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Posts com a Tag ‘Doces e Guloseimas’

Handle with care

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sou louco por pimenta. De qualquer tipo. Do reino, “chillies”, exóticas, em molhos, conservas ou ao natural. Tenho uma coleção delas. Pela foto da minha cozinha pode-se ter uma idéia da minha predileção.


Na prateleira do meio estão exemplares que trouxe de longe: pimenta “Sechuan”, pimenta negra selvagem da África, “poivre long”, pimenta da Jamaica e pepperoncinni. Na parte de cima, pimenta branca de Punjab, que eu uso em alguns risottos muito especiais.

Mas não para por aí. Na geladeira contei seis vidros de pimentas diferentes. Tem de Minas, Goiás e Mato Grosso. Também tem umas brabas, lá da Bahia. E a estrela da minha “pimentoteca”: uma conserva que veio da fazenda de um amigo de Ribeirão Preto. A mistura de vários tipos de pimentas verdes, já tem uns nove anos e quanto mais envelhece, mais interessante fica, com sabores mais sutis, porém complexos. Sim, eu defendo a teoria de que boas pimentas melhoram com o tempo. Igual a certos vinhos, só que com a vantagem de poder abrir e fechar quando quiser. Infelizmente, quem preparou já faleceu e não passou adiante a fórmula secreta. Portanto, o potinho é único e eu só uso em pratos que realmente merecem (como o bobó de camarão da minha mãe, receita de gerações).


Outra coisa que faz sucesso por aqui é um molho de pimenta facílimo que preparo há muito tempo. Vários amigos já provaram, aprovaram e pediram a receita. Enfim tomei vergonha e medi a quantidade dos ingredientes, para poder publicar. Especialmente para aqueles que como eu, acham que pimenta na língua é refresco.


Meu Molho de Pimenta

Ingredientes:

- 12 pimentas dedo de moça maduras, lavadas e sem o “cabinho” (para um molho mais forte, pode-se adicionar algumas pimentas malagueta).
- 2 dentes de alho descascados.
- 100ml de azeite de oliva.
- 100ml de vinagre de vinho tinto.
- 100ml de massa de tomate.
- 2 colheres de café de sal.

Modo de preparo:

Bater tudo no liquidificador. Acondicionar em um pote de vidro e guardar na geladeira.

Belly Kamekichi

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Foi a quarta vez que visitei o local. E provavelmente a última também. Infelizmente. O Belly Kamekichi vai se mudar de Shiroganedai (bairro muito charmoso de Tokyo), para não sei onde, bem longe de nosso escritório. É um restaurante que serve comida japonesa tradicional, especialmente Kaisekis, com muito capricho e uma certa dose de refinamento. É discreto e chique ao mesmo tempo. Daqueles lugares em que você pode conversar tranqüilo, sem barulho. À volta, apenas “cool jazz” como fundo musical. Trilha sonora escolhida a dedo por uma das proprietárias.

Não me lembro bem qual foi a minha pedida naquele almoço. Acho que um Ebi-fry Kaiseki. Mas não esqueço as sobremesas. Como estava entre colegas (e sem clientes) deixei a educação de lado e pedi 3 diferentes:

- Para começar, Yuzu Ice Cream. Ou melhor: Yuzu Aisso Crimo, que é como os japoneses pronunciam sorvete. Yuzu é um tipo de limão, que se encontra por lá e ficou prá lá de gostoso neste sorbet.

- Depois, Shinatama Zenzei. Bolinhos de doce de arroz (normal, não o mochi) em creme quente de feijão azuki. Delicioso, principalmente pela textura do doce de arroz e o sabor do feijão azuki, que lembra um pouco crème de marrons.

- Por último, Kozukiri, que não aparece na foto aí de baixo. Trata-se de uma gelatina de algas, quase sem sabor, mas de textura muito interessante, cortada à forma de um talharim e servida bem gelada, com calda de melado. Diferente. E gostoso.

