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Arquivo da Categoria ‘Sopas e Caldos’

Papaçordas

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

 

Gabi e os meninos embarcaram para o Brasil anteontem, para as férias de fim de ano. Por causa do trabalho, só poderei ir uma semana depois. Cá entre nós, no fundo, no fundo, ficar sozinho por pouco tempo (só por pouco tempo) é bom! A gente se sente um pouco como Kevin McCallister em “Esqueceram de Mim”. Com a vantagem de que não há Joe Pesci e Daniel Stern para atrapalhar…

 

Portanto eis pela frente um fim de semana inteiro e mais 4 noites para:

 

- Ouvir o concerto para violino e orquestra de Penderecki no volume em que eu quiser.

- Dormir com a TV ligada e acordar às 4 da manhã para desligá-la.

- Baixar antigos CDs para o Ipod.

- Comer todo o tipo de cogumelo que encontrar (quer dizer… quase todo tipo… alguns servem para outros fins não muito ortodoxos).

- Comer spaghetti alle vongole.

- Comer spaghetti a la putanesca (com mais anchovas do que o normal e bem apimentado).

- Malhar ao meio dia do domingo.

- Organizar decentemente as fotos de nossas viagens.

- Tomar vergonha e escrever uns posts para este blog.

- Testar novas receitas e alquimias.

 

E no quesito “novas receitas” há tempos eu queria experimentar uma “açorda de bacalhau”. Trata-se de um típico prato português – basicamente bacalhau misturado com pão ensopado – que não vi em restaurante nenhum no Brasil. Como de costume, fui procurar a receita nos livros que tenho por aqui e também na net.

 

E acabei descobrindo uma outra açorda, mais singela e regional, a “açorda alentejana”: À primeira vista uma sopa tão simples que a gente acha que o prato não deve ter graça nenhuma. Puro engano. A receita é centenária, tradicional, engenhosa, descomplicada, de ingredientes comuns e baratos. Deliciosa e aconchegante, foi a melhor descoberta deste inverno. Quase uma epifania que fez minhas raízes portuguesas despertarem neste sábado frio da China. Quando o resto da “família McCallister” (ou melhor, Costa Oliveira) voltar a Shanghai em janeiro, tenho certeza de que vão adorar.

 

Açordaedited

 

Açorda Alentejana

(para 2 pessoas)

 

Ingredientes:

 

- 600ml de água.

- 2 ovos

- 2 dentes de alho

- um bom punhado de coentro

- Azeite de oliva o quanto baste (aprox. umas 6 colheres de sopa)

- Sal o quanto baste.

- 6 fatias de pão dormido.

 

Modo de Preparo:

 

1. Num pilão, macere o alho, o coentro (guarde algumas folhas para enfeitar) e o azeite com uma pitada de sal (se preferir use o processador). Reserve.

2. Disponha 3 fatias de pão em cada prato de sopa.

3. Pocheie (escalfe) os ovos por 3 minutos na água fervente com sal a gosto (eu acrescentei umas gotinhas de vinagre – o que sempre faço quando preparo ovos pochê – mas não faz parte da receita tradicional).

4. Coloque um ovo em cada prato, sobre as fatias de pão.

5. Acrescente o alho e o coentro macerados no azeite à água em que foram escalfados os ovos. Acerte o sal. Despeje este caldo cuidadosamente em cada prato, sobre as fatias de pão. Se desejar regue com mais um fio de azeite. Enfeite com folhas de coentro e sirva imediatamente.

 

 

 

Respondendo à Analu

domingo, 18 de novembro de 2012

Dia desses recebi o seguinte comentário aqui no AmuseBouche:

 

Oi Rogério,

Curto muito seu blog, parabéns! Faz pouco tempo que me aventurei a cozinhar. Trabalho o dia inteiro, então não tenho muito tempo. Me animei a fazer o risotto mas tenho uma dúvida: o que é um “bom caldo”? Um caldo de boa marca? Posso usar os cubinhos tipo caldo knorr?

Beijos,

Analu

 

Perguntinha capiciosa, hein Analu?!

