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Gong Bao Ji Ding, Broto de Bambu e uma Ayi talentosa

sábado, 4 de maio de 2013

 

Em janeiro, depois de 2 anos conosco, Xiao Xü, nossa ayi, foi embora. Engravidou por descuido. Apesar de bem jovem, já tem uma menina de 10 anos e decidiu não abortar. Como a política do filho único na China é rígida, ela precisou voltar para Anhui, sua terra natal, e pagar uma multa de mais de USD 3,000 para poder ter o bebê, que, por ser o segundo filho, não terá direito a educação e saúde gratuitas. Difícil.

 

Xiao Xü foi uma bênção em nossas vidas: quieta, mas sempre de bom humor, era caprichosa, rápida e tinha muita iniciativa. Adorava as crianças e era carinhosa com eles. Gostava de conversar em Mandarim e sei que fazia isto principalmente para que praticassem a língua. Se deliciava com a comida brasileira que fazíamos, o que não é muita surpresa se levarmos em conta que ela não entendia nada de cozinha (nem gostava de cozinhar). Sua ajuda foi fundamental para nós. E se por um lado lamentamos a sua saída, festejamos com ela o nascimento do filho homem, tão valorizado pela cultura chinesa por ser  quem vai perpetuar o nome da família e sustentar os pais na velhice.

 

Então chegou a Xiao Tsú. Bem mais velha, simpática, e com seu ritmo próprio (lento). Sempre cantarolando pela casa, rindo à toa. O estereótipo da verdadeira Ayi (significa “tia” em Mandarim). Agora a comunicação é um pouco mais difícil: ela tem o sotaque carregado lá de Helongjian – norte da China. Precisamos sempre pedir que fale mais devagar para que possamos entendê-la: “màng màng de shuo, Ayi!”. Mas a adaptação foi ótima e Xiao Tsú trouxe consigo um talento que fomos descobrir só três meses após sua chegada.

 

Faz mais ou menos um mês, voltei de viagem ao meio dia e fui para casa almoçar, antes de ir para o escritório. Ao chegar, encontrei Xiao Tsú preparando seu almoço chinês: ovo batido cozido no vapor, com bastante cebola e cebolinha. A princípio a comida não me apeteceu. Mas curioso, pedi para provar: delicioso! Algo como um chawan mushi, porém muito mais leve e delicado. Elogiei a comida e puxei papo. Ela me contou que gosta muito de cozinhar, que aprendeu com o pai, mas também leu muito a respeito.

 

Para tirar a teima, resolvi  “fazer um teste”. Dei a ela RMB 100 (= R$ 34,00) e pedi que comprasse os ingredientes para o almoço de sábado. O que ela quisesse preparar… Dois dias depois, Xiao Tsú me voltou com RMB 47 de troco e serviu a melhor comida chinesa que provei desde que cheguei. Caseira, apurada, muito saborosa. Coisa séria. E olha que já fui a muitos restaurantes chineses nestes dois anos…

 

O primeiro almoço preparado por Xiao Tsú

O primeiro almoço preparado por Xiao Tsú

 

Desde então, passei a prestar atenção no modo como Xiao Tsú cozinha. Impressionante: ela tem técnica. Tão apurada quanto a que vi nos dois anos de aulas de culinária chinesa. Com estes atributos, é lógico que pretendo que ela “contribua” para o blog. Os dois primeiros pratos estão aí em baixo: Gong Bao Ji Ding – a versão verdadeira do que chamamos no Brasil de frango xadrez. E  Broto de Bambu de primavera, que está no auge da temporada aqui em Shanghai. Foram preparados especialmente para o AmuseBouche, com o ingrediente especial da Xiao Tsú: um enorme sorriso no rosto!

 

Xiao Tsú

Xiao Tsú

 

Gōng Bào Jī Dīng (宫爆鸡丁)

para 2 a 3 pessoas

 

Ingredientes:

- 500g de frango (perna desossada ou peito) cortado em cubos de aprox. 1cm.

- 1 punhado de pimentão verde em cubos de 2cm (opcional – aqui na China são menores, de casca bem mais fina e muito mais aromáticos).

- 1 ovo.

- 2 colheres de sopa de Huang Jiu (vinho de arroz chines – substitua por sake mirin, se não encontrar).

