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Mania

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sabe aquelas épocas em que se tem fixação por um determinado tipo de comida? Acho que todo guloso passa por isso. Meu pai é assim. Teve a fase do mingau e do ovo quente no café da manhã, numa receita que ele mesmo inventou e que hoje preparo para o Lucas quase todos os sábados. Das balas de leite da Köpenhagen (fase boa). Da língua de boi defumada ao molho madeira. E do Toucinho do Céu, para citar apenas algumas. Agora está na fase dos bolos e pães feitos em casa (fase melhor ainda!)

 

Sou igual a meu pai. Mas não vou tegiversar sobre as fases culinárias por que passei. Quero apenas dizer que  o prato da hora é o Spaghetti alle Vongole. Estar em Shanghai contribui: aqui encontro facilmente mariscos frescos e de boa qualidade. Uma pena que a Gabi e as crianças não gostem… Aproveitei os quase três meses em que estiveram no Brasil durante as férias de verão para testar e comer todo vongole a que tinha direito. Primeiro, fui a 3 ou 4 mercados da cidade até achar aquele que vendia os mais frescos e graúdos. Depois, pesquisei e experimentei diversas receitas: de “cellebrity chefs” até velhos livros, passando também por filminhos do Youtube, aplicativos culinários do Ipad e afins.

 

Uma idéia daqui, um toque de lá e cheguei ao meu jeito preferido. Nada de inovador ou diferente. Nenhum ingrediente heterodoxo, nem combinações esquisitas. Spaghetti alle Vongle tem que ser “zero fusion”. Busquei apenas encontrar a maneira que mais gosto de combinar ingredientes tradicionais e entender bem o “tempo de panela” de cada um deles. Aliás, só decidi dividir por aqui a título de registro e antes que eu me esqueça. Gabi e a crianças acabam de voltar… Contentar-me-ei em comer Spaghetti alle Vongolle nos restaurantes. E as chances da cozinha ser visitada por algo do mar que não seja peixe ou camarão serão nulas! Melhor procurar uma outra mania.

 

 

 

Spaghetti alle Vongole, do meu jeito.

(ingredientes para 1 pessoa)

 

Ingredientes:

 

-15 vongole bem frescos e graúdos.

-200g de spaghetti grano duro.

-6 tomates cereja lavados e cortados em quartos.

-2 dentes de alho laminados.

-3 colheres de sopa de azeite extra virgem (ou mais, se precisar).

-1 punhado de salsinha bem picada.

-50ml de vinho branco seco.

-1 pitada de pimenta calabresa (opcional)

-Um pouco de pão italiano torrado e esmigalhado para polvilhar (opcional).

-Sal e pimenta do reino a gosto.

 

Modo de Preparo:

 

1. Deixe os vongole de molho em água fria por cerca de 2 horas e depois limpe bem as conchas e escorra a água.

2. Torre uma fatia de pão italiano (opcional) e quando esfriar, esmigalhe-o. Reserve.

3. Numa panela grande (eu prefiro a esmaltada) aqueça o azeite e o alho em lascas, tomando cuidado para não queimar. Quando o alho começar a dourar, acrescente os vongole e refogue. Acrescente o vinho branco, tampe a panela e diminua o fogo.

4. Quando os vongole estiverem abertos e cozidos e boa parte do vinho evaporar, acrescente o tomate e a salsinha, misture, apague o fogo e tampe a panela (descarte neste momento qualquer concha que não estiver aberta).

5. Cozinhe o Spaghetti 1 minuto a menos do que indicado na embalagem (se a embalagem instrui cozinhar 10min, cozinhe apenas 9min).

6. Acrescente o Spaghetti cozido e bem quente à panela com os vongole, reacenda o fogo e misture por cerca de 30-40 segundos. Acerte o sal, a pimenta e se necessário, acrescente mais um fio de azeite.

7. Sirva imediatamente, salpicando a pimenta calabresa (ou pepperoncini picado) e as migalhas de pão torrado (opcional).

 

Dica 1: a grande dificuldade deste prato é combinar o tempo de cozimento do Spaghetti com o tempo de cozimento dos vongole e seu molho. Eu particularmente gosto dos vongole bem cozidos, por isso preparo o molho um pouco antes de cozinhar o Spaghetti. E como utilizo uma panela grossa esmaltada para cozinhar o molho, o calor se conserva bem. Caso goste dos vongole um pouco menos cozidos, prepare o molho assim que começar a cozinhar o Spaghetti. E utilize fogo bem forte para cozinhar o molho. Cuidado para o Spaghetti não cozinhar demais, neste caso.