 

Respondendo de uma forma bem direta: sim, dá para se fazer risotto com caldo em cubinhos! E que atire o primeiro rolo de macarrão quem nunca, mas nunca mesmo, usou caldo Maggi no Risotto. Porém… se você fizer o caldo em casa, o resultado será muito melhor (grifado mesmo, porque a diferença é grande).

 

Como fazer o caldo? Bem, há assuntos controversos na culinária e o preparo de caldos é um deles. Cada cozinheiro tem seu método, suas convicções, suas manias. Há receitas aos montes na internet. Então, para não chover no molhado, me limito a dividir com você algumas dicas interessantes e o que funciona na minha rotina (o que não necessariamente vai funcionar com você…). É o seguinte:

 

1) Toda vez que eu tenho convidados ou a ocasião é importante preparo o caldo de forma tradicional, com toda a pompa e circunstância. Se caldo de legumes, carne, frango ou peixe, depende do risotto que vou fazer. Receitas? Existem várias, das simples às complicadas demais. Pesquisei e achei este link aqui, que é bem didático e básico. Se for se aventurar, comece por aqui. Não tem como errar: www.comercomer.co/2012/04/26/como-fazer-caldo . Depois de algumas tentativas você vai achar a maneira que mais lhe agrada e fazer as suas próprias adaptações.

 

2) Na dúvida, caldo de legumes se adapta a quase qualquer receita. E pode ser usado em sopas também…

 

3) Tem gente que faz o caldo de forma clássica, numa quantidade maior e congela em forminhas de gelo. Depois coloca os cubos de caldo congelado em um saco plástico no freezer e vai usando conforme a necessidade. Não funciona pra mim, mas é uma ótima idéia. Atenção nunca deixe o caldo na geladeira por mais de 1 dia. Nunca. Caldo estraga muito rápido na geladeira.

 

4) Tem gente que junta ao longo da semana aparas de legumes e verduras. Quando obtém uma quantidade razoável, acrescenta mais alguns legumes e prepara o caldo. Veja este post. Se você puder organizar a rotina, funciona.

 

5) No dia a dia, quando a não há muito tempo e a vontade de comer risotto aperta, faço o que chamo de “caldo rápido” com os legumes que nunca faltam na geladeira: alho, cebola, tomate, cenoura + algumas ervas e especiarias que sempre tenho à mão. A base não muda nunca e se há mais vegetais disponíveis, acrescento também. O preparo é simples: pico tudo rapidinho e coloco na àgua fria. Quando a fervura levanta abaixo o fogo e tampo a panela, cozinhando por uns 20 a 30 minutos no máximo. Tá desenhado aí em baixo, para não restarem dúvidas:

 

 

 

6) Aproveito parar dividir com você o “caldo chinês”, que aprendi aqui em Shanghai. Pode ser usado como base em várias sopas, é comida para mulher que amamenta aqui. E com wontons, levanta qualquer defunto. Muita gente costuma quebrar um ou dois ovos no caldo fervente, misturando bem e tomando como sopa:

 

- 1 peito de frango + 4 asas de frango.

- Meio gengibre descascado e fatiado (fatias de aprox. 3mm).

- Um maço de cebolinha.

- 4 colheres de sopa de Chinese Yellow Wine (Huang Jiu, substitua por saquê, em último caso).

- 2 colheres de sopa de molho de soja.

- Sal, se necessário. Pimenta branca moída, se quiser.

 

Modo de preparo:

Coloque numa panela o frango, o gengibre, a cebolinha e o Huangjiu. Cubra com água fria e leve ao fogo baixo. Deixe ferver, sempre em fogo baixo, até que o frango esteja bem cozido. Retire o frango (use para outras preparações), descarte o gengibre e a cebolinha, e tempere com o molho de soja, o sal e a pimento. Se quiser pode colocar algumas gotas de óleo de gergelim.

 

Por último (estou parecendo um tio velho dando conselhos, não é?), lembre-se de que o importante é cozinhar, ter prazer em fazer, comer e, se possível dividir (que é o melhor!). Vá com paciência, na tentativa, erro e acerto. Sendo que o erro e o acerto é o que VOCÊ achar que ficou bom. Está se multiplicando por aí uma classe de foodies xiitas, gourmets-moleculares-pseudo-entendidos, gente aborrecida e purista que fala de cozinha para aparecer. Não caia na conversa deles!

