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Arquivo da Categoria ‘Family Notebook – Caderno da Família’

Pimenta pra que te quero!

domingo, 9 de dezembro de 2012

 

Sábado retrasado foi dia de Vatapá aqui em casa. Fiz, como sempre, a receita consagrada, bahiana e tradicionalíssima de D. Aparecida, que já postei aqui.

 

Prestes a servir os convidados, me dei conta de que meu melhor molho de pimenta estava quase acabando e não seria suficiente para todos. Havia Tabasco, mas daí a cometer o pecado mortal de temperar comida brasileira com um molhinho gringo…

 

Tive então a idéia de improvisar com o que estava à mão, ou seja, os ingredientes do próprio vatapá. Juntei pimenta fresca com leite de coco, limão, gengibre…

 

 

Ficou booom! Tão bom que os amigos pediram um vidro de presente. Preparei hoje, tomando o cuidado de anotar todas as medidas e fotografar.

 

 

Molho de Pimenta ao Leite de Coco

 

Ingredientes:

 

- 100g de pimenta vermelha (Dedo de Moça ou Malagueta. Usei a Xiăo Mĭ aqui da China).

- Suco de 2 limões graúdos.

- 1 pitada de sal.

- 1 fatia de gengibre.

- 1 dente de alho descascado e cortado no sentido do comprimento.

- 6 colheres de sopa de leite de coco.

 

Modo de Preparo:

 

1. Retire o cabo das pimentas e corte-as em rodelas de cerca de 0,5cm.

2. Coloque em um vidro de conserva e acrescente os demais ingredientes. Misture bem e sirva.

Obs.: guardar em geladeira, no vidro bem fechado. Como foi a primeira vez, não sei quanto tempo dura… vamos observando…

 

Yes, nós temos chuchu!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

 

Muito bem. Eu sei que é capaz de alguém reclamar: rapaz, você está do outro lado do mundo, vivendo num país com uma riqueza culinária enorme e ao invés de publicar receitas chinesas, resolve fazer comida brasileira?!?

 

Pois bem, isto é surpresa para mim também. Nunca cozinhei tantas receitas brasileiras como neste segundo ano aqui na China. Farofas (se falta farinha de mandioca, improviso com semolina – dica da Dotty e do Augusto), Manjares, Moquecas, Vatapás (fiz meu próprio camarão seco outro dia), Arroz com Pequi (trazido em conserva da última viagem a Goiás), Carreteiro e até Churrasco (para quem tem sogro gaúcho e preguiça de cuidar de um braseiro como eu, é uma façanha). Suspeito que, passados quase dois anos de nossa mudança, minha “curva-emocional-de-expatriado” está entrando na fase mais aguda de saudade das pessoas, lugares, gostos e perfumes do Brasil. Ultimamente, muitas das situações, sabores e aromas daqui têm me feito lembrar, de uma forma ou de outra, da terra em que nasci e vivi por 41 anos. E confesso que estou achando essa fase muito, muito estranha.

 

Expatriados mais experientes me convenceram de que esta nostalgia é normal e muda de intensidade com o passar do tempo, chegando enfim a um ponto de equilíbrio aceitável, ou melhor, administrável. Um amigo que foi dekassegui por muitos anos contou que quando morava em Gunma pagava qualquer preço por um sabonete “Lux” importado do Brasil. Só para sentir no Japão, por uns breves momentos do dia, o mesmo cheirinho do banheiro da casa da sua mãe. Achei graça quando ele me contou esta história, pensei ser exagero. Hoje compreendo o que significa. O quanto são compensadores estes “pequenos confortos” que nos levam de volta às origens.

 

Por isso ficou difícil conter o entusiasmo quando encontrei por acaso no “wet market” da vizinhança uma banca que vendia chuchu! Será que é chuchu mesmo? Aqui deste lado do mundo?! Como fala em Chinês? A atendente, lógico, achou minha reação muito esquisita:

 

- O senhor está espantando por quê? É só um vegetal.

