amuseBOUCHE

Para falar do que eu gosto...

DiárioReceitasVinhos & CiaDicas e AfinsDicionário

Arquivo da Categoria ‘Sem categoria’

Imagine a Cena

domingo, 7 de março de 2010

 

Domingo retrasado à noite, no carro com a Gabi, David (8) e Lucas (5), a caminho da nossa pizzaria favorita. David, torcedor fanático do Coritiba (um dia eu ainda entenderei o porquê…) fica bastante injuriado ao ouvir no rádio a notícia da derrota de seu time:

 

David: puxa vida, pai, o “coxa” tá uma m*rda!

Gabi: filho! Que é isto!?!? Um menino educado não pode falar assim!

 

3 segundos de silêncio.

 

Lucas: mãe, então pode falar que o “coxa” tá um “cocô de cavalo” ?

Gabi: é… “cocô de cavalo” acho que pode…

 

Mais 3 segundos de silêncio.

 

Lucas: mãe, “cocô de cavalo” é a mesma coisa que bosta, né?

Gabi: é, é…

Lucas: que é a mesma coisa que m*rda, né?

Eu e a Gabi: ?!?!?!?

 

Chá de Poltrona

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

 

Pode haver vantagem em passar horas a fio dentro de um avião? A menos que você seja piloto, poucas. Muito poucas. Para o passageiro há algumas alternativas para matar o tempo: é possível colocar em dia todos aqueles livros que estão parados em sua cabeceira, na fila para serem lidos. Na minha mesinha existem diversos. Mas levar vários livros torna a mala mais pesada. E eu só viajo com bagagem de mão, não importa o destino e a duração da estadia. Havendo lavanderia, me viro com uma mala apenas, que não pesa mais de 15 kg e vai sempre a bordo, com um livro apenas para toda a viagem.

Outra opção é assistir aos filmes a bordo. Depois de uns dois ou três, você não agüenta mais ver filme. E quando se vai para fora do Brasil pelo menos duas vezes por mês, com as mesmas KLM, British ou Air France, o repertório se esgota.

 Trabalhar no computador? Também é possível. Hoje as poltronas têm até tomada para carregar os aparelhos. O telefone não toca e ninguém interrompe. Uma hora e meia são suficientes para colocar tudo em dia e preparar relatórios, se necessário. O que fazer com as outras infindáveis horas de vôo? Jogar baralho. Com quem? Comer, dormir? Caminhar pelo avião? Haja criatividade.

Ler as revistas de bordo é a última opção. Geralmente são chatas e superficiais. Mas há boas surpresas. A edição de fevereiro da revista da KLM (Holland Herald), por exemplo, trouxe uma edição sobre design bem interessante. Às vezes aparecem receitas boas. Como este Parfait, que arranquei de uma revista da TAM. A preparação original pedia frutas vermelhas para a calda: morango, framboesa, cerejas e amoras. Entretanto resolvi aproveitar um saco de pitangas que colhemos ano passado e congelamos. Passei-as pela centrífuga e consegui uns 250ml de suco, bem concentrado. Funcionou muito bem, o sabor das pitangas, bem refrescante, levemente ácido, contrastando com a cremosidade. Foi uma descoberta. Acho inclusive que é uma boa “receita base”, facílima e que aceita variações com outros tipos de fruta: cajá, acerola, maracujá, talvez coco ou limão. Digna de fazer parte do “repertório” de sobremesas do dia a dia. O que me lembra que voar é aborrecido, mas vez ou outra tem lá suas vantagens…

 

parfait

 

Parfait de Pitanga

Adaptado da receita do chef Francisco Soares Neto, publicada na revista de bordo da TAM

 

Ingredientes:

 

- 2 claras de ovo.

- 2 xícaras de açúcar.

- 2/3 de xícara de água.

- 250ml de suco de pitanga, bem forte.

- Suco de ½ limão.

- 300g de creme de leite sem soro.

 

Modo de preparo:

 

1. Prepare uma calda com a água e o açúcar em ponto de fio. Deixe amornar.

2. Numa batedeira, bata as claras em neve e então adicione a calda morna, sem parar de bater, pouco a pouco. Deixe bater por 10 minutos.