 

Disaster Proof

domingo, 5 de julho de 2009

Desastres acontecem na minha cozinha. Mais freqüentemente do que conto por aqui. Anteontem resolvi bolar um couscous com legumes assados. Muito fácil, não tinha como dar errado: picar abobrinha, tomates cereja e pimenta cambuci (chapéu de padre), regar com azeite + sal + alho e levar ao forno. Depois misturar com couscous hidratado com caldo de legumes bem quente e salpicar hortelã. Ficou horrível. Sem gosto e sem textura. Acabamos pedindo uma pizza.

Era preciso tirar a má impressão no jantar seguinte e o frio me lembrou desta receita à prova de erros: Pasta e Fagioli é um típico prato-família na Itália. Não existe uma “fórmula tradicional”. A preparação varia de mamma para mamma, de região para região e depende muito dos ingredientes disponíveis. Conheço, por exemplo, uma outra maneira de se fazer, onde o feijão é batido com os legumes, como se fosse um creme, que experimentei em Verona.

Desta vez aproveitei uns fagioli lamon que trouxe da Itália na última viagem. Orgânicos e cultivados no Piemonte, são uma variedade de Fagioli Borlotti ovalada e rajada de marron. Têm um sabor muito peculiar, um pouco tostado, lembrando nozes. Guardei um punhado de caroços para plantar. Vamos ver se vingam… No dia a dia, é claro que utilizo qualquer feijão marrom que fique graúdo e firme quando cozido. E a pasta que estiver disponível na despensa. Como boa comfort food, a Pasta e Fagioli depende mais do carinho com que se prepara do que do rigor e origem dos ingredientes.

pasta-e-fagioli-004

Uma Versão de Pasta e Fagioli

Ingredientes:

- 150g de feijão do tipo graúdo (utilizei o italiano lamon, mas até o mulatinho serve…).

- ½ cebola picadinha.

- 2 dentes de alho picadinhos.

- 1 talo de salsão picadinho.

- 4 colheres de sopa de azeite de oliva.

- 1 lata de tomate pelado, picado.

- 1 folha de louro.

- 1 ramo de alecrim fresco.

- 1 litro de caldo de galinha.

- 2 bons punhados de macarrão curto (utilizei serpentini de grano duro).

- 1 pitada de pimenta tipo calabresa (opcional).

- Sal e pimenta do reino moída o quanto baste.

Modo de preparo:

1. Numa tigela, deixe os feijões de molho em água por cerca de 12 horas. Após este período, escorra a água, coloque os feijões em uma panela, cubra com água e cozinhe até que estejam macios, porém firmes. Reserve.

2. Em uma panela, coloque o azeite, a cebola, o alho, o salsão e o louro. Refogue, mexendo de vez em quando, até que a cebola esteja transparente.

3. Acrescente o tomate pelado picado, os feijões e o ramo de alecrim. Refogue por cerca de 3 minutos.

4. Acrescente o caldo de galinha. Quando começar a ferver, acrescente o macarrão. Cozinhe com a panela tampada, em fogo baixo, até que o macarrão esteja cozido.

5. Acerte o sal, coloque a pimenta do reino moída e a pimenta calabresa (opcional).

6. Se quiser, polvilhe parmiggiano ralado ao servir.

Nota: Com esta sopa bebemos o Senhorio de Nava Reserva 2004, um Ribeira del Duero que comentei neste post. Ele não se mostrou tão exuberante quanto eu esperava, mas é um vinho bastante elegante, equilibrado, de corpo médio, com notas de madeira e louro que, em tese combinariam bem com a Pasta e Fagioli. Acontece que este prato tem sabor bem delicado, eu não carreguei no tempero nem salguei demais, pois queria mesmo o sabor dos vegetais. O vinho, apesar de gostoso, ficou um pouco “over” na harmonização.

Comunicação…

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A coisa começou assim:

- Alô, Patrícia, é o Rogério. Tem alho aí em casa?

- Tem bastante, seu Rogério.