- Eu sei. É que é tem muito desse vegetal lá no meu país. Não sabia que tinha aqui.

- Sim, sempre vendemos nesta época, é bom pro calor interno (sic) do corpo. Qual é o seu país?

- Brasil. Como vocês preparam aqui na China?

- Faz uma sopa com ossos de porco. Depois que cozinhar bem, tira os ossos e põe o Fó Shŏu Guā (佛手 瓜) para cozinhar. Faz bem pra saúde! E no Brasil, come como?

- Lá no Brasil Fóshŏu Guā dá no mato, em todo lugar, nasce sozinho, não precisa nem plantar! Tem também um da casca verde-escura, que eu acho mais gostoso. Nós fazemos refogado, mexido com ovo – do jeito do Chau Dan aqui da China – com creme, gratinado, recheado com carne moída, na salada… Até com camarão!

- Camarão?!? Fóshŏu Guā com camarão?!? Você gosta?

- Ô se gosto! Fèichăng Hăo Chī!

 

A moça me puxa pelo braço. Andamos uns 20 metros até a banca dos peixes, onde ela já chega gritando com o vendedor, cheia de moral:

 

- Xiăo Lìu, limpa uns bons camarões pra esse lăowài que ele quer comer com Fóshŏu Guā! Hahaha, lăowài dŏu hĕn qìguài (=estrangeiros são todos muito esquisitos). Onde já se viu, camarão misturado com Fóshŏu Guā!!!

 

E assim “não tive opção”: o jantar foi mesmo chuchu com camarão… Tá explicado porque tem tanta receita brasileira neste blog que está morando na china?

 

 

Chuchu com Camarão

para 2 pessoas

 

Ingredientes:

- 1 colher de sopa de cebola picada.

- 3 colheres de sopa de azeite de oliva.

- 1 tomate sem pele e sem semente picado.

- 400g de camarão limpo e descascado.

- 2 chuchus médios picados em cubos de aproximadamente 2cm.

- Sal, pimenta do reino, limão e cheiro verde a gosto.

 

Modo de Preparo:

1.  Tempere o camarão com sal, pimenta e limão. Reserve.

2. Leve uma panela de barro* ao fogo até que esteja aquecida. Acrescente o azeite e a cebola e refogue até que a cebola esteja transparente.

3. Junte o camarão, misture e em seguida junte o tomate picado e o chuchu.

4. Cozinhe até que o chuchu esteja no ponto: importante não deixar o chuchu e o camarão cozinhar demais.

5. Salpique com cheiro verde e sirva.

 

*O ideal para este prato é a panela de barro, que dá um sabor especial ao prato e  também pode ir à mesa.

Um bocadinho mais!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Então a Dagmar aterrissa em Shanghai, direto da Bahia. Lá de Conceição do Coité, para ser mais preciso. Na bagagem, castanha, amendoim, dendê da melhor qualidade e camarão seco que D. Maria Helena mandou.

- Rogério, estão aí os ingredientes. Você tem que fazer vatapá prá nós!
- Faço com o maior prazer. Só que tem um detalhe… eu nunca fiz vatapá! Você, que é de família bahiana, me ensine como é que é .
- Hummm, é que… eu também nunca preparei. Fora estas coisas que trouxe prá você, nem sei direito o que leva.

E aí o jeito foi seguir os conselhos de Caymmi: “quem quisé vatapá ôooohhh… que procure fazê!” Lá fui eu consultar o “pai dos burros eletrônico”. Acontece que depois de um tempo cozinhando, a gente bate o olho numa receita e já sabe se vai dar certo ou não. E as que eu vi no Google não pareceram nada confiáveis. A alternativa foi procurar os amigos nordestinos aqui em Shanghai:

- Guiomar, socorro! Você tem alguma receita de vatapá?
- Tenho não…
- Mas que tipo de bahiana é você, mulher?!?
- Oxe, é que quem sempre faz vatapá lá em casa é mainha. Melhor vatapá que o de mainha eu nunca comi… (olhe, minha sogra não pode saber disso não, visse?).
- Então mande um email prá sua mainha, por favor. Peça a ela para mandar a receita.