3. Misture o suco de limão ao suco de pitanga e adicione às claras em neve, pouco a pouco, sempre batendo.

4. Desligue a batedeira e acrescente o creme de leite, misturando delicadamente.

5. Colocar em uma forma (uso as de pão de forma) e deixar no freezer por pelo menos 4 horas antes de servir.

Le Jazz Brasserie

sábado, 6 de fevereiro de 2010

 Passada a calmaria de janeiro, São Paulo vai retomando sua rotina: volta às aulas, mais trânsito ainda, corre corre, reuniões sem fim. Calor, chuva e alagamentos. Shopping Centers cheios e vagas escassas nos estacionamentos caríssimos. E longas filas nos restaurantes. Principalmente aqueles da moda, aos fins de semana. Mesmo “quase-paulistanos” tarimbados como eu fingem acreditar no tempo de espera prometido pelos gerentes e hostess no momento da chegada:

- Mesa para quantos, senhor?

- Duas pessoas.

- Ah! Para duas pessoas é rápido. Só uns quinze minutinhos. Seu nome?

Foi assim no último sábado. Chegamos ao Le Jazz Brasserie por volta das 13hs. A espera prometida era de “apenas” 20 minutos. Que se tornaram 30, 35, 40, 45, 50 minutos!

- Desde que a casa saiu na Vejinha, senhor, nosso movimento aumentou muito, disse o camarada que nos recebeu.

Sei. Entendo. Mas por que não ser sincero com o cliente? Por que não informar o tempo real para se conseguir uma mesa? Aguardar na calçada pelo menos serviu para observar como meu carro foi tratado pelos manobristas. Após pegarem a chave tiraram o carro da frente do restaurante. Achei que fossem direto para o estacionamento. Enganei-me. O rapaz deixou o carro na rua, a uns quinze metros da porta, com o pisca alerta ligado. Fiquei quieto para ver o que aconteceria. Olhei o relógio. Vinte minutos depois, um dos manobristas foi até o carro e finalmente levou-o até o estacionamento. O procedimento se repetiu com veículos de outros clientes.

lejazz1

Mas se a chegada ao Le Jazz Brasserie foi bagunça e desatenção, os momentos seguintes foram bastante agradáveis, compensados por comida boa, bem feita e de custo x benefício interessante. Acho que acertam muito em alguns aspectos: detalhes como a garrafa de água que é colocada na mesa e não é cobrada, bem ao estilo “carrafe d’eau” dos bistrôs da França; o papel que forra as mesas, com fotos de grandes astros do Jazz; o pão do couvert que vem quentinho. E pontos importantes como o serviço – atento naquele sábado (interessante que trabalham com pouca gente no salão, bem ao estilo europeu); a disponibilidade de vinhos em ½ garrafa e, sobretudo, os pratos. Todos os que pedimos atenderam às expectativas e arrancaram hummmsss da Gabriela. Saímos mais felizes do que entramos. E é isto que importa para nós quando saímos os dois, sem as crianças, nos raros breaks de fim de semana. Vamos voltar. Destaques abaixo:

lejazz2

Le Jazz Brasserie

- Localização: Rua dos Pinheiros, 254 (fone 11 2359 8141). O lugar é meio contramão para mim. Acho a Rua dos Pinheiros muito movimentada, meio bagunçada. Por isto resolvi experimentar o restaurante num sábado, na esperança do trânsito ser menor.

- Estacionamento: o esquema é muito ruim, como já contei acima. Fique esperto se for de carro.

- Ambiente: pequeno, mas movimentado e “pra cima”. 36 lugares. Decoração com motivos de Jazz e alguns instrumentos de sopro atingos. Mesas bem juntas umas das outras, no jeitão francês de bistrô.

- Banheiros: bem pequenos (sabe banheiro de avião?), mas pelo menos bem mais limpos que os dos restaurantes de Paris.

- Couvert: bem simples, pão, manteiga, jarra de água ( R$ 4,50). Quer saber? Muito honesto.