- 3 colheres de sopa de amido de milho.

- 1 colher de sopa de molho de soja (shēng chōu).

- 1 colher de café de sal.

- 2 punhados de amendoim torrado.

- Pimenta seca picada (tipo dedo de moça), a gosto.

- 3 dentes da alho picados.

- Um punhado de cebolinha picada na diagonal (foto).

- 1 colher de sobremesa bem cheia de gengibre à julienne (picado em tirinhas).

- ½ xícara de óleo de soja (eu prefiro o de canola).

- 1 colher de sopa de molho de soja envelhecido (lăo chōu) – opcional para dar cor.

- 1 colher de sopa de vinagre chinês (醋 – substitua por vinagre normal, se não encontrar).

- 1 colher de sobremesa de óleo de pimenta de Sichuan (花椒油 – opcional).

 

Modo de Preparo:

1. Numa tigela, misture bem o frango, o ovo, o Huang Jiu, o amido de milho, o shēng chōu e o sal. Deixe descansar por cerca de 10 minutos.
2. Aqueça bem um Guō zi em fogo bem alto. Junte o óleo de soja (ou canola), espere aquecer e refogue rapidamente o alho, a pimenta seca e o gengibre.

3. Junte o frango e frite, mexendo sempre, até que esteja cozido e pegue cor.

4. Acrescente o amendoim, o pimentão verde (opcional), o lăo chōu, o vinagre e o óleo de pimenta de Sichuan. Misture bem e sirva imediatamente.

 

Gong Bao Ji Ding

Gong Bao Ji Ding

 

 

Broto de Bambu de Primavera* (春天的笋)

para 2 a 3 pessoas

* na primavera os brotos de bamboo são mas tenros e compridos, ao contrário do inverno onde os brotos são mais grossos e de sabor um pouco mais forte.

 

Broto de Bambú: na primavera são mais tenros e finos

Broto de Bambu: na primavera são mais tenros e finos

 

Ingredientes:

- 600g de broto de bambu de primavera.

- 3 colheres de sopa de óleo de soja (eu prefiro canola).

- 1 colher de sopa de alho picado.

- 1 colher de sobremesa de gengibre picado.

- Caldo de galinha, o quanto baste para cobrir o broto de bambu.

- 1 colher de sopa de molho de soja (shēng chōu).

- 1 pitada de açúcar.

- Sal a gosto.

- Cebolinha picada para enfeitar.

 

Modo de Preparo:

1. Limpe os brotos de bambu raspando a parte externa com uma faca, conforme as fotos:

 

Antes

Antes

 

Depois de limpo

Depois de limpo

 

 

2. Corte no estilo Gŭn Dāo Kùai:

 

corte Gun Dao Kuai

corte Gun Dao Kuai

 

3. Coloque em um Guō zi, cubra com água fria, leve ao fogo e ferva por 10 minutos.

 

4. Escorra, coloque em uma tigela e cubra com água fria. Aguarde 5 minutos, escorra e reserve.

 

 

5. Leve um Guō zi ao fogo alto, aqueça bem. Acrescente o óleo o alho e o gengibre e refogue rapidamente.

 

6. Acrescente o broto de bambu, refogue por um minuto e junte caldo de galinha o suficiente para cobrir o broto de bambu. Quando levantar fervura, abaixe o fogo e acrescente o shēng chōu e o açúcar. Misture e deixe o Guō zi semitampado.

 

7. Quando metade do caldo evaporar, acerte o sal e sirva, salpicando a cebolinha por cima do prato.

 

Broto de Bambu refogado

Broto de Bambu refogado

 

Mania

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sabe aquelas épocas em que se tem fixação por um determinado tipo de comida? Acho que todo guloso passa por isso. Meu pai é assim. Teve a fase do mingau e do ovo quente no café da manhã, numa receita que ele mesmo inventou e que hoje preparo para o Lucas quase todos os sábados. Das balas de leite da Köpenhagen (fase boa). Da língua de boi defumada ao molho madeira. E do Toucinho do Céu, para citar apenas algumas. Agora está na fase dos bolos e pães feitos em casa (fase melhor ainda!)

