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Arquivo da Categoria ‘Negócios da China!’

谢谢!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Para quem está fora de seu país, do outro lado do mundo, pequenos gestos costumam ter enorme significados. Um bilhete, um alô, um “fulano perguntou por você e mandou um abraço”, valem muito. Hoje recebi uns presentes do Brasil: um “pout-pourri” de pimentas brasileiras, sal negro defumado e camarão seco para fazer vatapá. Obrigado, Sandra, Roseli, Dag e D. Maria Helena. Xiè Xiè!

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First things First

domingo, 23 de outubro de 2011

Na pressa de escrever o post anterior e fazer este blog andar (está difícil…) acabei esquecendo de um dos pontos mais importantes da técnica de corte com o Cài Dāo: como empunhar o dito cujo.

Oficialmente deve-se segurar a faca exatamente como as fotos abaixo (a modelo foi a Gabi). Indicador de um lado da lâmina, polegar do outro.Dedos mínimo, polegar e médio abraçando o cabo.

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Na prática é muito simples: lembre dos tempos politicamente incorretos de criança, quando ainda havia brincadeira de bang-bang. Faça um gesto de “revólver”.

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Abaixe o polegar até a altura do indicador.

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Segure a faca com os dedos nesta posição.

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Boas fatias a todos os que se aventurarem!

Chop Chop Chop…

domingo, 11 de setembro de 2011

Não tem nada de facas “Ginza”: uma para cada tipo de tarefa! Aqui na China, a maioria das cozinhas têm uma faca só, que chamamos de Cài Dāo () . Ela serve pra tudo: picar, cortar, fatiar, descascar, amassar, triturar, esculpir… Uma faca, muitas técnicas que pude conhecer quando tive o privilégio fazer um curso de 4 aulas com um dos maiores especialistas daqui, o chef Huang Xing Ping. Comprovei mais uma vez a riqueza e variedade dos conceitos orientais de cozinha e como são diferentes dos nossos.

De cara, entendi que os melhores modelos não são os mais caros e sofisticados: fui motivo de chacota quando cheguei à primeira aula com um Cài Dāo todo incrementado, de aço inox reluzente e cabo anatômico, comprado numa loja chique Shanghai. “Cài Dāo caro é coisa de Lăo Wài, coisa de quem não sabe cozinhar! Bom mesmo é o Cài Dāo de aço comum, muito mais barato e fácil de afiar”, disse o chef olhando para mim com um sorriso debochado. Botei meu ego no lugar e entendi o princípio de que todo bom cozinheiro chinês deve saber afiar bem suas facas. Por esta razão passamos toda a primeira aula aprendendo como empunhar e amolar o instrumento. Na pedra molhada, como manda a tradição. Não é nada simples: há uma maneira certa de movimentar o corpo e as mãos, peso e angulação específicos a aplicar sobre a lâmina. De forma que ela mantenha sempre o formato correto: mais arredondado nas pontas e bem reto no meio.

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Facas bem preparadas, vieram as técnicas de corte, fatiamento, desossa de diferentes tipos de carne e escultura. Para quem ficou curioso, divido aqui um dos cortes fundamentais da cozinha chinesa, o “roll cut” (ou Gŭn Dāo Kuài). Serve basicamente para dar maior superfície a alimentos mais firmes que serão cozidos ou precisem absorver mais tempero, molho ou empanamento. São apenas dois movimentos básicos: cortar na transversal (faca a 90’) e girar o alimento sobre a tábua em ¼ de volta. Repetir o processo o quanto seja necessário, conforme o desenho que fiz abaixo. Corto o post por aqui, mas prometo mais dicas quando possível.

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和西安一样的马路

domingo, 7 de agosto de 2011

A mesma rua em Xī’an.

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一年 (Um Ano)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

26 de julho de 2010: Desembarcávamos em Pudong, um calor insuportável. Ah se houvesse quem fotografasse a nossa cara… Gabi otimista e cansada. As crianças num misto de espanto, curiosidade e excitação. Eu sério, tentando disfarçar o medo. A responsabilidade de construir coisas novas pesando. E se não der certo? E se não conseguirmos? E se estivermos colocando todo o nosso futuro a perder? E se, e se, e se?

Nunca me senti tão baratinado e impotente quanto nas primeiras semanas. A língua dificílima (eu já sabia). Impossível falar, pedir, ler, entender ou comunicar qualquer coisa. Pensava cá comigo: “Será que estes chineses realmente não estão me compreendendo? Não, não é possível! Minha mímica é claríssima! Acho que eles fingem que não estão entendendo para não ter que fazer o que eu peço”. Pior ainda era quando alguém do escritório tinha de servir de intérprete, nos momentos em que meus interlocutores não falavam nada de Inglês. Eram longas discussões em Mandarin, eu assistindo com cara de paisagem e pensando: “caramba, eles estão brigando, o que será que está acontecendo? O que será que estão conversando? Vai dar tudo errado!”. E ao final de minutos que pareciam horas, o caridoso intérprete da vez concluía: “Ok, ok, Mr. Roger. They said they will do their best solve your problems!”.