D. Aparecida foi rápida, mandou a receita em 2 dias, numa mensagem carinhosa, detalhada e cheia de recomendações. E no domingo seguinte, panela de barro, pimenta, dende e camarão a postos, saiu o vatapá. Reduzi a quantidade de todos os ingredientes a ¼ pois a receita de D. Aparecida, transcrita fielmente abaixo, dá para um trio elétrico inteiro comer. É claro que faltou uma nega bahiana ôoooh, que saiba mexer (Wair, difícil encontrar por aqui). Mas o carioca, branquelo e careca até que se saiu bem: o vatapá ficou arretado! Prá cabra-da-peste-da-gota-serena nenhum botar defeito, meu rei.

vatapa1

Vatapá
(Receita da D. Aparecida)

Ingredientes:

- 1 kg de camarão seco descascado
- 15 pães cacetinhos (pães franceses) - usei pão de forma
- 250 g de amendoim
- 250 g de castanha de caju
- 3 copos de leite de coco grosso
- 50 g de gengibre ( se quiser, pode fazer sem )
- 1 molho de coentro
- 4 cebolas picadas
-1 xícara de azeite de dendê
- sal a gosto

Modo de Preparo:

1. Coloque o pão de molho com um pouco de leite de coco e deixe amolecer. Bata no liquidificador a cebola, metade do camarão seco, o amendoim, a castanha, o coentro, o sal e o gengibre e reserve.
2. Bata também no liquidificador o pão com o leite de coco.
3. Numa pannela misture o tempero com o pão batido no liquidificador e leve ao fogo, mexendo sempre. Acrescente o restante do leite de coco e continue mexendo.
4. Coloque o azeite de dendê e o restante do camarão seco.
5. Retire do fogo quando ele estiver soltando da panela. – e quando tomar cor. No começo não se desespere com a cor esverdeada do prato… tudo dá certo quando o vatapá estiver no ponto certo.
4. Sirva com arroz branco, moqueca de peixe ou de camarão.

Obs. : Se precisar pode usar mais leite coco e o pão é dormido (de um dia para o outro).

Bem Simples

domingo, 25 de abril de 2010

Já dizia a Dona Florinda, do saudoso seriado “Chaves”: muito ajuda quem não atrapalha! E este é o meu lema na cozinha. Principalmente no que diz respeito a ingredientes. O quanto menos invenção e complicação, melhor. É assim, por exemplo, com o bacalhau. Para que elocubrar demais quando a graça é justamente o sabor rústico, porém complexo do peixe? Por que mascarar seus aromas e desconstruir a textura? Prefiro preparar pratos como este “Bacalhau Aconchegado”, cuja receita recortei há mais de dez anos, acho que de uma página publicitária da Revista Gula. Trata-se apenas de bacalhau, cebola, alho e bom azeite (precisa mais?). A diferença fica por conta do preparo e apresentação, ambos na sempre singela, charmosa e fiel panela de barro. É comida sem rodeios e rapapés – bacalhau quase desacompanhado, junto aos poucos temperos de sempre, expressando seu sabor verdadeiro.

Dica: no dia seguinte, fica ainda mais gostoso se servido frio, como aperitivo, acompanhado simplesmente de fatias de pão (que podem e devem ser mergulhadas na panela) e vinho verde bem gelado!

bacalhau-2

Bacalhau Aconchegado

Ingredientes:

- 3 ou 4 cebolas grandes, fatiadas em rodelas bem finas.

- 10 dentes de alho descascados.

- 2 folhas de louro.

- 10 grãos de pimenta do reino (opcional).

- Azeite de Oliva, o quanto baste.

- 2 ou 3 bons pedaços de lombo de bacalhau.

 

Modo de Preparo:

1. Dessalgue o bacalhau: cubra os pedaços com água e leve a geladeira, trocando a água 3 vezes por dia, durante dois dias. Ao final dos dois dias, escorra e reserve o bacalhau.