Sem dúvida, o Belly Kamekichi vai deixar saudades. Em mim e nos colegas lá do escritório.

http://www.ginzasekitei.co.jp/

Bagunça num colégio britânico

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Uma instituição fundada em 1440 por Henrique VI para educar meninos órfãos e pobres. Paradoxalmente, virou um dos ícones da aristocracia inglesa. Escola de reis, nobres e milionários. E de políticos importantes (18 primeiros-ministros!), intelectuais e cientistas famosos. Tive um ex-chefe-novo-rico que a muito custo conseguiu mandar o filho pra lá. O moleque não durou nem um ano. Eton, definitivamente, não é para plebeus.

Gente importante à parte, costumo dizer que o maior legado do colégio para a humanidade foi, no amplo sentido da palavra, uma simples sobremesa conhecida como Eton Mess. A lenda diz que o doce foi inventado por um labrador. O cachorro resolveu chafurdar num pote de morangos com creme que a mãe de um dos alunos levava em uma cesta de piquenique durante um dia de visita aos internos. Estava criada uma das iguarias mais famosas da Inglaterra.

Facílima de fazer – basta misturar morangos maduros, creme batido e suspiros – a receita permite muitas variações. Apresento aqui a minha, que leva um tiquinho de licor e raspas de laranja. É um grande quebra galho nos momentos em que preciso de uma sobremesa rápida e descomplicada. Como não tenho um labrador, sou eu mesmo quem faz a mistura e mexe a tigela… usando uma colher, que fique bem claro.

Eton Mess – a minha versão

Ingredientes:

- 600g de morango picado grosseiramente em rodelas.
- 3 colheres de sopa de açúcar baunilhado.
- 80ml de licor Curaçao (pode-se usar Cointreau ou Mandarinetto – se preferir este último, use raspas de tangerina).
- Raspas da casca de meia laranja.
- 100g de suspiros.
- 250ml de creme de leite fresco, bem gelado.

Modo de preparo:

1. Numa tigela, misture os morangos, o licor, as raspas de laranja e 1 colher de açúcar baunilhado. Deixe marinar por pelo menos meia hora, mexendo de vez em quando. Reserve umas 2 colheres de sopa para enfeitar.
2. Bata o creme de leite com 2 colheres de açúcar baunilhado no ponto de Chantilly. Reserve na geladeira.
3. Esmague grosseiramente os suspiros. Reserve umas 2 colheres de sopa para enfeitar.
4. Pouco antes de servir, misture os morangos, o suspiro e o creme numa tigela. Finalize espalhando um pouco do morango picado e dos suspiros sobre a sobremesa.

Focaccia

terça-feira, 1 de julho de 2008

Sempre que posso, participo da movimentação na blogsfera. Já contei por aqui sobre uma harmonização virtual promovida pelos blogs Gourmandise e Le Vin Au Blog que valeu a pena – aprendi uma (boa) receita e, melhor ainda, conheci uma importadora de vinhos que me atendeu muito bem. Agora o Sabor propôs um “desafio da Focaccia”. Achei que seria uma boa oportunidade para preparar este pão pela primeira vez. Sem a menor idéia de como fazê-lo, vasculhei meus alafarrábios e encontrei algumas sugestões interessantes.

Inicialmente testei a focaccia do “Chef sem Mistérios” de Jamie Oliver. Decepção. Um pão seco, pesado e com gosto de fermento. Nem o cachorro quis provar. O que me fez comprovar a teoria de que aqui em casa até o cachorro tem bom gosto. :))

Parti então para a adaptação de uma receita de Dan Lepard. Levou um tempão para preparar, mas o resultado foi compensador, principalmente pela textura da massa. Como ainda estou de castigo, troquei parte da farinha de trigo normal por farinha de trigo integral. Acrescentei também uns cubinhos de cenoura e alecrim para dar mais bossa. E a tal focaccia acabou sendo o nosso jantar de sábado, acompanhada por um Gouda Wyngaard maturado por 2 anos (Rypennayer V.O.S.P.) e os 125ml de vinho tinto a que minha dieta dá direito – um Tabalí Pinot Noir reserva 2006. Desta vez, não sobrou nem para o cachorro!