- Então me faça um favor: encha de água a panela para macarrão e deixe em cima do fogão. Pique um punhado de salsinha bem picadinha e descasque uns 4 dentes de alho. Depois fatie bem fininho. Quando a Gabi voltar do trabalho vamos fazer um spaghetti ao Aglio e Oglio. Daqui a pouco estou chegando em casa e gostaria que você me ajudasse com as muletas, tá? Obrigado.

- Tudo bem, seu Rogério.

Desci do táxi, subi as escadas (de bunda!) e fui falar com as crianças, que já estavam de volta da escola. Não pude deixar de notar o cheiro forte de alho que impregnava toda a casa. Pensei comigo mesmo: puxa, que qualidade de alho é esta que está cheirando tanto… são só quatro dentes picados, por que este cheiro tão forte?!?

Horas depois fui para a cozinha com a Gabriela. Conforme o costume, desde que me acidentei ela pilota fogão e eu fico sentado por perto, uma taça de vinho na mão, dando as instruções:

- Gabi, abre a janela. Tá um cheiro de alho aqui…Pega a panela média, bota um pouco de azeite, por favor. Quando esquentar vira este alho que está fatiado aí neste pote.

- Tem certeza, Rô?

- Por que, Gabi?

- Olha só de onde está vindo tanto cheiro de alho!

E foi então que entendi. Ao invés de descascar 4 dentes de alho, Patrícia descascou 4 cabeças de alho! É alho para mais de um mês de consumo! Fizemos o jantar usando apenas a quantidade necessária. No dia seguinte, tento achar uma alternativa para o desperdício. Resolvo fazer uma sopa*.

Começa tudo de novo:

- Alô, Patrícia, é o Rogério. Tem batata aí em casa?

- Tem bastante, seu Rogério…

* A receita? Eu queria fazer esta aqui. Mas ela não usa tanto alho quanto eu tinha em estoque. Acabou sendo uma sopa de batata e muito alho que foram cozidos, escorridos e depois batidos no liquidificador com caldo de galinha. Voltei o líquido à panela, aqueci e acrescentei um bom punhado de folhas de espinafre. No final, um pouquinho de creme de leite fresco e uma pitada de páprica picante, com a sopa já no prato, para enfeitar. Não fotografei nem anotei as quantidades. Ficou gostoso, mas não “blogável”.

Outra vez!

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Sopa de novo. Desculpe-me. No inverno é assim mesmo.

A receita, bem inusitada, estava esquecida no meu caderno há pelo menos uns 4 anos. Na época, era a sopinha da moda num restaurante descolado aqui de São Paulo (já não me lembro se foi o Ritz ou o Spot).

Para incrementar, coloquei um punhado de broto de feijão (moyashi) cru. Conferiu ao prato crocância e bom contraste com a cremosidade.

A quantidade de curry depende da qualidade do produto que você utilizar. Costumo usar um bastante picante (da marca “Earthen Pot”), com muito aroma de cardamomo e feno grego, que trago de Cingapura. O que se produz no Brasil é suave, quase sem graça, tem cúrcuma demais. Se optar por curry brasileiro, talvez você precise acrescentar mais pimenta cayenne e uma pitadinha de canela+noz moscada. Varie a quantidade de Limão de acordo com o seu gosto e bom apetite!

Sopa de Banana com Curry

Ingredientes:

- ½ cebola picada.
- 1 colher de sopa de manteiga.
- Cerca de 1 colher de sobremesa de curry.
- 5 bananas prata descascadas e picadas e rodelas.
- 1 batata média cozida e picada.
- 1 litro de caldo de galinha.
- 150ml de creme de leite.
- Suco de limão, a gosto (uso ½ limão).
- Sal a gosto.
- Moyashi, o quanto baste.

Modo de preparo:

1. Numa panela, refogue a cebola na manteiga. Quando estiver transparente, acrescente a banana, o curry, a batata cozida e o suco de limão.
2. Mexa bem e acrescente o caldo de frango. Quando ferver, abaixe o fogo, tampe a panela e cozinhe por cerca de 15 minutos. Após este período, apague o fogo e deixe esfriar um pouco.
3. Bata o conteúdo da panela no liquidificador.
4. Volte o conteúdo à panela, acrescente o creme de leite, acerte o sal e aqueça bem a sopa, sem deixar ferver.
5. Coloque um pequeno punhado de moyashi cru e cada prato, despeje a sopa bem quente por cima e sirva imediatamente.

