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Nano break

 

De uns três meses pra cá, minha vida corporativa tem engolido minha vida privada. E também a criatividade e o ânimo de cozinhar. 2009 tem sido um ano particularmente complicado. Muitas mudanças num cenário de novos problemas que têm exigido soluções radicais e nada ortodoxas (parece verborragia de consultoria externa? Você não sabe as baboseiras que venho ouvindo ultimamente!). Para explicar a cara sisuda com que às vezes chego em casa (agora mais tarde do que antes), digo à família que estou cursando um  “MBA prático de sobrevivência nas crises, com ênfase em fusões e aquisições”. Da última vez que vim com esta desculpa esfarrapada, a Gabriela respondeu que todo MBA também tem férias. E exigiu com todo o direito e razão, que tirássemos, só nós dois, pelo menos uns três dias de “férias”. Longe do trabalho e de São Paulo. Achei ótima a idéia, afinal, sou marido mandado (sorriso amarelo).

 

Ilhabela foi o destino escolhido. A idéia era evitar aeroportos e aproveitar o calor, que, aliás, estava insuportável. Quem inventou o ar condicionado merece uma estátua no centro de Ilhabela. E quem descobriu o repelente tem, no mínimo, que virar nome de avenida por lá.

 

Ficamos hospedados no “Solar Singuitta”, que fica bem ao sul da ilha, a uns dois quilômetros do final da estrada de asfalto. A pousada, que faz parte dos “Roteiros de Charme”, é excelente. Serviço nota 10, quartos grandes, com decoração caprichada, cheios de bossa: hidromassagem, sais de banho e todos aqueles detalhes que mulheres adoram e a gente curte também. Tudo com vista para o mar e péssimo sinal de celular, mantendo o Blackberry quieto, praticamente morto. A foto abaixo foi tirada da varanda de nosso quarto.

 

 

ilhabelaquarto2

 

Não nos animamos a perambular pela ilha. Estávamos cansados e havia muito papo para colocar em dia. Resolvemos aproveitar a piscina da pousada, linda e com um wet-bar muito convidativo. Conversa, caipirinha, leitura, caipirinha, petiscos, caipirinha… pra que mais?

 

Estando por lá, porém, não poderíamos deixar de ir ao Marakuthai da jovem e já famosa Renata Vanzetto. Dizem que é parada obrigatória e nós, que adoramos comida oriental, precisávamos conferir. O lugar é realmente bacana, despojado, com decoração original. Do salão é possível ver a cozinha funcionando e o vai e volta da brigada. Fomos bem atendidos, mas é preciso chegar cedo: a partir das 20hs começa a chegar muita gente e há uma considerável fila de espera, o que faz o atendimento ficar um pouco mais confuso, ou melhor, desatento. Quanto à comida, muito gostosa e bem executada. Não se trata de um tailandês convencional, não há Tom Kaas, Phad Thais e Phopias. Na minha opinião, os pratos são todos releituras ou invenções (muito criativas) inspiradas na cozinha tailandesa. Penso que vem daí o nome “Marakuthai”: as receitas são “maracutaias” da culinária Thai.

 

Começamos com uma porção de bolinhos cremosos de camarão que não fizeram feio. Depois dividimos uma ótima salada (não me lembro o nome) com agrião e harussame. Sabendo que íamos dividir, o garçom trouxe a salada já servida em dois pratos. Muito conveniente e atencioso. Gostei tanto que tentei repetir em casa (veja a minha versão da receita e respectiva foto abaixo). Como prato principal, o Beef Curry  Vermelho com arroz jasmin e farofa de banana. Ressalva número 1: Separados o Beef Curry e a farofa de banana estavam ótimos. Juntos, achei que não ficou legal: um prato adocicado + um acompanhamento adocicado = tudo muito adocicado. Ressalva número 2: o arroz jasmin estava cozido além do ponto, além de ter sido temperado com sal, o que eu acho uma pena. O sal encobre todo aroma e sutileza deste tipo de arroz. Pulamos a sobremesa por total falta de espaço no estômago e saímos felizes com o jantar, que encerrou bem as nossas microférias. Resta agora experimentar o “Marakuthai” de São Paulo. Já está anotado na agenda e vai ser antes das próximas férias. Até porque, do jeito que a coisa anda, tão cedo elas não devem vir…

 

salada-marakuthai3 

 

(tentativa de) Salada “Marakuthai”

 

Ingredientes para a salada (2 pessoas):

 

- 1 ninho de “Harussame” (macarrão de glúten de feijão).

- ½ cenoura ralada.

- ½ pepino japonês cortado ao comprido e então fatiado fino (em meias luas).

- 1 colher de sopa de cebolinha picada.

- 1 punhado de folhas de agrião.

- 1 punhado de folhas de coentro (pra quem gosta).

- 1 filé de peito de frango temperado com sal e limão, grelhado e cortado em cubinhos.

 

Ingredientes para molho:

 

- Suco de meio limão.

- 1 colher de sopa de gengibre ralado.

- 1 colher de sobremesa de açúcar mascavo.

- 1 colher de sopa de Nampla.

- 2 colheres de sopa de Shoyu.

- Algumas gotas de óleo de gergelim.

- Pimenta dedo de moça picada (opcional).

Misturar todos os ingredientes acima.

 

Para enfeitar:

- gergelim claro e escuro.

 

Modo de Preparo:

 

1. Cozinhe o harussame em água fervente abundante até que esteja macio (fique de olho: cozinha rápido). Escorra o macarrão e deixe de molho em água gelada por uns 5 minutos. Escorra e corte em pedaços de aproximadamente 10cm. Reserve.

2. Numa tigela, misture todos os ingredientes da salada (inclusive o harussame). Se gosta de salada bem gelada, deixe por pelo menos 1 hora na geladeira.

3. Ao servir, regue com o molho e enfeite com gergelim.

 

Pousada Solar Singuitta

Av. Gov. Mário Covas Jr, 14500 – A
CEP 11630-000 – Itapecerica – Ilhabela – SP
Tel: (12) 3894-1414 / 3894-9164
E-mail: reservas@pousadasolarsinguitta.com.br
www.pousadasolarsinguitta.com.br

 

Restaurante Marakuthai

Ilhabela – Tel: (12) 3896-5874

www.marakuthai.com.br

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