Focaccia Integral com Cenoura
(adaptado de uma receita de Dan Lepard)

Ingredientes para a esponja:

- 200g de água a 20°C.
- 150g de farinha de trigo.
- 7g de fermento bioloógico seco instantâneo.

Demais ingredientes para a Focaccia:

- 150g de água a 20°C.
- 15ml de azeite de oliva + o quanto baste para sovar a massa.
- 175g de farinha de trigo integral.
- 200g de farinha de trigo.
- 12g de sal.
- 2 cenouras médias descascadas e picadas em cubos bem pequenos.
- Alecrim fresco o quanto baste.

Modo de preparo – Esponja:

1. Numa tigela grande misture bem todos os ingredientes da esponja.
2. Cubra com um pano e deixe repousar por 1 hora. Após este período misture novamente e deixe repousar por mais 1 hora.

Modo de preparo – Focaccia:

1. Acrescente à esponja a água e o azeite. Misture bem.
2. Acrescente a farinha de trigo, a farinha integral e o sal. Misture com uma colher e deixe descansar por 10 minutos.
3. Esfregue um pouco de azeite nas mãos e na superfície de trabalho em que você sovará a massa.
4. Trabalhe a massa por cerca de 3 minutos. Deixe descansar 10 minutos. Repita esta operação mais duas vezes. Cubra a massa com um pano e deixe descansar por 40 minutos.
5. Após o período de descanso, sove a massa por 5 minutos. Acrescente os cubinhos de cenoura e sove mais um pouco para que se incorporem à massa de maneira uniforme.
6. Molde a focaccia em forma de retângulo, coloque numa forma untada com azeite e farinha de trigo integral. Deixe descansar por 30 minutos.
7. “Fure” várias partes da foccacia com os dedos. Pincele azeite na superfície da massa e jogue uma boa quantidade de alecrim fresco por cima.
8. Asse em forno pré-aquecido a 220°C por 15 minutos. Após este período, abaixe a temperatura para 200°C e asse por mais 15.

Para Gourmands Preguiçosos…

domingo, 16 de março de 2008

…esta sobremesa facílima. Ideal também para quem não gosta de doce muito doce.
Trata-se de um simples creme de mascarpone com calda de chocolate. O segredo é a qualidade dos ingredientes. Mascarpone de primeira, açúcar baunilhado de verdade (é muito fácil fazer em casa: enfie uma fava de baunilha, utilizada ou não, em um pote hermético com 500g de açúcar cristal. Começa a ficar aromático após 1 semana.) e chocolate amargo com pelo menos 60% de cacau. Sirva nas taças mais charmosas que encontrar.

Creme de Mascarpone com Chocolate

Ingredientes do creme:

- 390g de mascarpone gelado.
- 120ml de leite integral gelado.
- 30g de açúcar baunilhado.
- 1 colher de café de raspas de laranja.

Ingredientes da Calda:

- 100g de chocolate amargo (pelo menos 60% cacau) picado grosseiramente.
-12oml de leite integral.
Modo de Preparo:

1. Bata na batedeira todos os ingredientes do creme, por cerca de 3 mintuos ou até ficar com consistência de mousse (chantilly). Acomode o creme displicentemente nas taças e leva à geladeira.
2. Na hora de servir, derreta o chocolate com o leite no microondas, mexendo de vez em quando até ficar homogêneo. Despeje esta calda sobre as taças com creme.

