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Chá de Poltrona

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

 

Pode haver vantagem em passar horas a fio dentro de um avião? A menos que você seja piloto, poucas. Muito poucas. Para o passageiro há algumas alternativas para matar o tempo: é possível colocar em dia todos aqueles livros que estão parados em sua cabeceira, na fila para serem lidos. Na minha mesinha existem diversos. Mas levar vários livros torna a mala mais pesada. E eu só viajo com bagagem de mão, não importa o destino e a duração da estadia. Havendo lavanderia, me viro com uma mala apenas, que não pesa mais de 15 kg e vai sempre a bordo, com um livro apenas para toda a viagem.

Outra opção é assistir aos filmes a bordo. Depois de uns dois ou três, você não agüenta mais ver filme. E quando se vai para fora do Brasil pelo menos duas vezes por mês, com as mesmas KLM, British ou Air France, o repertório se esgota.

 Trabalhar no computador? Também é possível. Hoje as poltronas têm até tomada para carregar os aparelhos. O telefone não toca e ninguém interrompe. Uma hora e meia são suficientes para colocar tudo em dia e preparar relatórios, se necessário. O que fazer com as outras infindáveis horas de vôo? Jogar baralho. Com quem? Comer, dormir? Caminhar pelo avião? Haja criatividade.

Ler as revistas de bordo é a última opção. Geralmente são chatas e superficiais. Mas há boas surpresas. A edição de fevereiro da revista da KLM (Holland Herald), por exemplo, trouxe uma edição sobre design bem interessante. Às vezes aparecem receitas boas. Como este Parfait, que arranquei de uma revista da TAM. A preparação original pedia frutas vermelhas para a calda: morango, framboesa, cerejas e amoras. Entretanto resolvi aproveitar um saco de pitangas que colhemos ano passado e congelamos. Passei-as pela centrífuga e consegui uns 250ml de suco, bem concentrado. Funcionou muito bem, o sabor das pitangas, bem refrescante, levemente ácido, contrastando com a cremosidade. Foi uma descoberta. Acho inclusive que é uma boa “receita base”, facílima e que aceita variações com outros tipos de fruta: cajá, acerola, maracujá, talvez coco ou limão. Digna de fazer parte do “repertório” de sobremesas do dia a dia. O que me lembra que voar é aborrecido, mas vez ou outra tem lá suas vantagens…

 

parfait

 

Parfait de Pitanga

Adaptado da receita do chef Francisco Soares Neto, publicada na revista de bordo da TAM

 

Ingredientes:

 

- 2 claras de ovo.

- 2 xícaras de açúcar.

- 2/3 de xícara de água.

- 250ml de suco de pitanga, bem forte.

- Suco de ½ limão.

- 300g de creme de leite sem soro.

 

Modo de preparo:

 

1. Prepare uma calda com a água e o açúcar em ponto de fio. Deixe amornar.

2. Numa batedeira, bata as claras em neve e então adicione a calda morna, sem parar de bater, pouco a pouco. Deixe bater por 10 minutos.

3. Misture o suco de limão ao suco de pitanga e adicione às claras em neve, pouco a pouco, sempre batendo.

4. Desligue a batedeira e acrescente o creme de leite, misturando delicadamente.

5. Colocar em uma forma (uso as de pão de forma) e deixar no freezer por pelo menos 4 horas antes de servir.

Pererê…paciência…

sábado, 16 de maio de 2009

 

Primeiro de maio, brincadeira de pique bandeira com os filhos. De repente o quarentão aqui resolve tentar segurar um marmanjote de uns 15 anos que cruzava o campo para marcar mais um ponto. Um tranco, um estalo na perna, a pior dor que já senti. Hospital e uma ressonância magnética revelando um ligamento do joelho totalmente rompido, além de alguns traumas colaterais.

 

Faz 14 dias que não coloco o pé esquerdo no chão. Na primeira semana tive que ficar em casa, repouso forçado. Agora voltei ao escritório. Preciso aguardar mais cinco semanas – tempo demasiado longo para meu ritmo de vida – até que o joelho cicatrize por completo. Então farei a cirurgia que reconstituirá o ligamento.

 

Andar de muletas faz com que você enxergue aspectos da vida que costumam passar despercebidos. Definitivamente o mundo não foi projetado para quem as utiliza. É difícil me movimentar sozinho. Nunca havia percebido, mas estamos cercados de escadas, buracos, subidas e obstáculos que parecem intransponíveis quando você tenta andar com uma perna apenas. Tudo ficou instantaneamente complicado e lento. Percebi o quanto preciso dos que estão ao meu redor.

