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Arquivo da Categoria ‘Negócios da China!’

A propósito…

sábado, 27 de julho de 2013

Hoje me dei conta de que ontem foi dia 26 de julho. Nem parece que já faz 3 anos que chegamos aqui. Sensações e emoções daqueles primeiros meses ficarão indelevelmente marcadas: surpresa, furstração, saudade, raiva, medo, confusão, impotência… 3 anos depois são coisa do passado. Agora viraram superação, maturidade, experiência e expectativa. O Brasil se torna mais “terra natal”  e menos “minha casa”. A China é cada vez mais este lugar intrigante que nos acolhe neste momento e oferece grandes oportunidades. É cada vez menos o monstro indecifrável que engole a todos. É o lugar onde Deus no colocou neste momento, onde tínhamos de estar. Para dar, mais do que receber e aprender, mais do que ensinar. Eu poderia discorrer sobre este período por páginas e páginas. Mas há um amigo veterano – 8 anos por aqui – que diz: “você chega na China e logo após o primeiro mês já quer escrever um livro; após o primeiro ano quer escrever só uma crônica; após 2 anos não quer escrever nem uma frase…” Respeito a sabedoria dos veteranos. Fico com algumas lnhas apenas.

 

Zhouzhuang

Barqueiros nos canais de Zhouzhuang

Gong Bao Ji Ding, Broto de Bambu e uma Ayi talentosa

sábado, 4 de maio de 2013

 

Em janeiro, depois de 2 anos conosco, Xiao Xü, nossa ayi, foi embora. Engravidou por descuido. Apesar de bem jovem, já tem uma menina de 10 anos e decidiu não abortar. Como a política do filho único na China é rígida, ela precisou voltar para Anhui, sua terra natal, e pagar uma multa de mais de USD 3,000 para poder ter o bebê, que, por ser o segundo filho, não terá direito a educação e saúde gratuitas. Difícil.

 

Xiao Xü foi uma bênção em nossas vidas: quieta, mas sempre de bom humor, era caprichosa, rápida e tinha muita iniciativa. Adorava as crianças e era carinhosa com eles. Gostava de conversar em Mandarim e sei que fazia isto principalmente para que praticassem a língua. Se deliciava com a comida brasileira que fazíamos, o que não é muita surpresa se levarmos em conta que ela não entendia nada de cozinha (nem gostava de cozinhar). Sua ajuda foi fundamental para nós. E se por um lado lamentamos a sua saída, festejamos com ela o nascimento do filho homem, tão valorizado pela cultura chinesa por ser  quem vai perpetuar o nome da família e sustentar os pais na velhice.

 

Então chegou a Xiao Tsú. Bem mais velha, simpática, e com seu ritmo próprio (lento). Sempre cantarolando pela casa, rindo à toa. O estereótipo da verdadeira Ayi (significa “tia” em Mandarim). Agora a comunicação é um pouco mais difícil: ela tem o sotaque carregado lá de Helongjian – norte da China. Precisamos sempre pedir que fale mais devagar para que possamos entendê-la: “màng màng de shuo, Ayi!”. Mas a adaptação foi ótima e Xiao Tsú trouxe consigo um talento que fomos descobrir só três meses após sua chegada.

 

Faz mais ou menos um mês, voltei de viagem ao meio dia e fui para casa almoçar, antes de ir para o escritório. Ao chegar, encontrei Xiao Tsú preparando seu almoço chinês: ovo batido cozido no vapor, com bastante cebola e cebolinha. A princípio a comida não me apeteceu. Mas curioso, pedi para provar: delicioso! Algo como um chawan mushi, porém muito mais leve e delicado. Elogiei a comida e puxei papo. Ela me contou que gosta muito de cozinhar, que aprendeu com o pai, mas também leu muito a respeito.