Dia de Preguiça

domingo, 9 de março de 2008

Domingo é dia de preguiça, já disse algumas vezes por aqui. Hoje ela apareceu de manhã: preguiça de ir na padaria. E vontade de não jogar comida fora também. Dei uma olhada na despensa e encontrei 2 baguettes, usadas pela metade. De ontem e anteontem. Pain Perdu, pensei. Nada mais óbvio. Para ficar diferente (marketeiro tem esta mania de “diferenciação”…coisas do M. Potter, sabe?) uma caldinha de caramelo, ao invés do tradicional açúcar e canela. E essência de laranja substituindo a baunilha. Perdi o sono cedo - a viagem desta semana me deu um jet leg danado - saí da cama e preparei rapidinho e de surpresa para a Gabriela e as crianças, que ainda dormiam.

Pain Perdu

Ingredientes:

- Fatias de “pão dormido”, cortadas na largura de 1 dedo.
- 2 ovos caipira.
- 3og de açúcar.
- 1 pitada de sal.
- 250ml de leite.
- 2 gotas de essência de laranja.
- manteiga o quanto baste.

Modo de Preparo:

1. Numa tigela, misture os ovos com o sal e o açúcar.
2. Acrescente o leite e a essência de laranja, misturando bem.
3. Aqueça uma frigideira anti-aderente e coloque um pouquinho de mateiga para untar.
4. quando a manteiga derreter e a frigideira estiver quente, passe as fatias de pão pela mistura de leite e ovos e, em seguida, doure-as na frigideira, de ambos os lados, até que fiquem crocantes.
5. Colque as fatias, já douradas, em um prato e regue com a calda de caramelo. Sirva ainda quente.

Calda de Caramelo

Ingredientes:

- 1 xícara de açúcar.
- 1/2 xícara de água.
- 100g de creme de leite uht.

Modo de Preparo:

1. Em uma panelina coloque o açúcar e, em seguida, a água. Balance a panela para misturar (não use a colher de pau!).
2. Leve ao fogo até que começe a caramelar e a calda fique com uma cor marrom-dourada (leva mais ou menos 10 minutos).
3. Retire do fogo, acrescente o creme de leite e misture com uma colher de pau.

“Tele-Chefs” Ingleses

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008


Vamos começar esclarecendo: eu vejo pouquíssima televisão. Muito menos do que gostaria (sim, eu gosto de ver tv!). Com duas crianças em casa você tem de optar: ou pai, ou telespectador. Fico com a primeira alternativa. Significa que eu raramente assisto aos programas dos telechefs, apesar de me divertir com eles. Além das boas idéias, gosto de analisar os artifícios que empregam para se diferenciar, criar sua personalidade própria, imprimir um estilo. Como constroem sua “marca”. Enquanto Nigella é meio matrona e “boa-dona-de-casa”, Jamie Oliver faz - ou melhor, fazia - o papel do garotão desencanado, criativo e meio porquinho. O interessante é que ao longo do tempo as fórmulas se esgotam. Então é preciso reinventar as personagens. Jamie tem feito isto bem. Passou por uma fase “italiana” que não causou repercussão e logo adotou uma postura “eco-sutentável-politicamente-correta” que o tem mantido na mídia.

Mas é de Gordon Ramsay que quero falar. Conheço muito pouco dele na televisão. Vi uns dois programas: num deles, o mais interessante, a proposta era re-estruturar restaurantes falidos. O outro é o famoso “Hell’s Kitchen”. Em ambos o chef deixa bem claro o seu diferencial: capricho na execução + prepotência + arrogância. Isto se repete no texto de “Segredos de Gordon Ramsay”, seu primeiro livro publicado em Português, que ganhei de meu sogro na semana passada. Na introdução o ex-jogador de futebol declara, do alto de seus 15 anos de experiência (?!?), que não copia receitas, mas as reinventa. Aparentemente, ele “desceu dos céus” para rever e aprimorar a culinária da França, Itália e Espanha (acho que se ele conseguir fazer isto com 10% da culinária Inglesa, já entra para a história…hahaha). O livro é legal. Boas fotos, explicação detalhada, algumas dicas e idéias muito interessantes. A primeira receita que experimentei foi o Pain de Mie abaixo. Segui tudo à risca, coisa que raramente faço. Resultou num pão de forma descompromissado, nada especial. Mas eu gostei do resultado e a família também. Estilo pessoal à parte, há que se respeitar Gordon Ramsay. Afinal é o único chef de Londres com 3 estrelas Michelin…