 

Sou igual a meu pai. Mas não vou tegiversar sobre as fases culinárias por que passei. Quero apenas dizer que  o prato da hora é o Spaghetti alle Vongole. Estar em Shanghai contribui: aqui encontro facilmente mariscos frescos e de boa qualidade. Uma pena que a Gabi e as crianças não gostem… Aproveitei os quase três meses em que estiveram no Brasil durante as férias de verão para testar e comer todo vongole a que tinha direito. Primeiro, fui a 3 ou 4 mercados da cidade até achar aquele que vendia os mais frescos e graúdos. Depois, pesquisei e experimentei diversas receitas: de “cellebrity chefs” até velhos livros, passando também por filminhos do Youtube, aplicativos culinários do Ipad e afins.

 

Uma idéia daqui, um toque de lá e cheguei ao meu jeito preferido. Nada de inovador ou diferente. Nenhum ingrediente heterodoxo, nem combinações esquisitas. Spaghetti alle Vongle tem que ser “zero fusion”. Busquei apenas encontrar a maneira que mais gosto de combinar ingredientes tradicionais e entender bem o “tempo de panela” de cada um deles. Aliás, só decidi dividir por aqui a título de registro e antes que eu me esqueça. Gabi e a crianças acabam de voltar… Contentar-me-ei em comer Spaghetti alle Vongolle nos restaurantes. E as chances da cozinha ser visitada por algo do mar que não seja peixe ou camarão serão nulas! Melhor procurar uma outra mania.

 

 

 

Spaghetti alle Vongole, do meu jeito.

(ingredientes para 1 pessoa)

 

Ingredientes:

 

-15 vongole bem frescos e graúdos.

-200g de spaghetti grano duro.

-6 tomates cereja lavados e cortados em quartos.

-2 dentes de alho laminados.

-3 colheres de sopa de azeite extra virgem (ou mais, se precisar).

-1 punhado de salsinha bem picada.

-50ml de vinho branco seco.

-1 pitada de pimenta calabresa (opcional)

-Um pouco de pão italiano torrado e esmigalhado para polvilhar (opcional).

-Sal e pimenta do reino a gosto.

 

Modo de Preparo:

 

1. Deixe os vongole de molho em água fria por cerca de 2 horas e depois limpe bem as conchas e escorra a água.

2. Torre uma fatia de pão italiano (opcional) e quando esfriar, esmigalhe-o. Reserve.

3. Numa panela grande (eu prefiro a esmaltada) aqueça o azeite e o alho em lascas, tomando cuidado para não queimar. Quando o alho começar a dourar, acrescente os vongole e refogue. Acrescente o vinho branco, tampe a panela e diminua o fogo.

4. Quando os vongole estiverem abertos e cozidos e boa parte do vinho evaporar, acrescente o tomate e a salsinha, misture, apague o fogo e tampe a panela (descarte neste momento qualquer concha que não estiver aberta).

5. Cozinhe o Spaghetti 1 minuto a menos do que indicado na embalagem (se a embalagem instrui cozinhar 10min, cozinhe apenas 9min).

6. Acrescente o Spaghetti cozido e bem quente à panela com os vongole, reacenda o fogo e misture por cerca de 30-40 segundos. Acerte o sal, a pimenta e se necessário, acrescente mais um fio de azeite.

7. Sirva imediatamente, salpicando a pimenta calabresa (ou pepperoncini picado) e as migalhas de pão torrado (opcional).

 

Dica 1: a grande dificuldade deste prato é combinar o tempo de cozimento do Spaghetti com o tempo de cozimento dos vongole e seu molho. Eu particularmente gosto dos vongole bem cozidos, por isso preparo o molho um pouco antes de cozinhar o Spaghetti. E como utilizo uma panela grossa esmaltada para cozinhar o molho, o calor se conserva bem. Caso goste dos vongole um pouco menos cozidos, prepare o molho assim que começar a cozinhar o Spaghetti. E utilize fogo bem forte para cozinhar o molho. Cuidado para o Spaghetti não cozinhar demais, neste caso.

Dica 2: Se optar por salpicar as migalhas de pão, prepare com alguns minutos de antecedência e esmigalhe as torradas apenas quando estiverem bem frias, para não perder a crocância.

Dica 3: Se, ao misturar o Spaghetti ao molho, o prato ficar “seco”, acrescente um pouquinho da água do macarrão.