2. Leve ao fogo uma panela de barro grande. Quando estiver bem aquecida, acrescente o azeite e refogue nele as cebolas, o alho, as folhas de louro e o grãos de pimenta do reino. Misture de vez em quando, até que as cebolas estejam transparentes e macias.

3. Abaixe bem o fogo e então “aconchegue” as postas de bacalhau entre as fatias de cebola. Regue as postas com um fio de azeite. Tampe a panela e deixe cozinhar (cerca de 15 a 20 minutos).

4. Leve à mesa, com a panela ainda fumengante, acompanhado de batatinhas ao murro e tomate assado. Ou então deixe esfriar, leve à geladeira e sirva frio no dia seguinte, com fatias de pão.

Boticão

segunda-feira, 22 de março de 2010

 

Não é que eu tenha medo. Ou aversão. A verdade é que ir ao dentista não está na minha lista das coisas mais agradáveis do mundo. Não me recuso a aparecer uma ou duas vezes por ano para uma limpeza profunda – e por isso não me lembro da última vez que tive um dente obturado. Mas há pelo menos uns 12 anos venho adiando a retirada do único siso que me nasceu totalmente fora do lugar. Invento desculpas, arrumo compromissos e complico a agenda para deixar a pequena cirurgia de extração para o próximo mês, próximo semestre ou, melhor ainda, próximo ano. A arte da procrastinação em seu estado mais puro.

 

Minha fuga durou até duas semanas atrás quando o dente começou a incomodar. Decidi finalizar o assunto de uma vez. Tomei coragem e liguei para a dentista, combinando a cirurgia para a última 6ª.feira. Apareci no consultório às 9hs em ponto, tenso e ansioso. Duas horas e várias anestesias depois, saí da cadeira com a boca costurada, um dente a menos e a recomendação de passar quatro dias sem mastigar. Ou seja, por enquanto só purê de batata, sopinhas e sorvete. Não há como ser diferente, o pós operatório é realmente chato e doloroso. E antes que me dêem a idéia advirto: não dá para tomar vinho (com canudinho) e antibiótico ao mesmo tempo!

 

Mas quem aprecia comida é criativo mesmo nos momentos de dieta. Entediado por dois dias consecutivos de “papinha”, resolvi incrementar um pouco o tradicional mingau de maisena do café da manhã com cardamomo e cúrcuma trazidos da última viagem a Dubai. O resultado foi bem interessante, agradável. E valeu para dar um pouco mais de cor às refeições tão sem graça destas últimas 48 horas. Pouco riso, pouco siso, mas pelo menos um pouco mais de sabor.

mingau

 

Mingau de Maisena com Cardamomo e Cúrcuma

 

Ingredientes (1 pessoa):

 

- 200 ml de leite integral.

- 1 colher de sobremesa bem cheia de maisena.

- 4 favas de cardamomo.

- 1 colher de sobremesa de mel (ou mais, a gosto).

- 1 pitada de sal (opcional).

- 1 colher de sobremesa de manteiga.

- Cúrcuma em pó, o quanto baste.

 

Modo de Preparo:

 

1. Uma panelinha, coloque o leite e dissolva a maisena.

2. Amasse com os dedos levemente as favas de cardamomo, o necessário para abri-las um pouco e permitir que liberem seu aroma. Acrescente à panela, juntamente com o mel, a manteiga e uma pitada de sal (opcional).

3. Leve a panela ao fogo bem baixo, misturando sempre, até adquirir a consistência de mingau.

4. Coloque em uma tigela e polvilhe um pouco de cúrcuma. Servir morno.

 

Nos trilhos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

 

É passeio para ser feito uma vez na vida e nada mais, do tipo “férias em família”. Mas vale a pena descer a Serra do Mar de trem até Morretes. É a segunda atração turística mais visitada do Paraná, atrás apenas das Cataratas do Iguaçu.  A viagem começa em Curitiba, onde o embarque é feito na rodoferroviária. Melhor escolher os “vagões executivos”. Apesar de mais caros (R$ 89,00 adultos e R$ 45,00 crianças), há maior espaço entre as poltronas, refrigerantes e cerveja à vontade (um lanchinho “de avião” também, mas vamos pular esta parte). Além disso, guias turísticos bilíngües, muito bem treinados, que comentam toda a viagem, chamando a atenção para os pontos mais interessantes do percurso.