- Comida: bem, aqui começa a ficar muito interessante. Começamos com uma Terrine de Campagne que veio bastante suave, com ótima textura, acompanhada de cornichons (R$ 12). Como prato principal, escolhi o Steak Tartare (R$ 27,50) que estava temperado na medida, a carne picada e não moída (como deve ser) e batatas fritas grossas, feitas na casa (sim, isto está virando raridade. Muitos restaurantes já se renderam às batatas pré fritas, processadas e congeladas). A Gabi aprovou o Camembert empanado com mel, pimenta e torradas (R$ 22,50), acompanhado de salada. De sobremesa um Clafoutis de Cereja (R$ 12,00), muito leve, assado na hora, sem excesso de açúcar e com mais fruta do que massa, que fechou com chave de ouro nossa tarde.

lejazz3

- Bebidas: uma carta de vinhos enxuta, condizente com a proposta de bistrô. Vinhos em taça de R$ 8,00 a 18,00. Angelica Zapata Malbec por R$ 135, 00 a garrafa. Alamos Malbec ½ garrafa por R$ 25,00.

- Serviço: bem simpático, com poucos garçons. Mas apesar da simpatia a comida naquele sábado um pouco a chegar.

Mais sobre Levain - Capítulo 2

sábado, 16 de janeiro de 2010

 

Já contei neste post sobre algumas de minhas aventuras com pães de fermentação natural e o desafio de manter vivo o fermento durante minha ausência de fim de ano.

Passados quase vinte dias, acabo de chegar, ansioso por descongelar o Levain, seguindo as dicas do Rogério Shimura. O pote manteve-se bem no freezer durante o período, duro feito pedra. Já  o coloquei na geladeira. Vou esperar que descongele para começar a realimentação do bicho. Vamos ver no que dá…

 

levain3

 

O inusitado foi que eu também passei por um “congelamento”, não na cozinha, mas em Londres. A nevasca da última semana fez com que eu perdesse o vôo e alguns compromissos. Graças ao Eurostar, consegui fugir da Inglaterra para o Continente via trem. Sobrevivi. Espero o mesmo para meu levain.

london1

Nos trilhos

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

 

É passeio para ser feito uma vez na vida e nada mais, do tipo “férias em família”. Mas vale a pena descer a Serra do Mar de trem até Morretes. É a segunda atração turística mais visitada do Paraná, atrás apenas das Cataratas do Iguaçu.  A viagem começa em Curitiba, onde o embarque é feito na rodoferroviária. Melhor escolher os “vagões executivos”. Apesar de mais caros (R$ 89,00 adultos e R$ 45,00 crianças), há maior espaço entre as poltronas, refrigerantes e cerveja à vontade (um lanchinho “de avião” também, mas vamos pular esta parte). Além disso, guias turísticos bilíngües, muito bem treinados, que comentam toda a viagem, chamando a atenção para os pontos mais interessantes do percurso.

 

Segundo a simpática Carol, responsável pelo nosso vagão, a ferrovia começou a ser construída em 1880, projeto inicial dos irmãos Rebouças. São 110km de descida de serra, 30 pontes e 13 túneis, partindo de 934m acima do nível do mar. O objetivo inicial da obra era integrar o litoral paranaense a Curitiba, permitindo o desenvolvimento econômico da região.

 

 

carol

 

Coloquei as Bachianas Brasileiras n°2 de Villa-Lobos no Ipod e comecei a curtir a viagem…

 

Cruzando o trecho de mata atlântica mais preservado do país.

 

trem1

 

Represa Caiguava: a chaminé, agora dentro d’água, era de uma antiga olaria.

 

represa

 

Bromélias.

 

bromelias

 

 

Hortênsias ao longo dos trilhos. Não são espécies nativas e foram plantadas para a visita inaugural de D. Pedro II (que nunca aconteceu). Era uma de suas flores preferidas.

 

789

  

Rio Ipiranga. Não, não é o riacho da independência…

  

rioipiranga

 

Na Serra do Mar.

 

serradomar

 

Ponte São João, a 55m de altura. Foi projetada no Brasil e construída na Bélgica.

 

ponte-sao-joao

 

 

Pico do Marumbi.