Dica 2: Se optar por salpicar as migalhas de pão, prepare com alguns minutos de antecedência e esmigalhe as torradas apenas quando estiverem bem frias, para não perder a crocância.

Dica 3: Se, ao misturar o Spaghetti ao molho, o prato ficar “seco”, acrescente um pouquinho da água do macarrão.

Yes, nós temos chuchu!

quinta-feira, 28 de junho de 2012

 

Muito bem. Eu sei que é capaz de alguém reclamar: rapaz, você está do outro lado do mundo, vivendo num país com uma riqueza culinária enorme e ao invés de publicar receitas chinesas, resolve fazer comida brasileira?!?

 

Pois bem, isto é surpresa para mim também. Nunca cozinhei tantas receitas brasileiras como neste segundo ano aqui na China. Farofas (se falta farinha de mandioca, improviso com semolina – dica da Dotty e do Augusto), Manjares, Moquecas, Vatapás (fiz meu próprio camarão seco outro dia), Arroz com Pequi (trazido em conserva da última viagem a Goiás), Carreteiro e até Churrasco (para quem tem sogro gaúcho e preguiça de cuidar de um braseiro como eu, é uma façanha). Suspeito que, passados quase dois anos de nossa mudança, minha “curva-emocional-de-expatriado” está entrando na fase mais aguda de saudade das pessoas, lugares, gostos e perfumes do Brasil. Ultimamente, muitas das situações, sabores e aromas daqui têm me feito lembrar, de uma forma ou de outra, da terra em que nasci e vivi por 41 anos. E confesso que estou achando essa fase muito, muito estranha.

 

Expatriados mais experientes me convenceram de que esta nostalgia é normal e muda de intensidade com o passar do tempo, chegando enfim a um ponto de equilíbrio aceitável, ou melhor, administrável. Um amigo que foi dekassegui por muitos anos contou que quando morava em Gunma pagava qualquer preço por um sabonete “Lux” importado do Brasil. Só para sentir no Japão, por uns breves momentos do dia, o mesmo cheirinho do banheiro da casa da sua mãe. Achei graça quando ele me contou esta história, pensei ser exagero. Hoje compreendo o que significa. O quanto são compensadores estes “pequenos confortos” que nos levam de volta às origens.

 

Por isso ficou difícil conter o entusiasmo quando encontrei por acaso no “wet market” da vizinhança uma banca que vendia chuchu! Será que é chuchu mesmo? Aqui deste lado do mundo?! Como fala em Chinês? A atendente, lógico, achou minha reação muito esquisita:

 

- O senhor está espantando por quê? É só um vegetal.

- Eu sei. É que é tem muito desse vegetal lá no meu país. Não sabia que tinha aqui.

- Sim, sempre vendemos nesta época, é bom pro calor interno (sic) do corpo. Qual é o seu país?

- Brasil. Como vocês preparam aqui na China?

- Faz uma sopa com ossos de porco. Depois que cozinhar bem, tira os ossos e põe o Fó Shŏu Guā (佛手 瓜) para cozinhar. Faz bem pra saúde! E no Brasil, come como?

- Lá no Brasil Fóshŏu Guā dá no mato, em todo lugar, nasce sozinho, não precisa nem plantar! Tem também um da casca verde-escura, que eu acho mais gostoso. Nós fazemos refogado, mexido com ovo – do jeito do Chau Dan aqui da China – com creme, gratinado, recheado com carne moída, na salada… Até com camarão!

- Camarão?!? Fóshŏu Guā com camarão?!? Você gosta?

- Ô se gosto! Fèichăng Hăo Chī!

 

A moça me puxa pelo braço. Andamos uns 20 metros até a banca dos peixes, onde ela já chega gritando com o vendedor, cheia de moral:

 

- Xiăo Lìu, limpa uns bons camarões pra esse lăowài que ele quer comer com Fóshŏu Guā! Hahaha, lăowài dŏu hĕn qìguài (=estrangeiros são todos muito esquisitos). Onde já se viu, camarão misturado com Fóshŏu Guā!!!