 

Para tirar a teima, resolvi  “fazer um teste”. Dei a ela RMB 100 (= R$ 34,00) e pedi que comprasse os ingredientes para o almoço de sábado. O que ela quisesse preparar… Dois dias depois, Xiao Tsú me voltou com RMB 47 de troco e serviu a melhor comida chinesa que provei desde que cheguei. Caseira, apurada, muito saborosa. Coisa séria. E olha que já fui a muitos restaurantes chineses nestes dois anos…

 

O primeiro almoço preparado por Xiao Tsú

O primeiro almoço preparado por Xiao Tsú

 

Desde então, passei a prestar atenção no modo como Xiao Tsú cozinha. Impressionante: ela tem técnica. Tão apurada quanto a que vi nos dois anos de aulas de culinária chinesa. Com estes atributos, é lógico que pretendo que ela “contribua” para o blog. Os dois primeiros pratos estão aí em baixo: Gong Bao Ji Ding – a versão verdadeira do que chamamos no Brasil de frango xadrez. E  Broto de Bambu de primavera, que está no auge da temporada aqui em Shanghai. Foram preparados especialmente para o AmuseBouche, com o ingrediente especial da Xiao Tsú: um enorme sorriso no rosto!

 

Xiao Tsú

Xiao Tsú

 

Gōng Bào Jī Dīng (宫爆鸡丁)

para 2 a 3 pessoas

 

Ingredientes:

- 500g de frango (perna desossada ou peito) cortado em cubos de aprox. 1cm.

- 1 punhado de pimentão verde em cubos de 2cm (opcional – aqui na China são menores, de casca bem mais fina e muito mais aromáticos).

- 1 ovo.

- 2 colheres de sopa de Huang Jiu (vinho de arroz chines – substitua por sake mirin, se não encontrar).

- 3 colheres de sopa de amido de milho.

- 1 colher de sopa de molho de soja (shēng chōu).

- 1 colher de café de sal.

- 2 punhados de amendoim torrado.

- Pimenta seca picada (tipo dedo de moça), a gosto.

- 3 dentes da alho picados.

- Um punhado de cebolinha picada na diagonal (foto).

- 1 colher de sobremesa bem cheia de gengibre à julienne (picado em tirinhas).

- ½ xícara de óleo de soja (eu prefiro o de canola).

- 1 colher de sopa de molho de soja envelhecido (lăo chōu) – opcional para dar cor.

- 1 colher de sopa de vinagre chinês (醋 – substitua por vinagre normal, se não encontrar).

- 1 colher de sobremesa de óleo de pimenta de Sichuan (花椒油 – opcional).

 

Modo de Preparo:

1. Numa tigela, misture bem o frango, o ovo, o Huang Jiu, o amido de milho, o shēng chōu e o sal. Deixe descansar por cerca de 10 minutos.
2. Aqueça bem um Guō zi em fogo bem alto. Junte o óleo de soja (ou canola), espere aquecer e refogue rapidamente o alho, a pimenta seca e o gengibre.

3. Junte o frango e frite, mexendo sempre, até que esteja cozido e pegue cor.

4. Acrescente o amendoim, o pimentão verde (opcional), o lăo chōu, o vinagre e o óleo de pimenta de Sichuan. Misture bem e sirva imediatamente.

 

Gong Bao Ji Ding

Gong Bao Ji Ding

 

 

Broto de Bambu de Primavera* (春天的笋)

para 2 a 3 pessoas

* na primavera os brotos de bamboo são mas tenros e compridos, ao contrário do inverno onde os brotos são mais grossos e de sabor um pouco mais forte.

 

Broto de Bambú: na primavera são mais tenros e finos

Broto de Bambu: na primavera são mais tenros e finos

 

Ingredientes:

- 600g de broto de bambu de primavera.

- 3 colheres de sopa de óleo de soja (eu prefiro canola).

- 1 colher de sopa de alho picado.

- 1 colher de sobremesa de gengibre picado.

- Caldo de galinha, o quanto baste para cobrir o broto de bambu.

- 1 colher de sopa de molho de soja (shēng chōu).

- 1 pitada de açúcar.

- Sal a gosto.

- Cebolinha picada para enfeitar.

 

Modo de Preparo:

1. Limpe os brotos de bambu raspando a parte externa com uma faca, conforme as fotos:

 

Antes

Antes

 

Depois de limpo

Depois de limpo

 

 

2. Corte no estilo Gŭn Dāo Kùai:

 

corte Gun Dao Kuai

corte Gun Dao Kuai

 

3. Coloque em um Guō zi, cubra com água fria, leve ao fogo e ferva por 10 minutos.

 

4. Escorra, coloque em uma tigela e cubra com água fria. Aguarde 5 minutos, escorra e reserve.

 

 

5. Leve um Guō zi ao fogo alto, aqueça bem. Acrescente o óleo o alho e o gengibre e refogue rapidamente.

 

6. Acrescente o broto de bambu, refogue por um minuto e junte caldo de galinha o suficiente para cobrir o broto de bambu. Quando levantar fervura, abaixe o fogo e acrescente o shēng chōu e o açúcar. Misture e deixe o Guō zi semitampado.

