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Petrópolis

 

O fusca azul calcinha saía do Grajaú toda 6ª. feira, mais ou menos às 5 da tarde. No banco da frente meu pai e minha mãe. Atrás, eu e minhas duas irmãs. Sem cinto de segurança, que naquela época isto não existia. Passávamos pela Avenida Brasil sem muitos problemas. Há 35 anos o trânsito costumava ser bem melhor. No caminho, a refinaria Duque de Caxias (REDUC) e uma infinidade de motéis. Sempre me chamava atenção o “Pink” cujo logo era uma gatinha muito bonitinha. “Mãe, o que é motel?” “Ahn? Como assim?!?…Ah, filho, é um hotel onde a gente passa só uma noite…” “Sei, mãe. Quando eu crescer quero passar uma noite aí, tá?”

 

O fusquinha continuava subindo a serra, faróis já acesos, geralmente atrás de um ônibus da “Viação Fácil” ou da “Viação Única”. Logo o “ruço” aparecia e a velocidade do carro diminuía, junto com a temperatura. Seguir os ônibus era uma alternativa segura nas curvas onde não se enxergava nada. Fim da subida, mais um pouquinho a primeira parada: “Casa do Alemão”. Sanduíche de lingüiça, com mostarda escura e uma garrafa de “Mineirinho”. Que d-e-l-í-c-i-a!!! Meu pai preferia o croquete de carne, com uma cervejinha (ainda não havia bafômetro). Minha mãe sempre levava os biscoitos amanteigados, que seriam devorados no café da manhã do dia seguinte. Não me lembro o que as meninas comiam. Na verdade eu só queria saber de beber meu “Mineirinho”, bem gelado, e traçar o sanduíche.

 

Entra no carro de novo, de barriga cheia e reconfortada. Só mais 18 quilômetros até a casa de campo de meus avós, em Nogueira. Fins de semana perfeitos, com cavalos, pé na grama, feijão preto inesquecível, couve da horta, geléia de framboesa do quintal. Banho de mangueira, banho de chuva. Volta da ferradura. Cuca de farofa, doce de banana, bolo de fubá. E muitos caramelos da “Casa D’Ângelo” que a vovó comprava especialmente para os domingos. O pacote que ganhei esta semana me fez voltar no tempo e lembrar de tudo isso. Pena que não veio uma garrafa de “Mineirinho” também! Saudades.

 

caramelo2

6 comentários para “Petrópolis”

  1. Patrícia disse:

    Acho incrível a possibilidade de certas coisas suscitarem lembranças adormecidas. É um prazer, não é? =) Beijo, bom feriado

  2. Rogerio disse:

    E feliz de quem tem estas lembranças para contar! Se eu fosse só escrever sobre as reminiscências que tenho de Petrópolis daria um livro. Foram muitos anos por lá!
    Beijo
    Rogério

  3. Legal! no meu caso era uma Brasilia creme!

  4. nana disse:

    que texto gostoso!

  5. Luci disse:

    Olá…Te encontrei no google.
    Justamente procurando os Caramelos de Petrópolis.
    Moro em SAMPA e nca mais voltei lá…a lembrança de muitos anos ficou guardada e agora despertou.
    Gostaria de saber como posso adquirir esta maravilhosa iguaria.
    abração.

  6. Rogerio disse:

    Oi, Luci!
    Olha, eu acho que a única maneira de conseguir o caramelo é indo a Petrópolis mesmo…rsrsrs
    Mas dá uma olhada de perto na foto do post. É possível ver o telefone deles. Quem sabe não mandam por Sedex?
    Abraço
    Rogerio

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