 

E assim “não tive opção”: o jantar foi mesmo chuchu com camarão… Tá explicado porque tem tanta receita brasileira neste blog que está morando na china?

 

 

Chuchu com Camarão

para 2 pessoas

 

Ingredientes:

- 1 colher de sopa de cebola picada.

- 3 colheres de sopa de azeite de oliva.

- 1 tomate sem pele e sem semente picado.

- 400g de camarão limpo e descascado.

- 2 chuchus médios picados em cubos de aproximadamente 2cm.

- Sal, pimenta do reino, limão e cheiro verde a gosto.

 

Modo de Preparo:

1.  Tempere o camarão com sal, pimenta e limão. Reserve.

2. Leve uma panela de barro* ao fogo até que esteja aquecida. Acrescente o azeite e a cebola e refogue até que a cebola esteja transparente.

3. Junte o camarão, misture e em seguida junte o tomate picado e o chuchu.

4. Cozinhe até que o chuchu esteja no ponto: importante não deixar o chuchu e o camarão cozinhar demais.

5. Salpique com cheiro verde e sirva.

 

*O ideal para este prato é a panela de barro, que dá um sabor especial ao prato e  também pode ir à mesa.

Férias & Fotos

terça-feira, 6 de março de 2012

Eu enrolei muito para escrever este post. Posterguei o máximo possível. Primeiro porque acho que este negócio de contar sobre férias é coisa de escola primária, quando “Tia Teteca” mandava fazer uma redação no primeiro dia de aula. Só para poder ficar a toa até a hora do recreio, enquanto os alunos escreviam, escreviam, escreviam. Depois porque apesar de curtir muito quando os blogs alheios contam sobre suas viagens (são excelentes fontes de dicas), quando chega a minha vez eu fico meio envergonhado, acho um pouco pernóstico sair dizendo por aí que fui para aqui ou para acolá. Dá uma certa sensação esnobe, salto alto. Por último, o tema foge um pouco da proposta inicial do AmuseBouche, que é falar de comida e correlatos.

Mas como as crianças queriam ver a nossa viagem do começo do ano publicada no blog, não tive saida. Portanto aí vão algumas fotos de nossa semana em Pesey-Vallandy. E, para não fugir (muito) à regra, vai de quebra uma receita típica do local. Desenhada porque, apesar de muito gostoso (e calórico!), o prato é praticamente “infotografável”.

Vista do nosso quarto no hotel…

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… que ficava bem próximo à entrada das pistas de esqui (só vestir a parafernália toda e andar uns 100m até o teleférico). Sim, eu apanhei pra caramba para esquiar (meeedo de arrebentar o joelho novamente!). E até agora não me conformo da molecadinha menor de 10 anos manejar esquis e snowboards muito melhor do que nós marmanjos!

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Do outro lado do vale, panorama das vilas de Pesey e Vallandry.

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Nos quatro últimos dias, volume de neve fora do normal…

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O que deixou as pistas em condições maravilhosas: neve virgem todas as manhãs!

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Nougat…

nougat

… e doces de uma patisserie em Vallandry:

patisserie

Tricobel: paraíso onde nos abastecemos…

tricobel
… de charcuterie de primeira…

charcuterie

… e de muito Reblochon (um de meus preferidos)…

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... ingrediente indispensável da Tartiflette:

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Ainda o agreste

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Sobrou castanha e amendoim. E também sobrou camarão fresco, já sem casca e limpo, que não foi usado na moqueca que acompanhou o vatapá (post abaixo). Judiação desperdiçar. Mas como aproveitar? Veio uma idéia maluca: um tipo de pesto, rapidinho, meio nordestino, à brasileira, com jeitão e sotaque da nossa terra. Foi o prato do jantar desta última segunda feira. Apesar da foto sem nenhum “apetite appeal”, ficou uma delícia e fez bastante sucesso aqui em casa.

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Acompanhado de arroz branco e, é claro, da imprescindível Pimenta Comari que a Sandra trouxe…

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… combinou perfeitamente com um “Pikes – The White Mullet 2010” (australiano – corte de Riesling+Chenin Blanc+Sauvignon Blanc+Viogner) muito refrescante e cheio de caráter, começando bem uma semana de trabalho que foi extremamente dura e dasafiadora (coisas da China).

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Camarão ao “Pesto” com Jeitão Nordestino

Ingredientes (para 2 pessoas):

- 1 punhado de castanhas de caju torradas.