 

Segundo a simpática Carol, responsável pelo nosso vagão, a ferrovia começou a ser construída em 1880, projeto inicial dos irmãos Rebouças. São 110km de descida de serra, 30 pontes e 13 túneis, partindo de 934m acima do nível do mar. O objetivo inicial da obra era integrar o litoral paranaense a Curitiba, permitindo o desenvolvimento econômico da região.

 

 

carol

 

Coloquei as Bachianas Brasileiras n°2 de Villa-Lobos no Ipod e comecei a curtir a viagem…

 

Cruzando o trecho de mata atlântica mais preservado do país.

 

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Represa Caiguava: a chaminé, agora dentro d’água, era de uma antiga olaria.

 

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Bromélias.

 

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Hortênsias ao longo dos trilhos. Não são espécies nativas e foram plantadas para a visita inaugural de D. Pedro II (que nunca aconteceu). Era uma de suas flores preferidas.

 

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Rio Ipiranga. Não, não é o riacho da independência…

  

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Na Serra do Mar.

 

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Ponte São João, a 55m de altura. Foi projetada no Brasil e construída na Bélgica.

 

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Pico do Marumbi.

 

marumbi

 

Após umas 3 horas de viagem, vamos chegando a Morretes, num calor úmido e insuportável. Nossa guia insiste: não dá para ir embora sem provar o prato mais famoso da cidade, o Barreado. Como é que é?!?? Comer Barreado em Morretes num calor de 40°C?!? Isto eu como é na casa meu sogro em Guaratuba, à beira da piscina. Ele faz o melhor barreado que conheço e, ainda por cima divide a receita, passo a passo:

 

Em tempo – dizem que o termo “barreado” vem da forma com que se fecha a panela de barro durante o cozimento: faz-se um “barro” de água + farinha de mandioca que é colocada ao redor da tampa para vedar a panela. Meu sogro garante que não é necessário, mas nesta receita fizemos questão utilizar a técnica, para honrar a tradição.

 

Barreado do Sogro

 

Ingredientes:

 

- 200g de manteiga.

- 3 cebolas grandes picadas grosseiramente.

- 500g de toucinho ou bacon picado em cubinhos.

- 1kg de músculo limpo e cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 2kg de coxão duro cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 500g de massa de tomate (ou uns 6 tomates bem maduros, sem pele, sem semente e picados).

- 1 colher de sopa rasa de cominho.

- Água ou caldo de carne (preferência do sogro) o quanto baste.

- Sal o quanto baste.

Para vedar a panela: farinha de mandioca e água misturados numa papa bem firme.

 

Modo de Preparo:

 

1.  Aqueça bem um panelão de barro (tem que ser de barro!) e derreta a manteiga.

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2. Acrescente a cebola e o toucinho, misture e refogue até que a cebola fique transparente.

 

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3. Junte a carne misturando bem e cozinhe por cerca de 5 minutos.

 

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4. Acrescente a massa de tomate e o cominho. Misture e cubra com o caldo de carne.

 

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5. Quando começar a ferver tampe a panela (vede com a massa de farinha se quiser, mas garanto que não precisa!) e deixe cozinhar por cerca de 4 a 5 horas ou até a carne ficar bem macia, desmanchando.

6. Com uma colher de pau, desmanche toda a carne na própria panela e deixe conzinhando para encorpar por cerca de mais meia hora. Acerte o sal e sirva acompanhado de farinha de mandioca e banana assada.