Pain de Mie (Pão de Miga)
Extraído do livro “Segredos de Gordon Ramsay” – Ed. Globo

Ingredientes:

- 15g de fermento fresco.
- 125ml de leite integral morno.
- 125g de farinha de trigo branca sem fermento (para a esponja).
- 160g de farinha de trigo branca sem fermento (para a massa).
- 1 colher de chá de sal.
- 20g de manteiga em pedaços.
- 2 colheres de chá de açúcar refinado.
- 4 colheres de sopa de leite frio.
- semolina para polvilhar.
- óleo para pincelar (utilizei azeite de oliva).

Modo de Preparo:

1. Esmigalhe o fermento em uma tigela média e bata com o leite até dissolver. Em seguida, bata com as 125g de farinha até obter uma mistura homogênea. Cubra com um filme plástico e reserve por 1 hora para adquirir a consistência de esponja.
2. Enquanto isso, peneire a farinha e o sal em uma tigela, espalhe a manteiga, então misture com o açúcar. Faça um buraco no centro.
3. Quando a massa “esponjosa” estiver pronta, coloque-a junto com o leite dentro do buraco da mistura de farinha. Misture até obter uma massa macia. Sove vigorosamente por 5-10 minutos, em batedeira com gancho para massa ou com as mãos sobre uma superfície de trabalho levemente enfarinhada. A massa estará pronta quando, ao pressioná-la, você conseguir deixar a impressão digital de seu dedo polegar.
4. Coloque a massa em uma tigela, cubra com filme plástico e deixe em um local aquecido (28°C) por cerca de 1 hora, até dobrar de tamanho.
5. Sove de novo a massa sobre uma superfície limpa e molde-a em formato oval grande. Coloque a massa numa forma para pão de forma, untada com azeite de oliva e enfarinhada. Deixe a massa crescer, até dobrar de tamanho (leva de 30 a 60 minutos, dependendo da temperatura no dia).
6. Pré-aqueça o forno a 200°C.
7. Pincele a superfície da massa com água. Coloque para assar. Após 10 minutos reduza a temperatura para 180°C e asse por mais 15 a 20 minutos.
8. Retire do forno e desenforme, colocando o pão sobre uma superfície aramada para que esfrie.

Ultimate Frozen Yogurt da Ana Elisa!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Dez! Esta receita veio do blog La Cucinetta e faz jus ao título do post. Facílimo de fazer, desde que você tenha uma sorveteira (um apetrecho que nestes dias de verão tenho achado imprescindível). Adaptei apenas a quantidade de açúcar. Ou melhor, coloquei um pouco mais de iogurte porque queria um frozen um pouco menos doce.

Exceto pela quantidade de iogurte, fiz como a Ana Elisa ensinou. Misturei 1000g de iogurte natural com ½ xícara de açúcar, 2 pitadas de sal e 1 colher de chá de essência de baunilha. Deixei na geladeira por 1 hora e depois levei à sorveteira até tomar consistência. Coloquei num pote de sorvete e deixei no freezer até o dia seguinte.

Queria servir com uma calda de jabuticaba. Procurei em 2 frutarias perto de casa mas não encontrei. Resolvi substituir por calda de cerejas frescas: descarocei 300g de cerejas chilenas extra-grandes (muito fácil, é só usar o descaroçador de azeitonas!). Então, levei-as ao fogo em uma panela pequena com 150g de açúcar e 150ml de água. Deixei cozinhado em fogo baixo por aproximadamente 20 minutos e despejei as cerejas ainda quentes sobre o frozen yogurt. Atenção: não espere desta calda o sabor artificial de maraschino…ela tem gosto frutado, natural e combinou muito bem com o sorvete. Leve, refrescante, perfeito!