- 1 punhado de amendoim torrado.

- 4 colheres de sopa de azeite.

- 1 punhado de coentro.

- Suco de ½ limão.

- Sal a gosto.

- 2 dentes de alho espremidos.

- 1 colher de sobremesa de manteiga.

- 400g de camarão descascado e limpo.

Modo de preparo:

1. Triture levemente num processador as castanhas de caju, o amendoim torrado, o azeite, o suco de limão, o coentro e o sal. Reserve.

2. Tempere os camarões com um pouquinho de sal e limão.

3. Numa frigideira grande ou panela esmaltada salteie o alho na manteiga, com cuidado para não queimar.

4. Quando o alho estiver dourado, juntar o camarão, refogar por uns 2 minutos e acrescentar o “pesto”. Misturar até que o camarão esteja cozido.

5. Servir com arroz branco e, é claro, pimenta de qualidade (a Comari, muito frutada, funcionou bem).

Um bocadinho mais!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Então a Dagmar aterrissa em Shanghai, direto da Bahia. Lá de Conceição do Coité, para ser mais preciso. Na bagagem, castanha, amendoim, dendê da melhor qualidade e camarão seco que D. Maria Helena mandou.

- Rogério, estão aí os ingredientes. Você tem que fazer vatapá prá nós!
- Faço com o maior prazer. Só que tem um detalhe… eu nunca fiz vatapá! Você, que é de família bahiana, me ensine como é que é .
- Hummm, é que… eu também nunca preparei. Fora estas coisas que trouxe prá você, nem sei direito o que leva.

E aí o jeito foi seguir os conselhos de Caymmi: “quem quisé vatapá ôooohhh… que procure fazê!” Lá fui eu consultar o “pai dos burros eletrônico”. Acontece que depois de um tempo cozinhando, a gente bate o olho numa receita e já sabe se vai dar certo ou não. E as que eu vi no Google não pareceram nada confiáveis. A alternativa foi procurar os amigos nordestinos aqui em Shanghai:

- Guiomar, socorro! Você tem alguma receita de vatapá?
- Tenho não…
- Mas que tipo de bahiana é você, mulher?!?
- Oxe, é que quem sempre faz vatapá lá em casa é mainha. Melhor vatapá que o de mainha eu nunca comi… (olhe, minha sogra não pode saber disso não, visse?).
- Então mande um email prá sua mainha, por favor. Peça a ela para mandar a receita.

D. Aparecida foi rápida, mandou a receita em 2 dias, numa mensagem carinhosa, detalhada e cheia de recomendações. E no domingo seguinte, panela de barro, pimenta, dende e camarão a postos, saiu o vatapá. Reduzi a quantidade de todos os ingredientes a ¼ pois a receita de D. Aparecida, transcrita fielmente abaixo, dá para um trio elétrico inteiro comer. É claro que faltou uma nega bahiana ôoooh, que saiba mexer (Wair, difícil encontrar por aqui). Mas o carioca, branquelo e careca até que se saiu bem: o vatapá ficou arretado! Prá cabra-da-peste-da-gota-serena nenhum botar defeito, meu rei.

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Vatapá
(Receita da D. Aparecida)

Ingredientes:

- 1 kg de camarão seco descascado
- 15 pães cacetinhos (pães franceses) - usei pão de forma
- 250 g de amendoim
- 250 g de castanha de caju
- 3 copos de leite de coco grosso
- 50 g de gengibre ( se quiser, pode fazer sem )
- 1 molho de coentro
- 4 cebolas picadas
-1 xícara de azeite de dendê
- sal a gosto

Modo de Preparo:

1. Coloque o pão de molho com um pouco de leite de coco e deixe amolecer. Bata no liquidificador a cebola, metade do camarão seco, o amendoim, a castanha, o coentro, o sal e o gengibre e reserve.
2. Bata também no liquidificador o pão com o leite de coco.
3. Numa pannela misture o tempero com o pão batido no liquidificador e leve ao fogo, mexendo sempre. Acrescente o restante do leite de coco e continue mexendo.
4. Coloque o azeite de dendê e o restante do camarão seco.
5. Retire do fogo quando ele estiver soltando da panela. – e quando tomar cor. No começo não se desespere com a cor esverdeada do prato… tudo dá certo quando o vatapá estiver no ponto certo.
4. Sirva com arroz branco, moqueca de peixe ou de camarão.