 

7. Quando metade do caldo evaporar, acerte o sal e sirva, salpicando a cebolinha por cima do prato.

 

Broto de Bambu refogado

Broto de Bambu refogado

 

Como Fazer Bitter Artesanal – agora é moda?!

domingo, 7 de abril de 2013

 

Não sei se a moda já chegou no Brasil, mas a nova mania entre os blogueiros deste lado do hemisfério é preparar em casa os seus próprios “Bitters”. É uma ótima maneira de incrementar e dar um toque exclusivo a Old Fashioneds, Negronis, Metropolitans e afins. Há também quem aproveite em bolos, sobremesas e até saladas.

 

Já contei por aqui que não sou propenso a testar modinhas culinárias. Não embarquei na cozinha molecular, nem no thermomix. Tampouco na cocção à baixa temperatura, no sorvete de keffir, na neura do “ovo perfeito” e no caramelo salgado – apesar de adorar este último. Na verdade, fujo de modismos e detesto seguir tendências. Exceção feita, sem arrependimentos, ao Levain caseiro.

 

Acontece que desde que mudamos para a China passei a preparar mais drinks em casa. Comecei a explorar os coquetéis mais tradicionais (de novo, nada de modismos!), meus preferidos. Ter à mão o meu próprio bitter pareceu-me boa ideia, uma ótima maneira de diferenciar. Considerando que estou em Shanghai, optei por especiarias que insinuassem algo do aroma da comida local: anis estrelado, canela e gengibre – bem shanghaineses. Para dar bossa, um ramo de alecrim do jardim (este não é chinês…) e na falta de ervas específicas (genciana, por exemplo) as cascas de limão e laranja trouxeram amargor e muito perfume.

 

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Após duas semanas de maturação, o bitter artesanal estava pronto. Testei na semana passada em alguns drinks. Ficou ótimo no Negroni e no Manhattan também. Entretanto não funcionou com o Dry Martini, que, entre tudo que já foi inventado por detrás de um balcão de bar, é o meu preferido (vou continuar fazendo-o como antes, da maneira “quase clássica”). Os amigos adoraram, pediram amostras e disseram que eu deveria rotular a garrafinha e dar um nome à bebida. Não me fiz de rogado: desenhei um rótulo e batizei o bitter de “Mr. Luó”, que é nada mais, nada menos do que meu nome chinês. E ainda tive a pachorra de fotografar. Maluquices de marqueteiro após dois Negronis na cabeça…

 

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Bitter Artesanal – Minha receita (“Mr. Luó”)

 

Ingredientes:

 

-Casca de 1 limão sciciliano (com a parte branca, para dar amargor).

-Casca de 1 laranja bem madura (com a parte branca para dar amargor).

-5 cravos da Índia.

-1 pau de canela.

-3 anis estrelado (colocar menos se preferir um sabor menos pronunciado).

-1/2 noz moscada.

-Zimbro: 5 unidades.

-1 ramo de alecrim.

-2 fatias de gengibre.

-1 colher de sopa bem cheia de mel.

-Vodka o quanto baste.

 

Modo de preparo:

 

1.Coloque todos os ingredientes em um vidro de compota. Complete com a Vodka e feche hermeticamente.

2.Deixe macerar por no mínimo 2 semanas, sacudindo o vidro uma vez por dia.

3.Após o período de maceração, coe e engarrafe.

 

Chinese Stuff, ou melhor: Chinese is Tough – O melhor da minha coleção de Chinglish

domingo, 20 de janeiro de 2013

 

Todo estrangeiro que chega à China logo se engraça pelo “Chinglish”: as traduções ao pé da letra do Mandarim para o Inglês. São expressões esquisitas, confusas, engraçadas e de duplo sentido que são vistas por toda a cidade, principalmente nos lugares públicos. Quem é curioso como eu, vai mais longe e decide colecionar estas pérolas que, com a modernização da China, são cada vez mais raras.

 

Minha coleção já conta com um acervo considerável. Tanto que já posso começar a compartilhar por aqui. O “exemplar” abaixo foi o primeiro que colhi, na pia do banheiro masculino do Mercado de Pérolas da Hong Mei Lu.