Férias & Fotos

terça-feira, 6 de março de 2012

Eu enrolei muito para escrever este post. Posterguei o máximo possível. Primeiro porque acho que este negócio de contar sobre férias é coisa de escola primária, quando “Tia Teteca” mandava fazer uma redação no primeiro dia de aula. Só para poder ficar a toa até a hora do recreio, enquanto os alunos escreviam, escreviam, escreviam. Depois porque apesar de curtir muito quando os blogs alheios contam sobre suas viagens (são excelentes fontes de dicas), quando chega a minha vez eu fico meio envergonhado, acho um pouco pernóstico sair dizendo por aí que fui para aqui ou para acolá. Dá uma certa sensação esnobe, salto alto. Por último, o tema foge um pouco da proposta inicial do AmuseBouche, que é falar de comida e correlatos.

Mas como as crianças queriam ver a nossa viagem do começo do ano publicada no blog, não tive saida. Portanto aí vão algumas fotos de nossa semana em Pesey-Vallandy. E, para não fugir (muito) à regra, vai de quebra uma receita típica do local. Desenhada porque, apesar de muito gostoso (e calórico!), o prato é praticamente “infotografável”.

Vista do nosso quarto no hotel…

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… que ficava bem próximo à entrada das pistas de esqui (só vestir a parafernália toda e andar uns 100m até o teleférico). Sim, eu apanhei pra caramba para esquiar (meeedo de arrebentar o joelho novamente!). E até agora não me conformo da molecadinha menor de 10 anos manejar esquis e snowboards muito melhor do que nós marmanjos!

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Do outro lado do vale, panorama das vilas de Pesey e Vallandry.

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Nos quatro últimos dias, volume de neve fora do normal…

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O que deixou as pistas em condições maravilhosas: neve virgem todas as manhãs!

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Nougat…

nougat

… e doces de uma patisserie em Vallandry:

patisserie

Tricobel: paraíso onde nos abastecemos…

tricobel
… de charcuterie de primeira…

charcuterie

… e de muito Reblochon (um de meus preferidos)…

fromages

... ingrediente indispensável da Tartiflette:

la-tartiflette

Redondas

sábado, 19 de março de 2011

 

Nem tudo são crisântemos, fogos e lanternas vermelhas aqui no país do meio. Agente passa apertos também. Enfrenta a burocracia, os problemas de comunicação e as diferenças de mentalidade.  E sente saudades. De gente, lugares e sabores. Aqui não tem bacalhau, as frutas, sucos e vegetais do Brasil… E também não tem pizzas como as da Basílica! Isto transforma-se num belo problema para uma carioca que viveu os últimos 16 em São Paulo e tem dois filhos paulistanos. Invariavelmente, todo domingo, vem aquela vontade de pizza. E a pergunta: onde vamos comer?

 

Já percorremos boa parte da cidade em busca de uma redonda decente: Da Marco, The Kitchen Salvatore Cuomo, Papa John’s, Med Thyme, Peng You’s, Va Bene ,  a  Côté, Aqua… até Pizza Hut passou pelo crivo! Algumas são aceitáveis, outras sofríveis, nenhuma excepcional. Então semana retrasada entreguei os pontos e achei que melhor alternativa seria fazer as pizzas eu mesmo.

 

Já publiquei por aqui uma pizza de frigideira, que é uma das mais acessadas do blog. Mas não era exatamente este tipo que queríamos. Revirei os livros e a web em busca de uma receita mais “autêntica” e que aparentemente funcionasse. Acabei fazendo algumas adaptações nesta aqui. Basicamente ajustei alguns ingredientes segundo o bom senso e acrescentei um pouco de açúcar à massa, para uma fermentação um pouco mais rápida. O resultado foi excelente.

 

Comprei também uma pedra de assar que foi fundamental ao processo.  Sem ela creio que o forno não chegaria a uma temperatura alta o suficiente para deixar massa com a textura e crocância necessárias. Recheios e molho como de costume. A pedidos da molecada, inventei uma pizza doce com o que tinha na geladeira: Framboesa com Cream Cheese. E assim o endereço da melhor pizzaria de Shanghai passou a ser: 1 Xiu Yan Lu #129 – aqui em casa!

 

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Massa de Pizza (adaptado de fornobravo.com)

 

Ingredientes:

 

- 6 xícaras de Farinha de trigo.