Obs. : Se precisar pode usar mais leite coco e o pão é dormido (de um dia para o outro).

dos Bons Tempos

domingo, 14 de agosto de 2011

Não sei que mecanismo é este que existe dentro da minha cabeça que me faz desenterrar – nos momentos mais absurdos – as memórias mais remotas da minha infância e pré-adolescência. Via de regra, são cenas corriqueiras, fatos banais, desinteressantes. Porém as lembranças de episódios peculiares junto a pessoas queridas também surgem de vez em quando.

Talvez Freud, Jung, Lacan ou então o Dr. Pinel possam explicar como é que outro dia, passando pelo porto em Hong Kong, a caminho do aeroporto, meu pensamento foi parar lá nos meus 9 ou 10 anos de idade, em Ribeirão Preto. A reminiscência veio em forma de um Coquetel de Camarão, inesquecível, que comíamos na casa do Manel, Táta, André e Nanda, amigos da família há muito tempo. Eu acho que este era um “signature dish” da Táta, num tempo em que camarão era coisa difícil de achar, especialmente lá no Oeste do Estado de São Paulo. Tempo também em que o termo “signature dish” ainda nem havia sido inventado!

Por sorte está aí o abominável Facebook (sobre o abominável escreverei um dia destes) com uma de suas pouquíssimas serventias que é permitir manter algum contato com os amigos que estão longe (bem, na verdade quem está longe sou eu… mas esta também é outra história) ou com aqueles que, apesar de especiais, costumamos encontrar de forma bissexta. Mandei uma mensagem prá Nanda, que respondeu no dia seguinte, com a receita. Preparei exatamente conforme as instruções, a não ser por umas gotinhas de Tabasco e um pouco mais de Gin do que o indicado (licença poética!). Comi, como nos velhos tempos, com torradinhas (na época eram as famosas “Bi-tost Bauducco”). Terça feira próxima tem mais Hong Kong: vamos ver onde o pensamento vai parar.

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Coquetel de Camarão
da Maria Carmem Balau

Ingredientes:

- 3 xícaras de maionese (se puder faça a sua. Aqui tem o processo completo)
- 1 xícara de creme de leite.
- ½ xícara de ketchup.
- 3 colheres de sopa de molho inglês (Worcester Sauce).
- 3 colheres de sopa de gin.
- Bastante camarão, descascado, limpo e cozido em água + sal + limão.

Modo de Preparo:

1. Pique os camarões bem miudinhos (reserve alguns para enfeitar).
2. Misture a maionese, o creme de leite, o ketchup, o molho inglês e o gin. Acrescente o camarão picado. Leve à geladeira.
3. Sirva em taças tipo coqutel e enfeite com camarões inteiros.
4. Acompanha salada e/ou torradinhas.

Bem Simples

domingo, 25 de abril de 2010

Já dizia a Dona Florinda, do saudoso seriado “Chaves”: muito ajuda quem não atrapalha! E este é o meu lema na cozinha. Principalmente no que diz respeito a ingredientes. O quanto menos invenção e complicação, melhor. É assim, por exemplo, com o bacalhau. Para que elocubrar demais quando a graça é justamente o sabor rústico, porém complexo do peixe? Por que mascarar seus aromas e desconstruir a textura? Prefiro preparar pratos como este “Bacalhau Aconchegado”, cuja receita recortei há mais de dez anos, acho que de uma página publicitária da Revista Gula. Trata-se apenas de bacalhau, cebola, alho e bom azeite (precisa mais?). A diferença fica por conta do preparo e apresentação, ambos na sempre singela, charmosa e fiel panela de barro. É comida sem rodeios e rapapés – bacalhau quase desacompanhado, junto aos poucos temperos de sempre, expressando seu sabor verdadeiro.

Dica: no dia seguinte, fica ainda mais gostoso se servido frio, como aperitivo, acompanhado simplesmente de fatias de pão (que podem e devem ser mergulhadas na panela) e vinho verde bem gelado!

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Bacalhau Aconchegado

Ingredientes:

- 3 ou 4 cebolas grandes, fatiadas em rodelas bem finas.

- 10 dentes de alho descascados.

- 2 folhas de louro.

- 10 grãos de pimenta do reino (opcional).

- Azeite de Oliva, o quanto baste.