 

A rotina agora é redundantemente programada e sistemática: a que horas chamarei o táxi que vai me levar ao trabalho? Quem vai me buscar na recepção e carregar minha mochila até a mesa? Será que podemos marcar nossa reunião numa sala mais próxima? Por gentileza, dá para pegar um material que eu mandei imprimir?Já que vocês vão sair para almoçar, podem trazer um sanduíche, por favor? Viagens, nem pensar.

 

Em casa não é diferente. Subo e desço as escadas “de bunda”, tomo banho sentado no chão. Descobri que moletons, apesar de ultracafonas, são bem confortáveis quando se tem que colocar um imobilizador na perna. Brincar com o David e o Lucas agora se resume a desenhar, ler historinhas e ver DVDs infantis. Perdi um pouco do apetite, o que é bom porque não quero ganhar peso neste período. Nunca fiquei tanto tempo parado, nunca assisti a tanta televisão.

 

Gabriela tem sido heróica cuidando sozinha das crianças e de mim. E meus pais têm ajudado também. De um dia para o outro aprendi a depender de outras pessoas para as tarefas mais simples. E não posso negar: esta dependência tem me feito pensar muito e ponderar uma série de atitudes e valores. Até onde vai a minha pseudoindependência? Sem dúvida a vida está me ensinando nesta fase em que minha paciência e a de quem tem me ajudado têm sido testadas.

 

Estou sentindo muita falta de cozinhar. Com as duas mãos ocupadas pelas muletas, não consigo nem preparar um leite com granola. Quando é necessário dou instruções ao piloto de fogão da vez. Foi o que aconteceu com uma receita de “no knead bread” (pão sem sova) que vi no ótimo blog do Luiz Américo. Neste vídeo é possível acompanhar o passo a passo. Por ser facílimo de fazer, é muito adequado para quem está momentaneamente “inativo”. É possível executa-lo com apenas uma mão! E pelo longo tempo de fermentação – pelo menos 12 horas – é perfeito para aqueles que, como eu, estão exercitando sua paciência.

 

O resultado é surpreendentemente bom. Substituí metade da farinha refinada por farinha de trigo integral e o pão ficou delicioso, com uma casca crocante e interior macio, sem nada de sabor de fermento. Antes de assar, cobri o pão com flocos de aveia, o que deu um aspecto bem legal.

 

Matou parcialmente a vontade de cozinhar, saciou o desejo por um ótimo pão caseiro e ajudou o tempo a passar mais rápido.

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No-knead Bread

Receita de Jim Haley da Sullivan Street Bakery

 

Ingredientes:

 

- 3 xícaras de farinha de trigo (utilizei 1 xícara e meia de farinha branca e 1 xícara e meia de farinha integral).

- ¼ de colher de chá de fermento biológico instantâneo.

- 1 e ½ xícara de água.

- 1 e ¼ colher de chá de sal (da próxima vez colocarei mais um tico de sal).

- Flocos de aveia, farinha de trigo integral ou sêmola de milho, o quanto baste para polvilhar.

 

Modo de preparo:

 

1. Numa tigela grande, misture todos os ingredientes secos (exceto os flocos de aveia, farinha integral ou sêmola de milho, que serão usados posteriormente para polvilhar). 2. Acrescente a água e misture por cerca de 1 minuto, até que se forme uma massa homogênea.

3. Cubra a tigela com um pano e deixe a massa crescer por 12 horas.

4. Após este período, vire a massa sobre uma superfície enfarinhada. Dobre-a como um envelope (assista ao link que fica bem claro…), vire-a de cabeça para baixo e coloque-a sobre uma superfície polvilhada com bastante farinha integral ou sêmola de milho, ou flocos de aveia. Polvilhe a parte de cima da massa, cubra com um pano e deixe crescer por cerca de 2 horas ou até dobrar de tamanho.

5. Coloque uma panela grande esmaltada (tipo Le Creuset) ou uma panela de ferro com a tampa no forno e preaqueça por 30 minutos a 220°C.

6. Retire a panela do forno, coloque a massa bem polvilhada, tampe e coloque no forno para assar por 30 minutos.

7. Após 30 minutos, destampe a panela e deixe o pão dourar por cerca de mais 15 minutos.

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