- 3 colheres de chá de sal.

- 1 colher de chá de açúcar.

- 2 colheres de chá de fermento biológico seco.

- 400ml de água morna.

 

Modo de Preparo:

 

1. Dissolver o fermento e o açúcar na

2. Numa tigela grande misturar a farinha e o sal. Acrescentar a água morna.

3. Misturar e sovar por cerca de 5 a 10 minutos, até que a massa esteja lisa.

4. Descansar a massa por 15 minutos. Sovar novamente por mais 5 minutos. Voltar a massa para a tigela, limpa e enfarinhada. Cobrir com um pano úmido e deixar crescer por cerca de 1 hora.

5. Dividir a massa em 4 partes, abrir os discos e recheá-los.

6. Assar em forno muito quente.

Rende 4 discos de pizza.

 

Recheio de Pizza doce – Framboesa e Cream Cheese: misturar 2 colheradas de geléia de framboesa com um pouco de Cointreau, a fim de obter uma consistência mais líquida. Espalhar sobre o disco de pizza e acrescentar colheradas de cream cheese. Assar em forno muito quente.

 

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Em tempo: facilita muito a manipulação usar uma grade ou suporte redondo como o da foto abaixo. Comprei 2, no mesmo lugar onde adquiri a pedra de assar. Neste caso, basta abrir a massa e colocá-la no suporte antes de rechear a pizza.

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Xiaolongbao 2: Feioso mas Gostoso

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

 

Um dos lados bons de se manter um blog são as informações e experiências que trocamos com os leitores. Após a publicação deste post o Marcos deixou um comentário sobre o que ele considera “melhor xiaolongbao de Shanghai”. E é lógico que fui conferir.

 

loushi

 

O lugar chama-se “Lòu Shì”  (algo como “The Ugly Room”) e fica em Puxi na Nanchang Lu (entre Shaanxi Nan Lu e Xiangyang Lu). É extremamente pequeno, muito simples e a aparência geral, confesso, faz jus ao nome. Uma parte da minúscula cozinha fica nos fundos do restaurante e a outra, onde os “xiaolongbaos” são cozidos fica na rua mesmo, como é comum em algumas ruas da cidade. Considerei a fila na porta um bom sinal e convenci meu colega chinês a experimentar comigo a comida.

 

Sim, os “xiaolongbaos” são muito gostosos, boa massa, caldo muito rico e abundante. Provamos os de camarão (Xia Rén Tāng Bāo), de caranguejo (Xiè Fēn Tāng Bāo) e a especialidade da casa (Ugly Room Soup Bao – Lòu Shì Tāng Bāo) sendo que gostei mais destes últimos. O preço? Pechincha: cada 8 unidades saem por RMB 6,00 (sim, senhoras e senhores, cerca de R$ 1,50!). Mas a grande descoberta foi o lámiàn. Ou melhor, o caldo em que o lámiàn é servido. Pedi o “Beef offal noodle” (Niú Zà Miàn) mais pela aventura de comer algo exótico do que por fome. E foi uma excelente surpresa. Um caldo reconfortante, de sabor marcante, complexo e nada pesado. Nenhuma correlação com o cheiro forte da dobradinha e outros miúdos. Realmente delicioso.

 

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Para os curiosos que passarem por Shanghai e quiserem experimentar o “Lòu Shì”, exercitei meu lado “escoteiro-mirim”: tive a pachorra de fotografar e pedir para traduzir o cardápio. Vejam que fiz questão de manter ao lado (esquerda) a plaquinha de avaliação da vigilância sanitária chinesa. A higiene do restaurante foi classificada como “regular”. A boa notícia é que sobrevivi, de barriga cheia, feliz e aquecida, num dos dias mais frios até agora em Shanghai!

 

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Lào Shì “restaurant”

Nanchang Lu no. 601 (entre Shaanxi Nan Lu e Xiangyang Lu)

Puxi – Shanghai – PRC

 

Entendendo a Cozinha Chinesa 1.01

sábado, 23 de outubro de 2010

 

Decifrar os segredos da cozinha chinesa é muito fácil. Como diziam os antigos, não requer prática nem habilidade… Comecemos pelos famosos Dim Sum:  na verdade, Dim Sum é como nós ocidentais  chamamos aquele monte de comidinhas orientais, servidas em pequenas porções, podendo ser doces ou salgadas, quentes ou frias, com ou sem molho, fritos, cozidos (no vapor, em água, ou em caldo), assados ou crus.