Books for Cooks

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Acho que foi no blog do Panelinha que ouvi falar da “Books for Cooks” pela primeira vez. É uma livraria especializada em culinária que fica em Londres, no lado bacana de Notting Hill, perto de Portobello Road. Pequena mas bem suprida, a loja tem uma cozinha no fundo que testa e serve aos clientes receitas dos livros que estão à venda. As melhores são compiladas e publicadas de tempos em tempos.

A sopa abaixo (com algumas adaptações, entre parênteses) saiu de uma das coletâneas: “Books for Cooks – Favourite Recipes from books 4, 5 & 6”. O livro é simples, sem fotos, mas com instruções precisas e idéias bem originais. Contém dicas, sugestões de menu, tabelas de conversão. E o mais importante: receitas que funcionam. Bom para aqueles dias em que se está sem inspiração.

Tomato, Lentil and Orange Soup
Adaptado de “Books For Cooks – Favourite Recipes from books 4, 5 & 6
Pryor Publications
ISBN 1-905253-06-0

Ingredientes:

- 2 laranjas bem lavadas e escovadas.
- 60g de manteiga.
- 1 cebola picada.
- 4 dentes de alho picados.
- 1 pitada de flocos de pimenta vermelha (pimenta calabresa).
- 400g de tomates italianos picados (usei uma lata de tomate pelado com 425g).
- 60g de lentilhas vermelhas (usei 250g de lentilhas marrons para aproveitar o pacote já aberto…)
- 300ml de caldo de galinha ou legumes (usei um litro de caldo de galinha, para compensar a quantidade a maior de lentilhas).
- Sal e pimenta a gosto.
- Salsinha ou hortelã fresca para enfeitar (usei manjericão).

Modo de Preparo:

1. Raspe as cascas das duas laranjas e reserve. Esprema o suco das duas laranjas e reserve.
2. Numa panela grande, refogue a cebola na manteiga, até ficar macia.
3. Acrescente o alho, os flocos de pimenta e as cascas de laranja, misturando bem e refogando por 1 minuto.
4. Acrescente os tomates, a lentilha e o suco de laranja. Misture. Quando levantar fervura, acrescente o caldo de galinha ou legumes e cozinhe por cerca de 30 minutos, até que as lentilhas estejam macias.
5. Passe a sopa pelo liquidificador e, logo após, pela peneira, voltando para a panela.
6. Aqueça bem e acerte o sal e a pimenta do reino.

Sopa de Domingo

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Fim de tarde. Hóspedes em casa e muita preguiça de sair para fazer compras. Resolvi fazer uma sopa com os ingredientes disponíveis. Vi que havia na despensa um pacote de feijão branco aberto, macarrão, os legumes que nunca faltam. E uma manta inteira de charque de costela de boi desossada, fresquinho, feito artesanalmente pelo meu sogro: o Gaúcho não nega a origem e faz questão de preparar ele mesmo a carne que usa para o arroz carreteiro. Em um outro post ensinarei a receita. Do charque e do carreteiro (fazer charque em casa é mais seguro e mais fácil do que parece).

Os atentos notarão que há certa semelhança entre os ingredientes da sopa e um cassoulet. É verdade, a intenção era esta mesmo. Um arremedo de cassoulet, sem pato, carne suína e em forma de sopa. Com um pouco de macarrão que também estava sobrando. Um cassoulet mais líqüido, com cara de minestrone! Ou, para os puristas, apenas uma despretensiosa sopa de domingo.

Sopa de Feijão Branco

Ingredientes – Primeira Etapa:

- 300g de feijão branco.
- 200g de charque caseiro de costela.
- 1 cebola grande descascada e cortada ao meio.
- 2 folhas de louro.
- 1 tomate bem maduro, cortado em 4.
- 3 dentes de alho inteiros descascados.
- 1,2 litros de água.

Ingredientes – Segunda Etapa:

- 1 cenoura grande descascada e cortada em cubos de aproximadamente 0,5 cm.
- 1 colher de sopa de azeite extra virgem.
- 2 cravos da índia.
- 2 grãos de pimenta preta.
- 1 colher de chá de tomilho.
- 100g de farfaline de grano duro.
- 800ml de água.
- Sal a gosto.
- 2 colheres de sopa de vinagre de ervas.