E “problems” não faltavam no começo: dos mais singelos aos mais complexos. Desde não reconhecer o sal e o açúcar na prateleira do supermercado até passar uma tarde inteira detido na delegacia por esquecer-me de comunicar à polícia do bairro que havíamos saído do hotel e mudado para nosso endereço definitivo.

Mas não são os problemas que eu quero tratar aqui. Eles ainda existem e continuarão nos desafiando. Quero mesmo falar é que já caminhamos muito além do que imaginávamos desde que começamos a “escalar a muralha da China”. Superamos muitos obstáculos. Conquistamos nosso espaço, passo a passo.

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Sozinhos, obviamente não teríamos conseguido. Sentimos a mão e a presença de Deus em cada minuto que se passou. Logo na chegada surgiram amigos que nos deram dicas preciosas. Dispostos a nos ajudar a qualquer hora, dividiram conosco suas experiências, sucessos e fracassos, o que ajudou a evitar muitos erros e aborrecimentos. Alguns já voltaram para seu país de origem. Muitos continuam por aqui. E imagine só? Hoje nós também fazemos, com muito prazer, o papel de apoiar os recém chegados.

Conhecemos gente maravilhosa, que batalha conosco diariamente, com dedicação, carinho e alegria. E o saldo até o momento são mais sorrisos do que sisudez. Na maioria das situações os chineses com quem convivemos têm sempre um olhar cordial e a disposição de nos entender e ajudar.

Aprendemos muito. E seguimos no aprendizado, erros e acertos, degrau a degrau. A comunicação aos poucos vai se tornando menos complexa. Encontram-se os caminhos, os truques, e as “pérolas escondidas” da cidade. Chegam os primeiros amigos chineses. E o conforto de sentir-se menos Lăowài e mais shanghainês vai aparecendo.

Estamos felizes e acho que é por isso que me impus a obrigação de escrever a respeito. É interessante registrar neste blog as curiosidades e peripércias de nossa vida chinesa. Mas mais importante é contar as bênçãos e as vitórias. Obrigado, Deus!

在西安一个马路

domingo, 3 de julho de 2011

Uma rua em Xi’An (Shaanxi Province):

Zài Xi’An ī ge mă lù

Zài Xi’An ī ge mă lù

Taí a dica

domingo, 26 de junho de 2011

 A “Boxing Cat Brewery” é uma microcervejaria descolada que também serve bons sandubas e comida legal aqui em Shanghai. Boa pedida para o verão que está começando. O visitante atento, quando for ao banheiro, poderá até encontrar uns conselhos para um relacionamento amoroso saudável e duradouro:

 

o AmuseBouche não se responsabiliza...

o AmuseBouche não se responsabiliza...

 

Boxing Cat Brewery

Sinan Mansions, Unit 26A
519-521 Fu Xing Zhong Lu

Shanghai – PRC

Tel: 6426-0360

Queimando as Panelas

segunda-feira, 6 de junho de 2011

 

Por aqui eles estão  em todos os fogões. Há de todo tipo de material e os preços vão de RMB 30 (R$ 9) a RMB 2.000 (R$ 500). Os tamanhos e formatos são mais ou menos os mesmos. O meu eu comprei seguindo as recomendações do Wang Lao Shi. É de ferro fundido, do tipo mais popular e barato (RMB 50), segundo o Chef, o melhor. Tem gente no ocidente que chama de “Wok” a mais indispensável panela da cozinha chinesa. Puro engano. Peça uma “Wok” em qualquer loja da China e veja em seguida a cara confusa do vendedor. Aqui elas se chamam mesmo é Guō Zi ()!

A exemplo das nossas queridas panelas de barro do Brasil (tenho umas 3 ou 4, cada uma com uma história muito legal – um dia eu conto), os Guō Zi tem de ser queimados antes de usados pela primeira vez. Só que de um jeito diferente. Eu aprendi a técnica com o Chef Wang. Divido e desenho por aqui o “passo a passo”, que é pra não ter erro.

 

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Primeiro é preciso esquentar bem o Guō Zi no fogo alto. Eu disse esquentar bem, mas na verdade deve-se esquentar muuuito. Quando você achar que já está bom, deixe ainda mais um pouco.

 

Em seguida, pegue uma boa quantidade de restos de legumes e verduras crus (uns 5 punhados): cascas de cenoura, abóbora, batata… talos de salsa, folhas velhas de qualquer vegetal comestível, aparas de cebola… Jogue no Guō Zi, mantenha o fogo alto e vá mexendo até que tudo esteja bem murcho, um pouco queimado até.

 

Junte aparas de carne, sebo, ossos, pele de frango, couro de toucinho… o que tiver de restos de qualquer carne crua. “Refogue” por uns 5 minutos, mexendo sempre.