 Experimente chegar a qualquer restaurante aqui na China e pedir Dim Sum. Primeiro, a garçonete vai lhe olhar intrigada.  Depois, vai rir de lado. Talvez consulte uma colega ou duas. Não chegarão a conclusão alguma. Então você perceberá que ela não entendeu nada. Ou melhor, quem não entendeu nada mesmo foi você. Porque Dim Sum é palavra que nós inventamos. Para os chineses, cada uma destas iguarias tem uma receita diferente, nome específico, detalhado e às vezes até poético. Não dá para generalizar.

Tomemos como exemplo os xiăo lóng bāo e os jiăo zì – que são um tipo de pastelzinho recheado – algo próximo aos guiozás que comemos no Brasil. A gente acha que é tudo a mesma coisa… Mas na verdade os xiăo lóng bāo (que significa pequeno pãozinho no vapor) são sempre redondos, com a aparência de trouxinhas, preparados no vapor, com uma infinidade de recheios diferentes. Os mais gostosos, quando prontos, são suculentos e têm muito caldo (soup) no recheio. Deve-se molharr o xiăo lóng bāo no vinagre de malte misturado com fiapos finíssimos de gengibre fresco (parecido com o que se faz com sushi e sashimi).

Já os jiăo zì (que significa mais ou menos “comida fechada por massa”) têm obrigatoriamente o formato de lua crescente. Por isso são muito consumidos por aqui durante o Moon Festival, para dar sorte. Se preparados no vapor, chamam-se zhāng jiăo zì. Se fritos, são jiān jiăo zì. E quando cozidos em água são conhecidos por shuĕi jiăo zì, pois “shuĕi” em mandarim quer dizer “água”. Tome cuidado e nunca peça “shuèi jiào” pois estará mandando a garçonete ir dormir. Tampouco diga “jiăo shùei”, a menos que queira saber se ela paga os impostos em dia…

Simples não é mesmo? Entendeu?!? Ou quer que eu desenhe?

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Amuse Bouche de janeiro

sábado, 30 de janeiro de 2010

 

Bem, na verdade é um amuse bouche do começo de dezembro…só que não houve tempo para publicar.

Super fácil: prepare um molho com 1 colher de sobremesa de missô, 2 colheres de café de limão (pode ser um pouco mais, se quiser) e 3 gotinhas de óleo de gergelim torrado. Tire o cabo de uma mini berinjela e corte-a ao meio no sentido longitudinal. Pincele o molho sobre a berinjela e leve para assar lentamente no forninho elétrico, com as cascas viradas para baixo. Quando as metades estiverem douradas arrume-as sobre um prato, salpique algumas sementes de gergelim preto e enfeite com umas flores de manjericão. E já que a influência é oriental, é boa idéia servir com hashis (os palitinhos)

 

berinjela

Importante: escolher mini berinjelas frescas e de qualidade, que tenham a casca não muito grossa.

Amuse Bouche de novembro: pontas de aspargos no pires com brie fondant e mel silvestre

sábado, 28 de novembro de 2009

 

Nesta época do ano, aqui em São Paulo, aparecem aspargos por todos os lados. Bom motivo para um Amuse Bouche. A idéia deste mês é muito simples, não dá pra chamar de receita, apesar do título comprido do post. Preenchi a parte redonda de um pires (onde se “encaixa” a xícara) com mel silvestre. Coloquei uma ponta de aspargo que foi previamente branqueada por 1 minuto em água fervente. Por cima um naco de queijo brie. Em seguida, levei tudo ao forno bem quente, por uns poucos minutos. Apenas o suficiente para o queijo começar a derreter. Muito fácil. Muito gostoso.

 

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Facsimile

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A idéia foi descaradamente roubada do Gardênia Café. Foi lá que comi um Risotto de Calabresa com Coulis de Rúcula, muito gostoso. Tentei repetir a receita em casa, trocando a calabresa por salame italiano. Deduzi que um coulis de rúcula se faz usando caldo de legumes e um pouco de vinho branco. E usei o instinto para definir as quantidades de cada ingrediente. Ficou muito bom e casou perfeitamente com o vinho daquela noite, um Masseria Trajone 2007, que é um Nero D’Avola siciliano de bom corpo e custo benefício muito interessante, importado pela Vinci.