Modo de Preparo – preliminares

1. Coloque o feijão branco em uma tigela, cubra-o com 1,5 litros de água e deixe-o de molho por pelo menos 3 horas.
2. Limpe o charque e afervente-o em água abundante por 10 minutos para tirar o sal. Escorra e reserve.

Modo de preparo – primeira panela (de pressão):

1. Coloque o feijão e sua água na panela de pressão com o charque aferventado, a cebola, as folhas de louro, o tomate e os dentes de alho. Tampe a panela e acenda o fogo alto. Quando a válvula começar a chiar, abaixe o fogo o máximo possível e deixe cozinhar por 40 minutos.
2. Deixe a panela arrefecer e toda a pressão sair para destampá-la.
3. Retire a cebola, o tomate e uma boa colherada de feijão, bata no liquidificador e volte a mistura para a panela.
4. Retire o charque, desfie-o e volte-o para a panela.

Modo de preparo – segunda panela (caçarola):

1. Refogue a cenoura por 1 minuto no azeite de oliva. Acrescente os grãos de pimenta, os cravos da índia e o tomilho. Refogue por mais 2 minutos.
2. Cubra com 800ml de água. Quando começar a ferver, acrescente o farfaline e cozinhe por 6 minutos.
3. Apague o fogo e reserve.

Finalização:

1. Junte o conteúdo das duas panelas na panela de pressão.
2. Acrescente o vinagre de ervas e deixe ferver por uns 3 minutos.
3. Sirva com baguete ou pão italiano.

Sopa Fria

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Há ocasiões em que se cozinha em função do vinho que vai ser bebido. Foi o caso nesta semana. Aproveitei o calor que voltou a São Paulo para abrir um “Vicar’s Choice” comprado no começo do mês. Achei que seria bom combiná-lo com uma sopa fria. Pensei primeiro numa Vichyssoise, mas acabei optando por um Gazpacho. Queria algo bem leve, fresco e que interferisse quase nada no vinho.

Tudo perfeito, exceto por um detalhe: eu nunca havia feito a tal sopa espanhola. Conhecia apenas sua fama: ser refrescante, saborosa e de fácil preparo. Como de costume nestes casos, fui pesquisar a receita na internet. Não achei nenhuma que me contentasse totalmente. Adaptei então aquela que achei mais coerente. Começando por branquear o alho e a cebola na água fervente por 3 minutos. Assim o sabor seria mais suave. Não coloquei o pão que a maioria das receitas recomenda. Por puro esquecimento. Substituí o vinagre comum por outro com ervas, que eu mesmo fiz há algum tempo (3 ramos de alecrim, 2 dentes de alho e um pouco de pimenta do reino em grãos, colocados numa garrafa que completei com vinagre branco de boa qualidade). Também não passei a sopa pela peneira. Não precisou. Piquei parte do pepino, com casca, em quadradinhos de 0,5cm que coloquei nas canecas na hora de servir (é, resolvi levar à mesa em canecas, para ficar diferente). Para acompanhar, um pão italiano integral que assei naquela noite. Resultado final: não sobrou nem vinho, nem pão, nem sopa.

Minha Adaptação de Gazpacho

Ingredientes:

- 5 tomates bem maduros, sem a parte superior (a do cabo).
- 1 pepino japonês sem casca.
- ½ pepino japonês com casca, picado em quadradinhos de 0,5cm.
- 3 dentes de alho descascados.
- ½ cebola descascada.
- ½ pimentão vermelho sem os caroços.
- 1 e ½ colher de sopa de vinagre de ervas.
- 2 colheres de sopa de azeite.
- 200ml de água mineral gelada.
- Sal a gosto.

Modo de Preparo:

1. Branqueie os dentes de alho e a cebola em água fervente por 3 minutos. Escorra e reserve.
2. Bata no liquidificador os tomates, os dentes de alho, a cebola, o pepino descascado, o pimentão, o vinagre, o azeite e a água até que a mistura esteja bem homogênea.
3. Acerte o sal.
4. Leve à geladeira por cerca de meia hora.
5. Sirva em uma caneca com 1 colher de sopa do pepino picado e 1 fio de azeite.