 

Quem decifrar o significado do aviso abaixo, ganha um livro sobre culinária chinesa. Basta responder nos comentários do post. A “promoção” é válida para a primeira resposta certa que for postada.

 

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Legítimo – 真的上海人!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

 

O restaurante é shangainês, os donos são shanghaineses, os funcionários também são shanghaineses. Ninguém fala Inglês. O lugar, modesto, fica na Former French Concession, num espaço minúsculo: apenas 6 mesas, 24 lugares. Mas… Este restaurante tão típico difere da maioria dos restaurantes típicos chineses: as cadeiras são limpas, as mesas são limpas, o chão é limpo. A louça é limpa, os kuài zi são limpos, há  guardanapos à vontade. Até o banheiro é limpo! Ao entrar, ouve-se uma música chinesa diferente: “é ópera ao estilo de Suzhou”- me explicou a atendente- “mais tranquila, suave e redonda do que a ópera de Beijing!”

 

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O cardápio, bilíngue, traz pratos da culinária de Shanghai. Comida caseira, basicamente. Muito bem feita, correta, gostosa. Se for marinheiro de primeira viagem, vá de “Braised Pork in Shanghai Grandma Recipe” e “Noodles with Peanut Butter Sauce”. Peça também um tigela e arroz e algum vegetal da estação. Se estiver frio, beba um “Jin” (斤=500ml) de “Huā Diāo Huáng Jiŭ”(花雕黄酒) – o “vinho” chinês de arroz. De preferência, quente.

 

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Quando voltar (você provavelmente vai querer…) vá se aventurando pelos demais pratos do restaurante. Com duas ou três visitas você já pode se gabar de conhecer a verdadeira comida caseira de local!

 

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Jian Guo 328 ( 328)

Jian Guo Xi Lu, nr. 328

Former French Concession – Shanghai – PRC

Fone: (+86 21) 6471 3819

中国 -上海市 建国西路 328号

Atrasado…

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

 

Com dois dias de atraso, devido a um probleminha com o servidor do AmuseBouche, enviamos a todos estes Moon Cakes virtuais. Virtuais porque os verdadeiros, feitos por nós mesmos, foram de presente  para o Tang e a Xiao Xue que nos aturam há dois anos…

 

 

Desejando um feliz Mid-Autum Festival! 中秋节快乐!!!!

 

 

奇怪 的 饭 (Qì Guài de Fàn – Bizarre Foods)

sábado, 22 de setembro de 2012

 

Tv a cabo, internet, twitter, redes sociais. E agora a nova mania do Feissibuqui, que é fotografar e postar, via instagram, todo tipo de comida. Resultado? No quesito “comidas bizzarras”, está cada vez mais difícil surpreender aos que navegam com regularidade (se bem que o Wair conseguiu com este post…).

 

Mas monotonia na Web não significa monotonia  no dia a dia. Não aqui na China. Faz duas semanas estive em Chongqing (重庆) a trabalho. Esperava encontrar comida muito apimentada, pratos um pouco mais rústicos, com bastante óleo, o trivial da região centro-oeste. Ao contrário, nosso cliente nos levou a um restaurante suntuoso (suntuosidade à moda noveau-riche-chinesa, entenda bem: dourados, veludos e volutas por todo lado) e cheio de bizarrices, inlcuindo a comida. Foi a primeira vez que comi cobra. E a danada veio com couro e tudo:

 

 

Tive um pouco de nojo mas carreguei na pimenta, que é tradicional por lá, e mandei ver. Fazer o quê?

 

 

Para os engraçadinhos de plantão já vou avisando: nada de piadinhas!

 

Em tempo – enquanto eu escrevia este post tive outra surpresa gastronômica: ontem o tempo foi curto para almoçar e acabei optando por um sanduíche na lanchonete mais próxima. Não quis beber nada, estava com pressa. Peguei o Ipad e comecei a escrever. Pouco depois, a garçonete voltou à minha mesa e perguntou num Inglês titubeante:

- Sir, you order no drinks… Would you like a cup of water? It’s for free!

- Oh yes, thanks!

Cinco minutos depois vem o sanduíche: baguete com peito de frango grelhado, fatias de abacate, alface e tomate… Acompanhado de uma xícara de água fervente! Sanduíche + água quente: Bizarro ou não?