 

risottosalame

Risotto de Salame Italiano com Coulis de Rúcula

 

Ingredientes (para 2 pessoas):

 

Para o coulis de rúcula:

- 2 colheres de sopa de caldo de legumes.

- 2 colheres de sopa de vinho branco seco.

- 1 punhadinho de rúcula.

 

Para o Risotto:

- 200g de Arroz Arboreo.

- 3 colheres de sopa de azeite de oliva.

- 1 colher de sopa de cebola bem picadinha.

- 1 dente de alho picado.

- 4 colheres de sopa de salame tipo italiano picado em cubinhos de cerca de 0,5cm.

- 4 colheres de sopa de coulis de rúcula.

- 150ml de vinho branco seco.

- Caldo de legumes, o quanto baste (aproximadamente uns 600ml).

- 1 colher de sopa de manteiga.

- 1 colher de sopa de queijo tipo parmiggiano ralado.

- Algumas folhas de rúcula para enfeitar.

 

Modo de Preparo:

 

1. Faça o coulis de rúcula: bata no liquidificador ou processador a rúcula com o caldo de legumes e o vinho branco seco.

2. Numa panela, refogue no azeite de oliva a cebola e o alho, até que fiquem macios, tamando cuidado para não queimar.

3. Acrescente o arroz e misture por uns 2 minutos até que esteja bem “envolvido” pelo azeite.

4. Acrescente o vinho branco e mexa até que o álcool evapore e o arroz absorva o vinho

5. Acrescente o caldo de legumes quente, pouco a pouco (uns 100ml de cada vez), sempre misturando bem, até que o arroz fique al dente. 

6. Acrescente o salame picado e 4 colheres de sopa do coulis de rúcula, misturando por cerca de 1 minuto.

7. Desligue o fogo e acrescente a manteiga e o queijo, mexendo bem até que a manteiga derreta. Sirva imediatamente.

Sobrou coulis de rúcula? Use-o para enfeitar o prato.

Petulância

terça-feira, 25 de agosto de 2009

 

Não é novidade que sou fã do “Paladar” do Estadão. Gosto do valor que o jornal dá a comer e beber bem, das boas idéias, dos artigos do Luiz Horta e do Luiz Américo, da criatividade em explorar velhos ingredientes de uma nova maneira. Como na última quinta feira, quando o caderno apresentou uma matéria muito interessante : foram dez receitas bem originais, todas criadas por chefs renomados, usando o bem conhecido atum enlatado. E como “brinde” veio também um método caseiro para produzir a conserva. 

 

Tudo isto me lembrou uma receita do tempo de recém casado. Não muito original, porém barata e prática. Ideal para casalzinho com orçamento apertado. Boa também para os dias de calor, pois consiste em misturar macarrão cozido a um “molho” de atum em lata frio. Desculpem a petulância, mas é tão gostosa quanto as outras dez do Estadão.

 

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Serpentini com Atum

 

Ingredientes (para 2 pessoas):

 

- 2 tomates tipo italiano bem maduros, sem semente, picados em cubinhos.

- ½ pimenta dedo de moça, sem sementes, bem picadinha (opcional).

- 1 dente de alho branqueado* picado.

- Um punhado de salsa fresca picada.

- 1 lata de atum em água, escorrido.

- Acceto balsâmico a gosto (eu coloco aproximadamente 1 colher de sopa).

- Aproximadamente 4 colheres de sopa de azeite de oliva.

- Sal a gosto.

- Pimenta do reino a gosto.

- 300g de serpentini de grano duro (ou fusili, ou qualquer outra massa curta disponível).

 

* deixe o dente de alho, com casca, em água fervente por uns 2 minutos. Descasque e utilize. Isto irá suavizar um pouco o gosto forte do alho.

 

Modo de preparo:

 

1. Numa tigela, misture todos os ingredientes, exceto a massa. Deixe marinando enquanto cozinha a massa.

2. Cozinhe a massa al dente, conforme as instruções da embalagem. Escorra e misture ao molho. Sirva imediatamente.

Amuse Bouche - Conteúdo alimentado por Rogério Moraes
Design; OPORTO design integrado