 

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Mais informações sobre o passeio de trem: www.serraverdeexpress.com.br

Zahyra

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

 

Ela partiu semana passada, após alguns dias de luta contra uma pneumonia teimosa. Em fevereiro de 2010 completaria 100 anos. Minha avó paterna teve uma vida valente. Enviuvou relativamente cedo. Sozinha e sem perder o sorriso no rosto, criou 10 filhos e um sobrinho. A saúde a acompanhou quase até o final.

 

Morei com ela no Rio de Janeiro, nos anos de faculdade. Agüentava minhas 6 horas de estudo de violino sem reclamar e ainda que eu já tivesse mais de 18 anos, ralhava quando chegava das farras de madrugada. Recebia com carinho alguns colegas músicos que vinham estudar no Rio e ficavam hospedados em casa até encontrarem apartamento. Gostava de me assistir na Sala Cecília Meireles e não se importava quando o quarteto de cordas em que eu tocava ensaiava em sua sala de visitas. Não eram tempos fáceis. Como músico de orquestra, meu ritmo de vida era muito puxado e o dinheiro nem sempre sobrava. Eu era moleque novo, recém saído do ninho, tentando “engolir” o mundo sem saber direito que rumo tomar. Nas alegrias e nas frustrações, vovó estava sempre lá, firme. Hoje chego à conclusão de que sem o seu apoio naquela época, minha vida teria sido muito, muito mais difícil.

 

Nos últimos anos, apesar dela ter vindo morar em São Paulo, nos distanciamos um pouco. Por quê? Não sei explicar. A vida de casado, a correria de viver metade do mês fora do Brasil, a rotina com as crianças? Nada disso justifica. Talvez o incômodo inconsciente de ver quem a gente gosta ficar senil a ponto de não nos reconhecer? De constatar que mesmo aquelas pessoas que são esteio e fortaleza em nossas vidas passarão um dia? Pode ser, mas não alivia nem um pouco o remorso de não termos convivido mais nesta etapa final.

 

Me despedi da vovó Zahyra há exatos 10 dias, quando a visitei na UTI. Vi a lutadora de sempre brigando novamente com todas as suas forças. Desta vez contra a dor e a dificuldade de respirar. Quando eu entrei na sala ela abriu os olhos e entendi imediatamente que aquela seria a última vez.

 

Engraçado como nestas horas a gente lembra dos momentos mais ternos e mais felizes, das manias simpáticas, dos gestos de carinho e das tradições. Na minha família, no dia do natal há um doce que não pode faltar. Era a receita preferida do avô que morreu cedo e não conheci. A vovó fez questão de continuar preparando para os filhos e netos. E também passou o “segredo” adiante. Este creme de castanhas é tão delicioso quanto as suas outras sobremesas: o doce de abóbora, a banana caramelada, a “sobremesa deliciosa” (um pavê que ela inventou) e a Ille Flotant. Mas tem um gosto especial de natal e de perpetuidade que não posso descrever. Prepará-lo hoje foi o melhor jeito que encontrei de lembrar dela. Um beijo, Zazá. Saudade.

 

pudimcastanhas

 

Creme de Castanhas

 

Ingredientes:

 

- 4 xícaras de leite integral.

- 3 colheres de sopa de amido de milho.

- 3 gemas.

- Açúcar a gosto (umas 2 colheres de sopa, o creme não deve ficar muito doce).

- Um prato cheio de castanhas portuguesas cozidas, descascadas e amassadas grosseiramente com um garfo.

- 2 colheres de sopa de cacau em pó.

- 4 gotas de essência de baunilha.

- 1 pitada de sal.

- Susupiros ou claras em neve batidas com açúcar, o quanto baste.

 

Modo de preparo:

 

1. Misturar as gemas com o açúcar e o sal.

2. Acrescentar o leite, o amido de milho (dissolver num pouquinho de leite para evitar formar grumos), o cacau em pó e a baunilha. Misturar bem e levar ao fogo bem baixo até formar um creme.

3. Acrescentar as castanhas ao creme, misturar e colocar num pirex (ou então em taças, como eu prefiro).

4. Depois de frio, cobrir com suspiro (claras batidas em neve com açúcar) e levar à geladeira. Servir bem gelado.

Pudim de Pão II

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

 

A dica foi enviada pela Chris através de um comentário neste post. É o pudim de pão que a avó dela fazia, sem leite condensado. Totalmente “slow food”!