 

Então acrescente mais ou menos um copo cheio de óleo vegetal usado. Deixe esta gororoba mais uns 5 minutos no fogo e então despeje tudo num recipiente e reserve.

 

Telefone para os vizinhos e para os bombeiros avisando que não se trata de incêndio o fumacê que sai da janela de sua cozinha. Explique que está apenas dando o primeiro passo para fazer comida chinesa da maneira certa.

 

Lave e esfregue bem o Guō Zi com água e sabão. Enxugue.

 

E repita o processo acima mais 3 vezes (menos “ligar para os vizinhos e os bombeiros”, se não os vizinhos vão achar que você está maluco e aí eles é que vão telefonar: para mandar o sanatório lhe buscar).

 

Nas 3 vezes em que repetir o processo, basta esquentar muito o Guō Zi e então acrescentar a gororoba que foi “preparada” da primeira vez.

 

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Chef Wang e eu - queimando os Guo Zi

 

 

 

Recomendações: 1) NÃO COMA a gororoba! 2) Antes de iniciar o processo, obtenha permissão de quem mora na sua casa. 3) Distribua máscaras contra fumaça se possível. 4) Trate muito bem que for limpar a cozinha.

 

 

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Guo Zi: antes (esq) e depois (dir) de queimado

 

Duke and Duchess

sábado, 7 de maio de 2011

 

Eu sei, o assunto já está ficando ultrapassado e é totalmente “off-topic“. Mas como não comentar o “enlace real”? Se eu assiti? Lógico! E ao vivo! Confesso que tive a pachorra de acessar a CNN com meu laptop, no carro, enquanto voltava para casa. Entendam bem: eu vi Charles e Diana casando quando era moleque. Foi o evento do século quando eu era criança. Como é que eu ia perder o casamento do filho deles?!? Existiria prova maior de que o tempo está passando e de que estou envelhecendo? Agora só falta eles produzirem um herdeiro, para que eu, patropi puro sangue, me sinta meio avô da criança. Ridículo mas verdadeiro.

 

Mas na verdade Williams, Kates, Elizabeths, Charles e Dianas não passam de pretexto para que eu fale a respeito de um artigo publicado na última 3ª. Feira, dia 3, no “China Daily” (o jornal em Inglês daqui). A matéria comenta as réplicas do vestido nupcial que já estão disponíveis aqui na China podem ser encomendados on-line no “TaoBao.com” (o “Mercado Livre” daqui). Diz o texto que o modelo de Sarah Burton foi disponibilizado por algumas lojas chinesas poucas horas depois do casamento. O preço? Módicos US$ 280, incluindo o véu! Se isto aqui é crime? Não. Tudo perfeitamente legal: o design de roupas e vestuário não é protegido pelas leis de propriedade intelectual na China. E na foto abaixo podemos ver Wang Jiawang e sua noiva Zhao Tingting, os primeiros a se casar copiando o “estilo real”, apenas 36 horas após a cerimônia na Inglaterra. Eles e cerca de mais 20 clientes por dia têm comprado a fatiota completa.

 

 

Duque e Duquesa chineses - Wang Zhaowang e sua noiva Zhao Tingting

Duque e Duquesa chineses - Wang Zhaowang e sua noiva Zhao Tingting - China Daily 03.05.2011

 

 

O que me chama a atenção nisto tudo não é fantástica capacidade chinesa de copiar, nem o frenesi das noivinhas atrás do vestido, nem o poder da mídia em pasteurizar a moda (até porque de moda eu entendo lhufas). Me surpreende (ainda) é a rapidez com que este país caminha, reage, se move e atende à demanda de seu enorme número de consumidores. Impressionante. E assutador…

É batata

domingo, 1 de maio de 2011

 

Dia destes sobrou tempo e resolvi almoçar em casa. Quase chegando, vi um carrinho diferente em frente a uma construção: na carroceria uma geringonça esquisita, com direito a chaminé com fumacinha e tudo. E algumas frutas e legumes ao lado.

 

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É lógico que fui conferir. Descobri batatas doces assadas num antigo forno à lenha.

 

 

 

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Pedi três bem graúdas e aceitei sem regatear o preço (RMB 10), para alegria do velhinho que pilotava aquele “Baked Potato” versão oriental.

 

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Aos poucos começou a chegar um bando de chineses, curiosos, rindo e tentando entender o que um laowai alto, branquelo e careca fazia naquele carrinho. Mais ainda, por que o laowai bobão pagava tão caro por aquela comida tão simplória? E ainda por cima ficava tirando fotos de tudo com o celular?!?

 

 

 

 

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Mal sabiam que o laowai se interessa por tudo o que é “street food”. E que adora batatas doces, especialmente estas de polpa alaranjada (Hóng Shŭ = = batata vermelha), que foram devoradas logo em seguida, ainda quentes, com muita manteiga e um tico de sal.

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