 

marumbi

 

Após umas 3 horas de viagem, vamos chegando a Morretes, num calor úmido e insuportável. Nossa guia insiste: não dá para ir embora sem provar o prato mais famoso da cidade, o Barreado. Como é que é?!?? Comer Barreado em Morretes num calor de 40°C?!? Isto eu como é na casa meu sogro em Guaratuba, à beira da piscina. Ele faz o melhor barreado que conheço e, ainda por cima divide a receita, passo a passo:

 

Em tempo - dizem que o termo “barreado” vem da forma com que se fecha a panela de barro durante o cozimento: faz-se um “barro” de água + farinha de mandioca que é colocada ao redor da tampa para vedar a panela. Meu sogro garante que não é necessário, mas nesta receita fizemos questão utilizar a técnica, para honrar a tradição.

 

Barreado do Sogro

 

Ingredientes:

 

- 200g de manteiga.

- 3 cebolas grandes picadas grosseiramente.

- 500g de toucinho ou bacon picado em cubinhos.

- 1kg de músculo limpo e cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 2kg de coxão duro cortado em cubos de aproximadamente 3cm.

- 500g de massa de tomate (ou uns 6 tomates bem maduros, sem pele, sem semente e picados).

- 1 colher de sopa rasa de cominho.

- Água ou caldo de carne (preferência do sogro) o quanto baste.

- Sal o quanto baste.

Para vedar a panela: farinha de mandioca e água misturados numa papa bem firme.

 

Modo de Preparo:

 

1.  Aqueça bem um panelão de barro (tem que ser de barro!) e derreta a manteiga.

  barreado1

 

2. Acrescente a cebola e o toucinho, misture e refogue até que a cebola fique transparente.

 

barreado2 

 

3. Junte a carne misturando bem e cozinhe por cerca de 5 minutos.

 

barreado3

 

 

 

4. Acrescente a massa de tomate e o cominho. Misture e cubra com o caldo de carne.

 

 833

 

5. Quando começar a ferver tampe a panela (vede com a massa de farinha se quiser, mas garanto que não precisa!) e deixe cozinhar por cerca de 4 a 5 horas ou até a carne ficar bem macia, desmanchando.

6. Com uma colher de pau, desmanche toda a carne na própria panela e deixe conzinhando para encorpar por cerca de mais meia hora. Acerte o sal e sirva acompanhado de farinha de mandioca e banana assada.

 

barreado5

 

Mais informações sobre o passeio de trem: www.serraverdeexpress.com.br

Mais sobre Levain - Capítulo 1

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

 

Desconfio que haja uma confraria destinada a incentivar os novatos que se aventuram pelo mundo dos pães de fermentação natural. Se ela é secreta ou não, desconheço. O fato é que desde que comecei a criar meu próprio fermento, recebi dicas valiosas. Foram conselhos, e-mails, comentários aqui no AmuseBouche e indicações de leitura que me ajudaram a acertar na faina de misturar, amassar e assar algo decente.

 

Aos poucos fui pegando o jeito e encontrando macetes que nada mais são do que o somatório das dicas que recebi adaptadas à minha rotina, minha cozinha e meu forno. Descobri a melhor marca de farinha, os melhores intervalos entre uma sova e outra e a forma correta de alimentar o fermento. Aprendi a respeitar o tempo. O resultado são pães cada vez melhores: casca mais crocante, massa mais leve, complexa e aromática.

 

Mas vieram as férias e com elas um novo problema apareceu. Quem vai cuidar do meu levain nos próximos dias? Pedi socorro neste post do Luiz Américo. Recebi algumas boas sugestões: secar, superalimentar ou congelar o fermento. Optei pelo congelamento, seguindo a recomendação do Rogério Shimura. Me pareceu tão prático quanto seguro. Desde o dia 24 o pote está no freezer, em total estado de hibernação, do qual acordará (espero eu…) apenas no dia 17 de janeiro. Prometo relatar todo o processo de “ressuscitação” assim que ele terminar. Aguardem os próximos capítulos.