 

Nada melhor que um feriado com bastante tempo livre para testar a sugestão. Confesso que quando terminei de bater a massa no liquidificador fiquei bastante apreensivo. Achei-a muito líquida; tive a impressão de que talvez o pudim não firmasse. Mas não se deve desconfiar das receitas de avó. São aperfeiçoadas ao longo de muitos anos e sempre dão certo. De modo que segurei meus instintos e segui todas as instruções, exceto pelo absinto e as frutas cristalizadas, que não havia na despensa. A receita rende bastante. Enchi uma forma “normal” de 23cm e outra do tipo “bolo inglês”. Como meu forno é meio biruta, precisei de um tempo um pouco maior para assar, cerca de 2 horas.

 

Se ficou bom? Sensacional! Pela foto abaixo, meio tosca e tirada com o celular, dá para perceber que sobrou quase nada. Testado, aprovado e recomendado. Obrigado Chris!

 

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Pudim de pão com frutas cristalizadas e damascos ao aroma de Absinto
receita da Marie Christine Carrano

Ingredientes:

- 1 l de leite
- 4 xícaras de miolo de pão cortado em cubos
- 8 ovos
- 3 xícaras de açúcar
- 250 g de frutas cristalizadas
- 100 g de damascos secos
- 2 cálices de rum
- 2 cálices de Absinto
- 1 colher de chá de canela em pó
- calda de caramelo feita com 2 xícaras de chá de açúcar e uma de água

Modo de Preparo:

Coloque as frutas cristalizadas e os damascos bem picados de molho no rum e no Absinto.
Deixe o pão de molho no leite por mais ou menos 1 hora. Depois desse tempo, esprema bem até obter a quantidade de 4 xícaras. Torne a colocar o pão no mesmo leite e junte o açúcar, a canela e os ovos. Bata tudo no liquidificador.
Quando tiver se formado uma massa homogênea, despeje numa travessa e acrescente as frutas e as bebidas e misture bem.
Prepare a calda de caramelo (se achar necessário, coloque um pouco mais de açúcar e água). Despeje o caramelo numa forma de pudim com furo no meio.
Espalhe bem pela forma toda e espere esfriar um pouco. Despeje o pudim na forma, espalhando as frutas no fundo. Asse em forno moderado, em banho-maria, durante 1 ½ h mais ou menos ou até que enfiando um palito, este saia limpo.
Deixe esfriar e leve à geladeira. Na hora de servir, aqueça rapidamente a forma para que o caramelo derreta um pouco e desenforme num prato de bolo.
Bom apetite!

Rendimento: 8 a 10 porções

Petrópolis

sábado, 31 de outubro de 2009

 

O fusca azul calcinha saía do Grajaú toda 6ª. feira, mais ou menos às 5 da tarde. No banco da frente meu pai e minha mãe. Atrás, eu e minhas duas irmãs. Sem cinto de segurança, que naquela época isto não existia. Passávamos pela Avenida Brasil sem muitos problemas. Há 35 anos o trânsito costumava ser bem melhor. No caminho, a refinaria Duque de Caxias (REDUC) e uma infinidade de motéis. Sempre me chamava atenção o “Pink” cujo logo era uma gatinha muito bonitinha. “Mãe, o que é motel?” “Ahn? Como assim?!?…Ah, filho, é um hotel onde a gente passa só uma noite…” “Sei, mãe. Quando eu crescer quero passar uma noite aí, tá?”

