amuseBOUCHE

Para falar do que eu gosto...

DiárioReceitasVinhos & CiaDicas e AfinsDicionário

Arquivo da Categoria ‘Radiola’

Radiola 9 – Advinhe quem veio para tocar?

segunda-feira, 17 de junho de 2013

 

Eu tinha 16 anos e acabara de mudar para o Recife. Na cabeça muita vontade de virar um grande violinista. Naquela época era ainda mais difícil que agora. O Conservatório de Pernambuco tinha poucos professores, a estrutura era pequena. Eu vinha de Belo Horizonte, onde a vida musical era profícua, estranhei muito. Quem vivia de música clássica no Nordeste ganhava pouco e contava com poucas orquestras para trabalhar (a fantástica Orquestra Armorial de Cussy de Almeida já não existia mais). Estudar música erudita então, era mais complicado ainda.

 

Também não havia computador e internet. O que isto significava para um músico? Pouquíssimo acesso à informação. Nada de ver os grandes ícones tocando no Youtube. Nada de aulas via Skype. Precisava de um Método ou a Partitura de um determinado concerto? Nada de Amazon: era preciso ir até a biblioteca do Conservatório ou da UFPE, procurar, procurar, procurar e xerocar caso encontrasse. Ou então pedir a algum colega para copiar a cópia dele. Queria ouvir o concerto de Sibelius ou um quarteto de Ravel? Nada de Itunes. Havia que se contentar com o insólito acervo das lojas da cidade, sempre focadas em frevo, forró e Roberto Carlos. Por isto a gente guardava os discos de música erudita como verdadeiras preciosidades. E também copiava em fita cassete as raridades dos colegas.

 

Eu conhecia cada um dos discos da minha pequena coleção. Ficavam num lugar especial perto da vitrola. Guardados de pé – para não empenar –  e em ordem alfabética pelo nome do compositor. O primeiro era de Brahms – Concerto Duplo para Violino, Violoncelo e Orquestra. Na capa, um Antônio Meneses bem jovem e cabeludo, Karajan maracujá-de-gaveta e ela. Sorrindo bochechuda, pouco atraente, cabelo meio desgrenhado e roupa bem simples. Era jovem e já tocava muito. Anne-Sophie Mutter foi ídolo e ícone da minha adolescência no Recife. Seu LP de estreia – o Concerto em Mi menor de Mendelssohn, também com Karajan –   quase furou de tanto tocar lá em casa.

 

Mais tarde fui descobrindo outras gravações e versões melhores das coisas que Anne-Sophie Mutter gravara quando jovem. Meus violinistas preferidos também foram mudando: Mischa Elmann, Leonid Kogan, Jascha Heifetz, Salvatore Accardo, Gidon Kremer, Schlomo Mintz, Isaac Stern, Itzhak Perlman… até que o tempo e o ouvido me moldaram a opinião de que o melhor de todos é, sem dúvida, David Oistrakh. Há quem discorde. Questão de gosto.

 

Passaram-se quase 30 anos desde o longínquo Recife e Anne-Sophie Mutter me aparece em Shanghai com os seus “Mutter Virtuosi”. Assim que soube, comprei os ingressos, quase esgotados. Torci para que não surgisse nenhum compromisso ou viagem de última hora. Na 4a feira passada fui ansioso ao concerto. Anne-Sophie está uma cinquentona bonita. Classuda: é esguia, elegante, bem vestida, muito simpática. Uma estrela bem diferente da adolescente que tocou com Karajan. A técnica continua impecável e a sonoridade, agora madura, que consegue com seu Stradivarius me impressionou muito. (aliás, nesta noite o grupo tocava com: 2 violinos Stradivari, 1 viola Fendt-1820, 1 violino Baptista Rogeri-1701, 1 violino Matteo Goffriller-1700, 1 cello Jean Baptiste Vuillaume e 1 violino Gioffredo Cappa-c.1700 – quem gosta de luteria sabe do que estou falando)

 

Anne-Sophie2

 

Esperava mais em termos de repertório. A primeira peça “Ringtone Variations”, para Violino e Contra-baixo, foi encomendada ao compositor Sebastian Currier. Dificílima, técnica e musicalmente. Depois veio o Octeto de Mendelssohn, com Anne-Sophie fazendo a parte do primeiro violino. Foi uma interpretação correta, dinâmicas bem feitas, interessante, gostoso de ouvir. A segunda parte do programa decepcionou. O grupo tocou as Quatro Estações e para compensar a “facilidade” da obra, Anne-Sophie acelerou praticamente todos os andamentos. E levou sua interpretação de forma exageradamente romântica, melosa até. De qualquer forma, aplaudi de pé e pedi bis. Ídolo é ídolo…

 

Anne-Sophie1

 

Ao final, eu e mais 500 chineses entramos na fila dos autógrafos. Anne-Sophie Mutter, cansada porém sorridente e solícita atendeu a todos rapidamente. E eu, bobão, ainda consegui tirar uma foto com ela, que não acho a melhor, mas ocupa o posto vitalício de “minha-primeira-violinista-preferida”.