Relíquia

domingo, 13 de janeiro de 2008

Dentre meus livros de culinária existe um que considero uma relíquia. Não apenas pela dificuldade que tive em encontrá-lo, mas também pelo conteúdo e a história que ele carrega. Meu exemplar é da 7ª edição. Foi publicado em 1986, pela Editora Vozes, em Petrópolis. Nem é tão antigo assim, apesar de estar bastante surrado e com as páginas amareladas que todo livro que saiu da estante e freqüentou a cozinha tem.

O “Fogão de Lenha – Quitandas e Quitutes de Minas Gerais”, de Maria Stella Libânio Christo é único, por seu trabalho de pesquisa. A autora, que é mãe do Frei Betto, buscou velhos cadernos de família. Receitas que, durante gerações, passaram de mãe para filha. Estórias e segredos. 300 anos de cozinha mineira em 572 receitas.

Tomei contato pela primeira vez com o “Fogão de Lenha” ainda adolescente. Morávamos em Belo Horizonte. Minha mãe achou tão interessante que comprou dois: um para presentear minha avó e outro que está com ela até hoje. Já adulto, topei de novo com o livro na cozinha da mamãe. Comecei a procurar um para comprar. Descobri que já estava fora de catálogo. Quem sabe na Internet? Quem sabe em alguns sebos? Telefonemas para a Editora. Não. Procura mais. Nada. Acabei desistindo, perdi as esperanças e esqueci do assunto.

A surpresa veio neste último dia dos pais, embrulhada para presente e com a seguinte dedicatória:

“Filho, como um pai especial, você tem alimentado bem, em todos os sentidos, os seus filhotes. Divirta-se com as histórias e fatos interessantes escritos neste livro e também tire bom proveito das receitas. Tenho certeza que a Vó querida ficaria muito contente se soubesse que o ‘Fogão de Lenha’ seria seu um dia. Neste Dia dos Pais de 2007, senti que deveria dar a você o livro que um dia foi de sua avó. Feliz dia, pois, e bon appetit!”
Beijos,
Mãe
S.P. 12/08/2007

Pois é. Eu não sabia que, após a morte da vovó, o exemplar dela ficara com a minha mãe. Repetindo a tradição de séculos, as receitas mineiras passam mais uma vez para a próxima geração! Desta vez de avó para neto, através de uma mãe atenta e carinhosa.

Hoje levantei cedo. Resolvi surpreender as crianças com um pão de queijo fresquinho. Escolhi uma receita do “Fogão de Lenha”. Preparei a massa e coloquei no forno. Enquanto escrevo este texto, os pães estão assando e a Gabi passa um café. O aroma que invadiu a casa me fez voltar no tempo. Acho que uns 300 anos.

Pão de Queijo com Batata *

*Do livro “Fogão de Lenha” – Maria Stella Libânio Christo – Ed. Vozes, 1977
É preciso dizer que as receitas do “Fogão de Lenha” são escritas de forma muito simples: omitem algumas etapas do processo de preparação. As medidas são dadas em “copos”, “xícaras” e “punhados”. Porque naquela época as pessoas (digo, as mulheres) começavam a ter contato com “o cozinhar” muito cedo. Aprendiam olhando as mães, avós e tias. Não é livro para iniciante ou para quem nunca pôs o pé na cozinha. Para este “Pão de Queijo com Batata” fiz as seguintes adaptações:
- Substituí a bnha de porco da receita original pela mesma quantidade de manteiga.
- Converti as medidas para o sistema métrico (g e ml).
- Detalhei todo o processo de preparo.
- Todo mundo sabe (todo mundo?!?) que pão de queijo autêntico deve ser feito com queijo do Sêrro, que é bem salgado. Aqui em São Paulo é difícil encontrá-lo. Como usei queijo de minas padrão ou meia cura(não é o frescal!), que tem menos sal, acrescentei uma colher de café de sal à receita.

