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É Pique!

454 anos da minha cidade predileta. Agora que eu já tenho blog, como não homenageá-la?

Mas tanta gente boa já escreveu sobre São Paulo. E tão bem, que fica difícil.

Não me refiro à “Sampa” de Caetano, que apesar de poética, é melosa, meio piegas, não tem a cara daqui. Vanzolini fez mais simples e melhor. Que outro lugar do mundo poderia ser o cenário de “Ronda”? Sem mencionar o nome da cidade, ele pintou um retrato perfeito do bas fond paulistano. Poesia é isto.

Outro que conseguiu captar de forma brilhante o espírito de São Paulo e traduzí-lo em música foi Billy Blanco, que nos presenteou com “Amanhece”:

Começou um novo dia,
Já volta quem ia,
O tempo é de chegar
De metrô chego primeiro,
Se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua,
Como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier.
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora

Quem nunca ouviu esta música, no carro, a caminho da escola ou do trabalho? Se não ouviu, não pode se considerar paulistano.

Lembro que eu tinha 6 para 7 anos quando ouvi “Amanhece” pela primeira vez. Vim passar as férias de inverno na casa de meus avós. Nunca tinha estado por aqui antes e tudo me impressionou. Os prédios, o trânsito, o ritmo da cidade. O Shopping Center com seu relógio d’água. O frio. Naquele tempo fazia muito frio. Usar luvas e cachecol!

E a comida? Tanta coisa diferente. Pão Pullmann (pão de forma) só existia aqui. Para o café da manhã, minha vó fazia torradas com geléia de framboesa, que ela mesmo preparava (um dia eu conto como ela conseguia as framboesas) . O cheirinho do “Café Seleto”:…depois de um sono bom, a gente levanta… Vovó adorava cantarolar este jingle, achava muito bonitinho. Ficou horrorizada quando cantei a versão “Café Concreto tem sabor de vomito…” que aprendi brincando com os vizinhos dela!

Depois, as tardes de desenho animado ininterrupto na Record. Sim, existia um canal de TV que passava desenhos a tarde inteira. Que maravilha! Comer bolinho “Ana Maria”, que também não existia fora de São Paulo. Comprar o jornal para o vovô e na volta da banca parar na “Padaria Bienal” para tomar um “Gini”. No lanche pão com “Nucita”.

Aos domingos, de sobremesa, as bombas de creme da confeitaria São Gabriel (naquele tempo não tinha essa frescura de chamá-las de éclair). E de vez em quando o “Pastel de Santa Clara” da Rotisserie “Da Vinci”.

Minhas primeiras férias em São Paulo passaram rápido. Logo acabaram. Fui embora já com vontade de voltar. E fui voltando ano após ano. Nunca mais parei de voltar. Um dia ainda vou morar aqui, pensava…

Faz 14 anos que vim para ficar. Mesmo com todos os seus problemas, não me imagino em outro lugar. Aqui trabalho, aqui conheci o amor da minha vida, aqui nasceram meus filhotes. Por São Paulo, eu só tenho gratidão. Parafraseando Billy Blanco: Amo São Paulo de qualquer maneira!

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