 

Anne-Sophie3

 

 

P.S.: Gabi, morrendo de ciúmes, me acompanhou na fila de autógrafos e tirou fotos. Agüentou firme!

Radiola 8 – Escuta aí, vizinha!

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

 

Hoje é feriado. Aproveito que está tudo tranqüilo por aqui. Sento ao computador para enfim atualizar o blog com uma receita que copiei do Marakuthai. Mas nada é perfeito: uma música altíssima entra pelo escritório. Fechar a janela com este calorão está fora de cogitação. Nem preciso descer para ver o que está acontecendo… é a fubanga da minha vizinha, lavando o carro na calçada de shortinho, camiseta da última eleição e crocs. Sensualidade de ogro. As portas do carro estão abertas, o rádio ligado no máximo, tocando um pagode da moda.

 

Penso: por que será que ela insiste em dividir comigo seu gosto musical medonho? Sinto um desejo de vingança aparecer: Se eu fosse pagar na mesma moeda…o que eu colocaria para ela escutar? O que eu tocaria para incomodá-la? A resposta vem imediatamente: o dificílimo Concerto n°2 para Violino e Orquestra (Metamorphosen) do polonês Krzysztof Penderecki. Para quem gosta de música do século vinte, como eu, é instigante e interessantíssimo. Para quem não conhece (como a vizinha) é denso, opressor, pesado, mórbido, quase insuportável. Não é sempre que eu o escuto. Preciso estar preparado psicologicamente. Porque este concerto me transporta a um lugar em que nunca estive e a uma época a que não pertenci. São cenas de gueto da Segunda Guerra. Perseguição, talvez dor e preconceito. Poderia perfeitamente fazer parte da trilha sonora da Lista de Schindler.

 

A versão abaixo, minha preferida, é de Anne-Sophie Mutter tocando ao vivo sob a batuta de Mariss Jansons. Foi a ela que o concerto foi dedicado e coube-lhe também a estréia mundial. Não dá para colocar no tocador Mp3 do Amusebouche, são cerca de 38 minutos de música ininterrupta e “complicada” de ouvir.

Krzysztof Penderecki

Violin Concerto n°2 – Metamorphosen

Anne-Sophie Mutter, Violino

Sinfonieorchester des Mitteldeutschen Rundfunks – Mariss Jansons, regente

 

 

Em tempo: a vizinha acabou de abaixar o volume. Vou correr lá em baixo. Quem sabe ela também não quer dar um trato no meu carro, que está meio sujinho? Posso até pagar uns trocados. Mas ela vai ter que ouvir Penderecki.

Radiola 7 – Fernando Avila

sábado, 29 de agosto de 2009

 

Uma das coisas bacanas de um blog é a interação com os leitores e as dicas que recebemos. Foi através de um comentário da Luciana Lopez, que conheci o trabalho de seu marido, o Fernando Ávila. Músico, compositor e produtor musical brasileiro, Fernando começou a estudar música clássica aos 8 anos de idade e mais tarde partiu para o Rock e o Jazz, tocando com vários artistas no Brasil. Atualmente ele mora com a Luciana na Espanha onde se dedica à produção musical e à carreira de guitarrista solo. Você pode conhecer mais do trabalho do Fernando aqui.

 

Para o tocador do AmuseBouche escolhi três composições: “Classic”, “Sentido” e “The Passion of the Christ”. Pedida de muito bom gosto que mostra a qualidade do trabalho que os instrumentistas brasileiros vêm desenvolvendo fora do país. Sorte dos europeus.

Radiola 6 – Claus Ogermann

quarta-feira, 29 de julho de 2009

 

ogermann1Aqueles que, como eu, têm a mania de ler os créditos de gravação dos bons discos (isso mesmo, discos – comecei a ouvir música no século passado, em vitrolas…) e CD’s conhecem Claus Ogermann. Com certeza sabem que ele assina os arranjos do antológico “Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim”, de 1967. Sabem também que trabalhando com artistas como Sammy Davis Jr., Barbara Streissand, Stan Getz, Oscar Peterson, George Benson, Bill Evans, Dianna Krall e mais uma lista enorme de estrelas, Ogermann tornou-se um dos maiores arranjadores do século XX. Foi indicado mais de 15 vezes para o Grammy, tendo ganho o prêmio em 1979.