Ingredientes:

- 2 colheres de sopa (100g) de manteiga com sal.
- 2 copos (500g) de batata cozida e amassada.
- 2 ovos caipira.
- 2 copos (250g) de polvilho azedo.
- 1 e ½ copo (200g) de queijo de minas (prefira queijo do Serro, se não encontrar substitua por queijo meia cura) ralado.
- 1 colher de café (15g) de sal (no caso de você não usar o queijo do Serro).

Modo de Preparo:

1. Numa tigela grande misture todos os ingredientes e amasse bem com as mãos até formar uma massa pegajosa e homogênea.
2. Pré-aqueça o forno por 10 minutos a 200°C.
3. Enquanto o forno aquece, passe um pouco de óleo de canola nas mãos e enrole a massa em bolinhas de aproximadamente 3 a 5cm de diâmetro. Coloque as bolinhas numa forma untada com óleo de canola.
4. Asse por aproximadamente 45 minutos (ou até que os pãezinhos estejam dourados) à 200°C. NÃO abra o forno até que os pãezinhos estejam prontos.

Malabie

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Esta vai para a Sílvia Panico, Diretora de Atendimento da Y&R.;

Semana passada, tivemos uma reunião na Young que deveria ser seguida de almoço de fim-de-ano (no Charlô…). Deveria. Porque o tempo foi curto e o almoço ficou pro ano que vem. Acabamos pedindo comida árabe e comendo no escritório mesmo. Notei a alegria da Sílvia a cada colherada da sobremesa: um potão de Malabie. E, como o espírito natalino nos invade nesta época do ano, blá, blá, blá, prometi que ia lhe mandar a receita. Via blog, é claro, que eu preciso movimentar mais minha homepage.

Este “flan” árabe é, para mim, a versão oriental do nosso “Manjar Branco”. Mudam ingredientes e texturas, mas o princípio é o mesmo: leite adoçado, aromatizado e engrossado com amido. Falando assim, parece complicado, mas o preparo é bem simples.

Foi por causa da Gabriela, que adora o Malabie do Almanara, que fucei a internet atrás da melhor receita e fiz as adaptações necessárias.

Sempre digo que comer Malabie me faz voltar no tempo. Não sei o porquê. Não tenho árabe na família (meu narigão vem de Portugal). Talvez o creminho lembre aquele mingau de maisena que a mãe preparava com um monte de amor, quando a gente estava de cama. Malabie é o tipo de sobremesa que leva e traz carinho. De mãe para filho, de amigo para amigo. E, me desculpem o pieguismo (afinal, todo mundo tem o direito de ser piegas no natal…), vai aqui o abraço para todo o time da Y&R;, que nos apoiou muito este ano.

Dicas para a Sílvia:

Dica1: Sílvia, a “água de flor de laranjeira” você vai encontrar na gôndola de importados de bons supermercados ou então nas casas de produtos árabes, ok?
Dica2: não abra mão de usar leite integral. A marca você já sabe qual é.

Ingredientes do Creme

1 litro de leite integral
4 colheres de sopa de maisena
4 colheres de sopa de açúcar
6 colheres de sopa de água de flor de laranjeira.

Modo de preparo:
1 – Dissolva a maisena em um copo e meio de leite.
2- Em uma panela, misture a maisena dissolvida, o leite e o açúcar.
3 - Leve ao fogo brando por 10 a 15 minutos aproximadamente, mexendo até engrossar.
4 – retire do fogo e acrescente a água de flor de laranjeira, misturando-a ao creme.
5 – coloque e taças individuais e leve a geladeira.
6 – sirva bem gelado com 1 ou 2 colheradas de calda de damasco sobre cada taça.

Ingredientes da Calda:

1 xícara de chá de damascos secos, picados grosseiramente.
1 litro de água
½ xícara de açúcar.

Modo de preparo:
1 - Deixe os damascos de molho em uma tigela com a água por aproximadamente 8 horas.
2 – Coloque o conteúdo em uma panela. Acrescente o açúcar. Cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 30 minutos.
3 – Bata no liquidificador.
4 – Deixe esfriar e leve à geladeira.

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