 

Enquanto isso, em honra à suposta Confraria, divido abaixo o meu aprendizado com vocês:

 

Como acomodo o processo à minha rotina: preparo o pão sempre de sexta para sábado. Combino com a Patrícia e ela tira o pote fermento da geladeira por volta das 16hs. Mais ou menos às 19hs começo a preparar a massa, seguindo a receita do Pain de Campagne da Nina, mas no processo de sova da Anissa Helou: misturo todos os ingredientes menos o sal. Aguardo 15 minutos. Acrescento o sal e sovo por 3 minutos. Aguardo mais 15 minutos. Sovo mais 3 minutos. Aguardo mais 15 minutos. Sovo por mais 3 minutos e deixo a massa descansar e crescer até o dia seguinte. Às 5 ou 6hs da manhã do sábado, sovo a massa rapidamente, dou forma e já coloco na panela esmaltada em que o pão vai ser assado. Aguardo umas 2 horas até que a massa cresça e asso conforme a indicação da receita. Entre 9 e 10hs o pão está tinindo para o café da manhã.

 

Como alimento (refresco) o fermento: duas vezes por semana, às sextas e terças. Sempre usando água mineral e farinha de trigo integral orgânica. Mantenho sempre 400g de fermento. Para alimentar descarto 200g e acrescento ao que sobrou 100g de água mineral e 100g de farinha integral. Misturo, tampo o pote e guardo na geladeira.

 

A farinha que eu prefiro: A Farinha de Trigo Especial Fleischmann, especial para pães. Na falta desta a Dona Benta quebra o galho, com resultado inferior.

 

Apetrechos: uma balança eletrônica (indispensável), um bowl de aço inox bem grande, uma espátula de plástico para misturar a massa no começo, uma panela grande de ferro esmaltado para assar, paciência + paciência + paciência (indispensável). Termômetro para forno: ainda não tenho mas está na lista. Meu forno é traíra mas já sei como lidar com ele…

 

Para comer nos dias seguintes: QUANDO sobra, costumo guardar o pão dentro de um saco plástico. Assim a perda de umidade é menor. Gosto de cortar em fatias que aqueço no forninho elétrico

Nano break

sábado, 5 de dezembro de 2009

 

De uns três meses pra cá, minha vida corporativa tem engolido minha vida privada. E também a criatividade e o ânimo de cozinhar. 2009 tem sido um ano particularmente complicado. Muitas mudanças num cenário de novos problemas que têm exigido soluções radicais e nada ortodoxas (parece verborragia de consultoria externa? Você não sabe as baboseiras que venho ouvindo ultimamente!). Para explicar a cara sisuda com que às vezes chego em casa (agora mais tarde do que antes), digo à família que estou cursando um  “MBA prático de sobrevivência nas crises, com ênfase em fusões e aquisições”. Da última vez que vim com esta desculpa esfarrapada, a Gabriela respondeu que todo MBA também tem férias. E exigiu com todo o direito e razão, que tirássemos, só nós dois, pelo menos uns três dias de “férias”. Longe do trabalho e de São Paulo. Achei ótima a idéia, afinal, sou marido mandado (sorriso amarelo).

 

Ilhabela foi o destino escolhido. A idéia era evitar aeroportos e aproveitar o calor, que, aliás, estava insuportável. Quem inventou o ar condicionado merece uma estátua no centro de Ilhabela. E quem descobriu o repelente tem, no mínimo, que virar nome de avenida por lá.

 

Ficamos hospedados no “Solar Singuitta”, que fica bem ao sul da ilha, a uns dois quilômetros do final da estrada de asfalto. A pousada, que faz parte dos “Roteiros de Charme”, é excelente. Serviço nota 10, quartos grandes, com decoração caprichada, cheios de bossa: hidromassagem, sais de banho e todos aqueles detalhes que mulheres adoram e a gente curte também. Tudo com vista para o mar e péssimo sinal de celular, mantendo o Blackberry quieto, praticamente morto. A foto abaixo foi tirada da varanda de nosso quarto.

 

 

ilhabelaquarto2

 

Não nos animamos a perambular pela ilha. Estávamos cansados e havia muito papo para colocar em dia. Resolvemos aproveitar a piscina da pousada, linda e com um wet-bar muito convidativo. Conversa, caipirinha, leitura, caipirinha, petiscos, caipirinha… pra que mais?