 

Até aqui, nenhuma novidade. O que pouca gente sabe é que por volta de 1970 Ogermann resolveu dar uma guinada em sua carreira dedicando-se quase que exclusivamente à composição clássica. Foi durante um vôo de S. Paulo para Amsterdam que tive contato pela primeira vez com a “versão erudita” de Ogermann. Explico: dentre as várias opções do menu de música clássica “on demand” da KLM estava o álbum Works for Violin & Piano, com Yue Deng e Jean-Yves Thibaudet. Gostei de cara e após muita luta consegui o CD, graças a um colega holandês que fez a gentileza de encomendá-lo.

 

É música séria e consistente. Ogermann sabe escrever música de câmara e estabelece um diálogo muito equilibrado entre piano e violino. Das quatro peças do álbum, Nightwings (que pode ser encontrada no Ipod aí de cima) é a mais fácil de ouvir. Quase uma berceuse, muito melodiosa, é uma boa introdução às demais obras, mais densas, complexas e exigentes em termos de interpretação. São mais 3 composições: Sarabande-Fantasie, Duo lírico e Preludio and Chant. Deng e Thibaudet dão conta do serviço com bom gosto e classe. Gostei do jeito como tocam juntos, principalmente como trabalham a dinâmica.

 

Certa vez, Glenn Gould escreveu a Claus Ogermann: “I’ve been listening to your work almost obsessively. (…) This is very much my kind of music”. Penso da mesma forma e continuo ouvindo o Works for Violin & Piano sem parar neste julho chuvoso.

 

Claus Ogermann – Works for Violin & Piano

Yue Deng & Jean-Yves Thibaudet

Decca

Gravado no Capitol Studios, Los Angeles em 18 e 19 de fevereiro de 2006

Radiola 5 – Sugestão da Lígia

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Recebi esta sugestão de link através de um comentário da Lígia neste post. Ela é superfã da Ella Fitzgerald e nos indicou sua música favorita.

Maravilha de versão deste clássico, com Joe Pass na guitarra. Reparem na dinâmica (crescendo até o meio da música e dali por diante um suave decrescendo até o final) e no entrosamento dos dois. Pura música de câmara.

http://www.youtube.com/watch?v=jAoABuJS1MA

Radiola 4 – Dia dos namorados

sábado, 7 de junho de 2008

Pobre Gabriela. Se existe alguém que não é nada romântico, este sou eu. Quando se fala em dia dos namorados, por exemplo, me vem à cabeça a comemoração piegas, forçada, quase artificial. Não tem nada a ver comigo. Não sou de mandar flores, fazer supresas ou esconder bilhetinhos açucarados. Não apareço em casa com caixa de bombons, não fico fazendo declarações. Quando muito, me esforço para lembrar do aniversário de casamento e tento caprichar no presente.

Da mesma forma, não sou muito chegado aos compositores do Romantismo. Brahms, um pouco de Mahler, os concertos para violino da época, se, e somente se, tocados por intérpretes competentes. Talvez os quartetos para cordas de Schubert. É o que costumo ouvir daquele período. E olhe lá. Não desmereço os românticos com sua grande contribuição para a história da música de concerto. Apenas não gosto. Sou um cara mais Charles Ives, Hindemith, Janacék, Shostakovitch…Se é para relacionar música e amor, ouçamos então os impressionistas. E vivam Fauré, Debussy, Ravel e cia.! Ponto para os barrocos, que, pelo jeito, não eram tão preocupados com as coisas do coração.

Em se tratando de amor, prefiro expressar-me de forma mais sutil, inteligente e útil. Ficar com as crianças para ela poder sair com as amigas é prova de amor. Um cinema no meio da semana, uma receita especial, um cd bacana também. Por acaso comprei outro dia o ótimo “Songs for Distingué Lovers”. Para quem gosta de comemoração, este se presta bem à trilha sonora do próximo dia 12. Por que é um CD legal? Primeiro, porque é Billie Holliday. Segundo, porque o repertório são “standards” muito bem escolhidos. Irmãos Gershwin, Porter…Por último, Billie está acompanhada por um time de primeira que toca arranjos muito bonitos e bem acabados. Se você quiser conquistar, é trilha sonora elegante e de bom gosto.

Taí minha contribuição para os leitores apaixonados. E chega. Que já estou com coceira de falar tanto sobre amor…

Songs for Distingué Lovers – Billie Hiliday
Maioria das faixas gravadas nos estúdios da Verve em janeiro de 1957
Verve Records
Foto da capa: Burt Goldblatt

Radiola 3 – Asturiana (para o inverno…)

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A corda Dó. Grave e potente. Em minha opinião, é o que faz a grande diferença e confere à viola o timbre sorumbático e profundo que só ela possui. Kim Kashlashian sempre soube explorar com muita competência o grande potencial sonoro deste instrumento. É uma de minhas violistas preferidas e não decepciona neste “Asturiana”, onde toca acompanhada por Robert Levin. O pianista, que eu ainda não conhecia, foi uma grata surpresa. Existe uma grande diferença entre um acompanhador e um camerista. Levin faz parte do último grupo.