- 2 ou 3 bons pedaços de lombo de bacalhau.

 

Modo de Preparo:

1. Dessalgue o bacalhau: cubra os pedaços com água e leve a geladeira, trocando a água 3 vezes por dia, durante dois dias. Ao final dos dois dias, escorra e reserve o bacalhau.

2. Leve ao fogo uma panela de barro grande. Quando estiver bem aquecida, acrescente o azeite e refogue nele as cebolas, o alho, as folhas de louro e o grãos de pimenta do reino. Misture de vez em quando, até que as cebolas estejam transparentes e macias.

3. Abaixe bem o fogo e então “aconchegue” as postas de bacalhau entre as fatias de cebola. Regue as postas com um fio de azeite. Tampe a panela e deixe cozinhar (cerca de 15 a 20 minutos).

4. Leve à mesa, com a panela ainda fumengante, acompanhado de batatinhas ao murro e tomate assado. Ou então deixe esfriar, leve à geladeira e sirva frio no dia seguinte, com fatias de pão.

Petulância

terça-feira, 25 de agosto de 2009

 

Não é novidade que sou fã do “Paladar” do Estadão. Gosto do valor que o jornal dá a comer e beber bem, das boas idéias, dos artigos do Luiz Horta e do Luiz Américo, da criatividade em explorar velhos ingredientes de uma nova maneira. Como na última quinta feira, quando o caderno apresentou uma matéria muito interessante : foram dez receitas bem originais, todas criadas por chefs renomados, usando o bem conhecido atum enlatado. E como “brinde” veio também um método caseiro para produzir a conserva. 

 

Tudo isto me lembrou uma receita do tempo de recém casado. Não muito original, porém barata e prática. Ideal para casalzinho com orçamento apertado. Boa também para os dias de calor, pois consiste em misturar macarrão cozido a um “molho” de atum em lata frio. Desculpem a petulância, mas é tão gostosa quanto as outras dez do Estadão.

 

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Serpentini com Atum

 

Ingredientes (para 2 pessoas):

 

- 2 tomates tipo italiano bem maduros, sem semente, picados em cubinhos.

- ½ pimenta dedo de moça, sem sementes, bem picadinha (opcional).

- 1 dente de alho branqueado* picado.

- Um punhado de salsa fresca picada.

- 1 lata de atum em água, escorrido.

- Acceto balsâmico a gosto (eu coloco aproximadamente 1 colher de sopa).

- Aproximadamente 4 colheres de sopa de azeite de oliva.

- Sal a gosto.

- Pimenta do reino a gosto.

- 300g de serpentini de grano duro (ou fusili, ou qualquer outra massa curta disponível).

 

* deixe o dente de alho, com casca, em água fervente por uns 2 minutos. Descasque e utilize. Isto irá suavizar um pouco o gosto forte do alho.

 

Modo de preparo:

 

1. Numa tigela, misture todos os ingredientes, exceto a massa. Deixe marinando enquanto cozinha a massa.

2. Cozinhe a massa al dente, conforme as instruções da embalagem. Escorra e misture ao molho. Sirva imediatamente.

Bacalhau sem risco

domingo, 16 de agosto de 2009

 Vou arriscar um palpite: 85% das receitas de bacalhau que existem por aí são variações sobre um mesmo tema.

Arrisco também uma explicação: na minha opinião, bacalhau é um item tão nobre, tão sagrado e tão especial em sua simplicidade que poucos são aqueles que têm competência para inovar. Por que reinventar a roda? Para que complicar quando, por gerações e gerações, nossos ancestrais portugueses testaram, adaptaram e aprimoraram receitas de sucesso comprovado?

 

No que diz respeito a bacalhau, sou conservador. Arrisco pouco. Desculpem-me o clichê: menos é mais. Por isso fico na minha e limito-me a cozinhar como os pais e avós. O máximo que faço é mudar um ingrediente aqui e outro acolá. Jamais comprometo a essência.

 

Esta é a minha variação pessoal da sempre louvada e imprescindível bacalhoada que meu sogro de Guaratuba prepara como ninguém. Foi minha escolha para o cardápio do dia dos pais. Não mudei quase nada: as cebolas foram fatiadas, ao invés de entrarem às metades; diminuí o tamanho das batatas, tomates e ovos. Usei a panela esmaltada ao invés do refratário. Acho que o sogrão, que infelizmente não estava à mesa, não se importaria…

 

bacalhau

Bacalhoada quase do jeito do sogro para o dia dos Pais

 

Ingredientes:

 

- 1kg de lombo de Bacalhau.