 

Estando por lá, porém, não poderíamos deixar de ir ao Marakuthai da jovem e já famosa Renata Vanzetto. Dizem que é parada obrigatória e nós, que adoramos comida oriental, precisávamos conferir. O lugar é realmente bacana, despojado, com decoração original. Do salão é possível ver a cozinha funcionando e o vai e volta da brigada. Fomos bem atendidos, mas é preciso chegar cedo: a partir das 20hs começa a chegar muita gente e há uma considerável fila de espera, o que faz o atendimento ficar um pouco mais confuso, ou melhor, desatento. Quanto à comida, muito gostosa e bem executada. Não se trata de um tailandês convencional, não há Tom Kaas, Phad Thais e Phopias. Na minha opinião, os pratos são todos releituras ou invenções (muito criativas) inspiradas na cozinha tailandesa. Penso que vem daí o nome “Marakuthai”: as receitas são “maracutaias” da culinária Thai.

 

Começamos com uma porção de bolinhos cremosos de camarão que não fizeram feio. Depois dividimos uma ótima salada (não me lembro o nome) com agrião e harussame. Sabendo que íamos dividir, o garçom trouxe a salada já servida em dois pratos. Muito conveniente e atencioso. Gostei tanto que tentei repetir em casa (veja a minha versão da receita e respectiva foto abaixo). Como prato principal, o Beef Curry  Vermelho com arroz jasmin e farofa de banana. Ressalva número 1: Separados o Beef Curry e a farofa de banana estavam ótimos. Juntos, achei que não ficou legal: um prato adocicado + um acompanhamento adocicado = tudo muito adocicado. Ressalva número 2: o arroz jasmin estava cozido além do ponto, além de ter sido temperado com sal, o que eu acho uma pena. O sal encobre todo aroma e sutileza deste tipo de arroz. Pulamos a sobremesa por total falta de espaço no estômago e saímos felizes com o jantar, que encerrou bem as nossas microférias. Resta agora experimentar o “Marakuthai” de São Paulo. Já está anotado na agenda e vai ser antes das próximas férias. Até porque, do jeito que a coisa anda, tão cedo elas não devem vir…

 

salada-marakuthai3 

 

(tentativa de) Salada “Marakuthai”

 

Ingredientes para a salada (2 pessoas):

 

- 1 ninho de “Harussame” (macarrão de glúten de feijão).

- ½ cenoura ralada.

- ½ pepino japonês cortado ao comprido e então fatiado fino (em meias luas).

- 1 colher de sopa de cebolinha picada.

- 1 punhado de folhas de agrião.

- 1 punhado de folhas de coentro (pra quem gosta).

- 1 filé de peito de frango temperado com sal e limão, grelhado e cortado em cubinhos.

 

Ingredientes para molho:

 

- Suco de meio limão.

- 1 colher de sopa de gengibre ralado.

- 1 colher de sobremesa de açúcar mascavo.

- 1 colher de sopa de Nampla.

- 2 colheres de sopa de Shoyu.

- Algumas gotas de óleo de gergelim.

- Pimenta dedo de moça picada (opcional).

Misturar todos os ingredientes acima.

 

Para enfeitar:

- gergelim claro e escuro.

 

Modo de Preparo:

 

1. Cozinhe o harussame em água fervente abundante até que esteja macio (fique de olho: cozinha rápido). Escorra o macarrão e deixe de molho em água gelada por uns 5 minutos. Escorra e corte em pedaços de aproximadamente 10cm. Reserve.

2. Numa tigela, misture todos os ingredientes da salada (inclusive o harussame). Se gosta de salada bem gelada, deixe por pelo menos 1 hora na geladeira.

3. Ao servir, regue com o molho e enfeite com gergelim.

 

Pousada Solar Singuitta

Av. Gov. Mário Covas Jr, 14500 - A
CEP 11630-000 - Itapecerica - Ilhabela – SP
Tel: (12) 3894-1414 / 3894-9164
E-mail: reservas@pousadasolarsinguitta.com.br
www.pousadasolarsinguitta.com.br

 

Restaurante Marakuthai

Ilhabela - Tel: (12) 3896-5874

www.marakuthai.com.br

Trans o que?!?

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

 

Flagrante desta manhã: vinha eu em ritmo de tartaruga no trânsito da Rodovia Raposo Tavares, quando surgiu o veículo da foto abaixo. Não resisti fotografar (pelo menos para isto os celulares prestam).