Popeye

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Sopinha de espinafre prá ver se o Lucas come um pouco mais de legumes e verduras:
Cozinhei 5 batatas e 1 cebola no caldo de galinha. Bati no liqüidificador com 2 bons punhados de espinafre cru. Voltei o líquido para a panela. Deixei ferver. Apaguei o fogo e coloquei 2 colheres de sopa de creme de leite. Acertei o sal. Servi. Tiro e queda!
Para os adultos: ao servir coloquei lascas de parmesão (o “genérico” mesmo), que derreteram deliciosamente na sopa pelando, e uma pitada de noz-moscada ralada na hora. Vinho tinto (Humberto Canale Pinot Noir 2006) e o pão italiano integral (receita do La Cucinetta, que estava querendo testar há um tempão. Ficou bom!).

Para quem gosta de receitas bem medidas e com instruções detalhadas, mil desculpas. Hoje não deu tempo…

Sopa de Inhame

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Meu bisavô materno era um sujeito singular. Como médico sanitarista, trabalhou com Oswaldo Cruz no combate à febre amarela. Ganhou medalhas e reconhecimento pelos serviços prestados à saúde e ao Brasil. Como poeta, escrevia de um jeito diferente. Contava seus “causos” à moda caipira, muito antes de Rolando Boldrin sonhar em nascer. Como ser humano, mostrou o que é ser Cristão de verdade. A gente lembra de sua sabedoria e bom humor até hoje.

Bom mineiro de Leopoldina, vovô Abel tinha algumas “manias”. Não abria mão de comer mamão todos os dias pela manhã. Segundo ele, era uma fruta amiga, que garantia a saúde e vida longa. O mamão daquela época era grande, amarelo e redondo. Nada a ver com a Papaya ou o mamão Formosa. A fruta nativa tinha fragrância forte e era menos açucarada, de sabor sutil. Crescia nos fundos da casa da Rua Sabóia Lima, na Tijuca. Sem agrotóxicos, era dividido com os passarinhos que freqüentavam o quintal. Ele conhecia cada um deles e não se importava com as bicadas em sua fruta preferida.

Outro de seus pratos preferidos era sopa de inhame. Vovô Abel dizia que sopa de inhame nutre, faz bem ao sangue e ajuda a recuperar quem está doente. É a sopa do aconchego. Era mais fácil achar inhame antigamente. Redondos, bonitos e baratos, estavam disponíveis em qualquer feira livre, que era onde se comprava frutas, verduras e legumes naquele tempo. Hoje, a menos que conheça um bom feirante, você vai pelejar para achar bons inhames. Em grandes supermercados, se tiver sorte, vai encontrar umas bolinhas envergonhadas, caríssimas.

E assim, através das manias do vovô, a família Tavares de Lacerda aprendeu a comer mamão todo dia e tomar sopa de inhame pelo menos uma vez por semana. Aprendeu muitas outras coisas também. São tantas lembranças, histórias e lições que Vovô Abel merecia um livro…Enquanto não aparece alguém com talento para escrevê-lo, relembrar esta receita (se é que se pode chamar isto de receita) é meu jeito de homenageá-lo.

Sopa de Inhame do Vovô Abel

Ingredientes:

- 500g de inhames descascados
- 1 cebola descascada e cortada ao meio.
- Sal a gosto.
- 2 colheres de sopa de manteiga.
- Cheiro verde (salsinha e cebolinha) bem picado, o quanto baste.
- Azeite extra virgem, o quanto baste.

Modo de Preparo:

1. Numa panela, coloque os inhames e a cebola e cubra-os com água.
2. Cozinhe em fogo baixo até que os inhames estejam macios e a cebola transparente.
3. Espere esfriar um pouco e bata todo o conteúdo da panela no liquidificador (na casa do vovô eles passavam na peneira, mas acho que dá muito trabalho…).
4. Volte o conteúdo batido à panela, acrescente a manteiga e acerte o sal. Se a sopa estiver muito encorpada, coloque um pouquinho mais de água.
5. Sirva bem quente, decorando o prato com um fio de azeite e o cheiro verde.

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