 

O fusquinha continuava subindo a serra, faróis já acesos, geralmente atrás de um ônibus da “Viação Fácil” ou da “Viação Única”. Logo o “ruço” aparecia e a velocidade do carro diminuía, junto com a temperatura. Seguir os ônibus era uma alternativa segura nas curvas onde não se enxergava nada. Fim da subida, mais um pouquinho a primeira parada: “Casa do Alemão”. Sanduíche de lingüiça, com mostarda escura e uma garrafa de “Mineirinho”. Que d-e-l-í-c-i-a!!! Meu pai preferia o croquete de carne, com uma cervejinha (ainda não havia bafômetro). Minha mãe sempre levava os biscoitos amanteigados, que seriam devorados no café da manhã do dia seguinte. Não me lembro o que as meninas comiam. Na verdade eu só queria saber de beber meu “Mineirinho”, bem gelado, e traçar o sanduíche.

 

Entra no carro de novo, de barriga cheia e reconfortada. Só mais 18 quilômetros até a casa de campo de meus avós, em Nogueira. Fins de semana perfeitos, com cavalos, pé na grama, feijão preto inesquecível, couve da horta, geléia de framboesa do quintal. Banho de mangueira, banho de chuva. Volta da ferradura. Cuca de farofa, doce de banana, bolo de fubá. E muitos caramelos da “Casa D’Ângelo” que a vovó comprava especialmente para os domingos. O pacote que ganhei esta semana me fez voltar no tempo e lembrar de tudo isso. Pena que não veio uma garrafa de “Mineirinho” também! Saudades.

 

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Bacalhau sem risco

domingo, 16 de agosto de 2009

 Vou arriscar um palpite: 85% das receitas de bacalhau que existem por aí são variações sobre um mesmo tema.

Arrisco também uma explicação: na minha opinião, bacalhau é um item tão nobre, tão sagrado e tão especial em sua simplicidade que poucos são aqueles que têm competência para inovar. Por que reinventar a roda? Para que complicar quando, por gerações e gerações, nossos ancestrais portugueses testaram, adaptaram e aprimoraram receitas de sucesso comprovado?

 

No que diz respeito a bacalhau, sou conservador. Arrisco pouco. Desculpem-me o clichê: menos é mais. Por isso fico na minha e limito-me a cozinhar como os pais e avós. O máximo que faço é mudar um ingrediente aqui e outro acolá. Jamais comprometo a essência.

 

Esta é a minha variação pessoal da sempre louvada e imprescindível bacalhoada que meu sogro de Guaratuba prepara como ninguém. Foi minha escolha para o cardápio do dia dos pais. Não mudei quase nada: as cebolas foram fatiadas, ao invés de entrarem às metades; diminuí o tamanho das batatas, tomates e ovos. Usei a panela esmaltada ao invés do refratário. Acho que o sogrão, que infelizmente não estava à mesa, não se importaria…

 

bacalhau

Bacalhoada quase do jeito do sogro para o dia dos Pais

 

Ingredientes:

 

- 1kg de lombo de Bacalhau.

- 15 batatas bolinha.

- 2 cebolas fatiadas em rodelas.

- 20 tomates cereja cortados ao meio.

- 1 bom punhado de azeitonas pretas graúdas.

- 6 dentes de alho (com casaca mesmo).

- 2 folhas de louro.

- 12 grãos de pimenta.

- 12 ovos de codorna cozidos e descascados.

- Azeite de oliva extra virgem o quanto baste.

 

Modo de Preparo:

 

1. Dessalgue o bacalhau: corte o lombo em postas de aproximadamente 3 dedos e deixe-os de molho numa tigela com água por 48 horas. Durante este período troque a água a cada 8 horas. Escorra e reserve as postas.

2. Cozinhe as batatas bolinha (com casca) em água fervente por 20 minutos. Escorra a água e reserve as batatas.

3. Numa panela grande esmaltada (tipo Le Creuset) que possa ir ao forno: coloque as batatas, os dentes de alho, as folhas de louro e os grãos de pimenta. Acrescente os tomates cereja e as cebolas em rodela. Disponha sobre as fatias de cebola as postas de bacalhau e as azeitonas. Regue com bastante azeite.

4. Tampe a panela e leve ao forno préaquecido a 220°C por 45 minutos.

5. Ao servir, finalize acrescentado os ovos de codorna à panela.

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