 

O que será que um caminhão baú da “Transbarriga” carrega? Pork belly? O famoso personagem do “Chaves”? Grávidas? Bebedores inverterados de chopp? Ou uma carga de Atroveran?

 

Alguém arrisca um palpite?

 

transbarriga2

Dusseldorf, domingo, trabalho e chuva

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

 

O que há para fazer em Dusseldorf, num domingo chuvoso, à noite? Se como eu, você tiver passado o dia inteiro sentado em reuniões, mesmo com chuva vai querer caminhar um pouco, beber uma cerveja e comer qualquer coisa que não seja comida de hotel.

 

Saia para a Altstadt (a “cidade velha”) e chegando lá procure pela Bolkerstrasse. É uma rua de pedestres com uns restaurantes moderninhos, outros caretas, barzinhos de tapas españolas (está na moda), disco clubs onde se fuma shisha e típicas choperias alemãs(Brauhaus). Após caminhar uns 400 metros, preste atenção: você verá à esquerda uma lanchonete muito simples, estilo “pé sujo”, mesas na calçada (organizadamente, afinal estamos na Alemanha) com uma fila enorme na porta: trata-se da Schweine Janes. Há um bom motivo para a fila. Ali serve-se um Schweinehaxe (como traduzir? …paleta de porco, talvez?) excepcional. Temperado na medida, pele crocante, carne suculenta. Tudo graças a uma grelha giratória, tipo “televisão de cachorro”, muito bem pilotada e suprida de belos cortes de suínos. Para acompanhar, as opções típicas: salada de batatas, salada de repolho, pão e cerveja, é claro. Sem frescura, delicioso e a preços muito convidativos.

 

schweinejanes3

 

 

Caso ainda assim você titubeie, sugiro resistir à tentação de ir até o final da rua. Não há muito o que preste. Vá por mim. Tome uns pingos de chuva na cabeça, entre na fila do Schweine Janes e aguarde a sua vez. A recompensa, em forma de comida alemã, vale a espera e apaga as mazelas de um fim de semana inteiro de trabalho!

 

 

schweinejanes4

 

Schweine Janes

Bolkerstrasse 13 – Dusseldorf – Germany

Tel.: 0211 13 14 49

Vai mexer com quem está quieto…

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Por ficar fora do Brasil pelo menos uns 15 dias por mês, eu tento ser um “pai que participa”. Vou a festinhas de criança (aaaargh!), jogo bola com os moleques (quando o joelho permite), brinco de Lego, Jenga, Jogo da Memória. Dou banho, penteio o cabelo, ajudo na lição de casa. Nos fins de semana, faço ovo quente para o café da manhã. Agüento os Backyardigans, ouço o CD do High School Music, curto Charlie & Lolla. Acompanho também as mais bizarras partidas de futebol no PFC (do tipo Atlético de Itabaiana versus Cabofriense) junto com o David, já que ele tem um fanatismo por futebol que não consigo identificar entre meus genes. Reuniões de Pais e Professores? Procuro não perder. No último sábado, voltamos de uma delas trazendo um colega das crianças, o Cauê, para passar a tarde lá em casa. O pequeno é uma figura. Divirto-me com o jeitão descolado e seus comentários, inusitados para um menino de 6 anos. Na mesa do almoço, vi que ele estava com um anelão tipo dark-metal no dedo anular da mão esquerda. Resolvi implicar:

 

Eu: Cauê, tou vendo este anel aí na sua mão… não sabia que você era casado…

Cauê: Eu?  Tá louco, tio?!?

Eu: É! Com esse anel aí acho que você casou com a Juliana.

Cauê: Viajou, tio. Aquela garota é a maior mala! Mas eu tenho uma namorada lá no condomínio.

Eu: Ah entendi… por isso você usa esse anelão. Você é casou com ela, né?

Cauê: Eu não!

Eu: Sei… mas se você for casar, me convida para o casamento?

Cauê (meio sério, meio debochado): bom… até convido, tio. Se você estiver vivo até lá…

 

Amuse Bouche - Conteúdo alimentado por Rogério Moraes
Design; OPORTO design integrado