 

Modernidade?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

 

Hong Kong é assim:

 

De longe, Skyline modernoso, arranha céus, luzes e tecnologia.

 

De perto um tradicionalismo surpreendente. Em que cidade moderna ainda se acha um caminhãozinho produzindo e vendendo sorvete na hora do almoço? Repare no detalhe do teto interno: bichinhos coloridos… direto dos anos 60.

Com muito orgulho!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

 

Por total falta de tempo, acabei de esquecendo de avisar a todos que o AmuseBouche participou do 44º. Inter-Blogs do “Da Cachaça pro Vinho”. Só com receitas chinesas. Passem lá para dar uma olhada. Não é todo dia que a gente aparece em um blog de culinária tão importante!

Um bocadinho mais!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Então a Dagmar aterrissa em Shanghai, direto da Bahia. Lá de Conceição do Coité, para ser mais preciso. Na bagagem, castanha, amendoim, dendê da melhor qualidade e camarão seco que D. Maria Helena mandou.

- Rogério, estão aí os ingredientes. Você tem que fazer vatapá prá nós!
- Faço com o maior prazer. Só que tem um detalhe… eu nunca fiz vatapá! Você, que é de família bahiana, me ensine como é que é .
- Hummm, é que… eu também nunca preparei. Fora estas coisas que trouxe prá você, nem sei direito o que leva.

E aí o jeito foi seguir os conselhos de Caymmi: “quem quisé vatapá ôooohhh… que procure fazê!” Lá fui eu consultar o “pai dos burros eletrônico”. Acontece que depois de um tempo cozinhando, a gente bate o olho numa receita e já sabe se vai dar certo ou não. E as que eu vi no Google não pareceram nada confiáveis. A alternativa foi procurar os amigos nordestinos aqui em Shanghai:

- Guiomar, socorro! Você tem alguma receita de vatapá?
- Tenho não…
- Mas que tipo de bahiana é você, mulher?!?
- Oxe, é que quem sempre faz vatapá lá em casa é mainha. Melhor vatapá que o de mainha eu nunca comi… (olhe, minha sogra não pode saber disso não, visse?).
- Então mande um email prá sua mainha, por favor. Peça a ela para mandar a receita.

D. Aparecida foi rápida, mandou a receita em 2 dias, numa mensagem carinhosa, detalhada e cheia de recomendações. E no domingo seguinte, panela de barro, pimenta, dende e camarão a postos, saiu o vatapá. Reduzi a quantidade de todos os ingredientes a ¼ pois a receita de D. Aparecida, transcrita fielmente abaixo, dá para um trio elétrico inteiro comer. É claro que faltou uma nega bahiana ôoooh, que saiba mexer (Wair, difícil encontrar por aqui). Mas o carioca, branquelo e careca até que se saiu bem: o vatapá ficou arretado! Prá cabra-da-peste-da-gota-serena nenhum botar defeito, meu rei.

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Vatapá
(Receita da D. Aparecida)

Ingredientes:

- 1 kg de camarão seco descascado
- 15 pães cacetinhos (pães franceses) - usei pão de forma
- 250 g de amendoim
- 250 g de castanha de caju
- 3 copos de leite de coco grosso
- 50 g de gengibre ( se quiser, pode fazer sem )
- 1 molho de coentro
- 4 cebolas picadas
-1 xícara de azeite de dendê
- sal a gosto

Modo de Preparo:

1. Coloque o pão de molho com um pouco de leite de coco e deixe amolecer. Bata no liquidificador a cebola, metade do camarão seco, o amendoim, a castanha, o coentro, o sal e o gengibre e reserve.
2. Bata também no liquidificador o pão com o leite de coco.
3. Numa pannela misture o tempero com o pão batido no liquidificador e leve ao fogo, mexendo sempre. Acrescente o restante do leite de coco e continue mexendo.
4. Coloque o azeite de dendê e o restante do camarão seco.
5. Retire do fogo quando ele estiver soltando da panela. – e quando tomar cor. No começo não se desespere com a cor esverdeada do prato… tudo dá certo quando o vatapá estiver no ponto certo.
4. Sirva com arroz branco, moqueca de peixe ou de camarão.

Obs. : Se precisar pode usar mais leite coco e o pão é dormido (de um dia para o outro).

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