“Asturiana” é um CD com transcrições para viola e piano de canções espanholas e argentinas compostas por De Falla, Granados, Guastavino, Ginastera, Montsalvatge e Lopez Buchardo. Quero destacar a primeira faixa, que apesar de composta pelo espanhol De Falla, tem um gosto de Kódaly e Bartok que me emocionou. Música de Câmara pura, com uma pitada de melancolia. Trilha sonora perfeita para os dias nublados de inverno que estão por chegar.

Kim Kashkashian Robert Levin
Asturiana – Songs from Spain and Argentina
ECM Records GmbH
Gravado em agosto de 2006 no Radio Studio DRS de Zürich
Fotos: J.L. Godard e Julien Jourdes

Radiola 2 – Sonatas e Partitas para Violino solo de J. S. Bach

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Na minha opinião, as Sonatas e Partitas são a obra definitiva para violino solo (Os 24 caprichos de Paganini? Ah…apenas pirotecnia…). Com elas, Bach avançou pelo menos 2 séculos na história da escrita para violino. Polifonia pura. Grande dificuldade técnica; complexidade musical ainda maior. Foram compostas (ou pelo menos concluídas) na época em que Bach servia ao Príncipe Leopold de Cöthen. Mesmo período dos seis concertos de Brandenburgo, das seis Suítes para Violoncelo solo e outras obras primas.

Existem vários registros importantes, como por exemplo o de Natan Milstein (1973), celébre pela maturidade interpretativa. Eu gosto desta versão de Itzhak Perlman. Apesar de considerá-la levemente “romântica”. Perlman é Perlman, com sua sonoridade e clareza inconfundíveis.

Porém o mais interessante nesta gravação é que Perlman utilizou 2 violinos raríssimos: Nas Sonatas em Dó maior e Lá menor o Antonio Stradivari ‘Soil’ de 1714. Nas demais Sonatas e Partitas o Guarneri del Gesù ‘Ex Sauret’ de cerca de 1740. De forma que, para o ouvido interessado, é possível comparar as diferenças de sonoridade entre os violinos destes 2 maestros-lutaios italianos, tocados por um mesmo intérprete, em peças de uma mesma fase de um mesmo compositor. Oportunidade rara. Raríssima.
J.S. Bach – Sonatas and Partitas for Violin Solo
Itzhak Perlman – Violin
Gravado entre 1986 e1987 – Concordia College – Bronxville, New York
EMI

Radiola

sábado, 19 de janeiro de 2008

Aqui vai o primeiro post sobre uma das minhas maiores paixões: música clássica. Encontrei esta semana este CD fantástico com os 2 concertos de piano de Brahms por Nelson Freire (dispensa comentários) e a Gewandhaus de Leipzig com Riccardo Chailly. Muita gente diz que as madeiras das orquestras alemães são insuperáveis. Concordo. Mas, gostei especialmente dos metais nesta gravação. Equilibrados, sem exageros mas conferindo ao conjunto a dramaticidade necessária. E o melhor: a gravação é ao vivo. O que sempre prefiro nestes tempos de alta tecnologia.

Nelson Freire está lá com todo o vigor. Resolve bem as dificuldades técnicas do concerto, dando fluência e fraseado que muitos pianistas não conseguem. Uma interpretação que se impõe. Com elegância.

Chailly, correto e experiente como sempre, deixa a obra fluir livre e não tolhe a interpretação de Freire.

Quanto às obras, são dois marcos do Romantismo. E Brahms inovou em vários aspectos nestes dois concertos. A ponto de receberem uma recepção bastante fria do público e da crítica à época de suas respectivas estréias. Tecnicamente são extremamente difíceis e, na minha opinião, nem todos conseguem tocá-los com arte.

Pessoalmente, sempre gostei mais do primeiro concerto (apesar do segundo ser o mais “popular”). Em especial, da longa introdução do primeiro movimento (Maestoso), que é quase uma Sinfonia, e de todo o folclore que cerca o segundo movimento (Adagio). É que nesta época Brahms estava perdidamente apaixonado por Clara, esposa de seu grande mentor e incentivador, Robert Schumann. Brahms mais tarde confessou que o segundo movimento do Concerto em Ré Menor op.15 era uma “pintura apaixonada” de Clara…Mais romântico impossível!

Brahms – The Piano Concertos
Nelson Freire – Gewandhausorchester – Riccardo Chailly
Decca
Gravado ao vivo em Novembro de 2005 e Fevereiro de 2006
Amuse Bouche - Conteúdo alimentado por Rogério Moraes
Design; OPORTO design integrado