- 15 batatas bolinha.

- 2 cebolas fatiadas em rodelas.

- 20 tomates cereja cortados ao meio.

- 1 bom punhado de azeitonas pretas graúdas.

- 6 dentes de alho (com casaca mesmo).

- 2 folhas de louro.

- 12 grãos de pimenta.

- 12 ovos de codorna cozidos e descascados.

- Azeite de oliva extra virgem o quanto baste.

 

Modo de Preparo:

 

1. Dessalgue o bacalhau: corte o lombo em postas de aproximadamente 3 dedos e deixe-os de molho numa tigela com água por 48 horas. Durante este período troque a água a cada 8 horas. Escorra e reserve as postas.

2. Cozinhe as batatas bolinha (com casca) em água fervente por 20 minutos. Escorra a água e reserve as batatas.

3. Numa panela grande esmaltada (tipo Le Creuset) que possa ir ao forno: coloque as batatas, os dentes de alho, as folhas de louro e os grãos de pimenta. Acrescente os tomates cereja e as cebolas em rodela. Disponha sobre as fatias de cebola as postas de bacalhau e as azeitonas. Regue com bastante azeite.

4. Tampe a panela e leve ao forno préaquecido a 220°C por 45 minutos.

5. Ao servir, finalize acrescentado os ovos de codorna à panela.

Jantar de Ano Novo

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Já estou duas semanas atrasado (surgiu uma viagem relâmpago para a Europa logo no começo do ano), mas vou contar mesmo assim.

Queria algo diferente para a ceia de ano novo. Sair da mesmice da leitoa, lentilha e romã. Até porque eu nunca fiz leitoa, não como sopa de lentilhas no verão e me recuso a comprar romã por R$18 o quilo. Então optei por um cardápio de inspiração ibérica, aproveitando que havia 2 ou 3 garrafas de cava na despensa que seriam abertas na noite do dia 31.

Um dos pratos foi este “Arroz a Banda”, que aprendi com a Maria Eugênia, minha ex-professora de Espanhol. Fácil e rápido, costuma agradar aos gregos e troianos da família. Desta vez utilizei uma paella, mas já fiz Arroz a Banda em panela de barro e também em panela comum. Sempre deu certo. Certa vez, substituí os camarões por peito de frango (heresia!) e também funcionou.

Não sei se esta é realmente é a receita autêntica. A Maria Eugênia diz que a aprendeu com uma colega da Real Academia Espanhola. Ela também ensinou um segredo: em lugar de açafrão deve-se utilizar o “Paellero Carmencita”, um condimento especial para paellas. Así queda más rico, chicos!

Não posso terminar sem desejar um “feliz-ano-novo” especial ao meu sogro C. que patrocinou os camarões, graúdos e fresquíssimos, vindos lá de Guaratuba.


Arroz a Banda

Ingredientes:

- 6 colheres de sopa de Azeite de oliva.
- 1kg de camarão médio, descascado e limpo.
- 1 pimentão verde cortado em cubos de aproximadamente 1cm.
- 1 pimentão vermelho cortado em cubos de aproximadamente 1cm.
- 2 cebolas médias cortadas em cubos de aproximadamente 1 cm.
- 5 dentes de alho picados.
- 2 folhas de louro.
- 500g arroz de arroz, de preferência o tipo “redondo”.
- 1 litro de caldo de peixe (ou caldo de legumes).
- 1 envelope de condimento para paella (Paellero Carmencita) ou açafrão.
- Sal a gosto.

Para enfeitar:

- 3 ovos cozidos cortados ao meio.
- Azeitonas pretas graúdas.

Modo de Preparo:

1. Numa paella, refogue a cebola, o alho e as folhas de louro no azeite, sem deixar queimar.
2. Acrescente o camarão, o arroz, o Paellero Carmencita, o pimentão verde e vermelho, mexendo por uns 2 minutos.
3. Despeje o caldo de peixe bem quente. Misture e acerte o sal. Deixe cozinhar em fogo baixo até que o arroz esteja macio.
4. desligue o fogo, regue com um fio de azeite e enfeite com os ovos e as azeitonas pretas.

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