, a gosto.

8. Acrescentar a dobradinha, tampar a panela, abaixar o fogo e deixar cozinhar por pelo menos 40 minutos. Se necessário, acrescentar um pouco de água.

9. Ao final acertar o sal e colocar o galho de manjericão.

10. Há quem goste de servir com farinha de mandioca. Eu prefiro com arroz branco, salada verde e umas gotinhas de molho de pimenta.

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