• Rogério

Le Jazz Brasserie


Passada a calmaria de janeiro, São Paulo vai retomando sua rotina: volta às aulas, mais trânsito ainda, corre corre, reuniões sem fim. Calor, chuva e alagamentos. Shopping Centers cheios e vagas escassas nos estacionamentos caríssimos. E longas filas nos restaurantes. Principalmente aqueles da moda, aos fins de semana. Mesmo “quase-paulistanos” tarimbados como eu fingem acreditar no tempo de espera prometido pelos gerentes e hostess no momento da chegada:

- Mesa para quantos, senhor?

- Duas pessoas.

- Ah! Para duas pessoas é rápido. Só uns quinze minutinhos. Seu nome?


Foi assim no último sábado. Chegamos ao Le Jazz Brasserie por volta das 13hs. A espera prometida era de “apenas” 20 minutos. Que se tornaram 30, 35, 40, 45, 50 minutos!

- Desde que a casa saiu na Vejinha, senhor, nosso movimento aumentou muito, disse o camarada que nos recebeu.


Sei. Entendo. Mas por que não ser sincero com o cliente? Por que não informar o tempo real para se conseguir uma mesa? Aguardar na calçada pelo menos serviu para observar como meu carro foi tratado pelos manobristas. Após pegarem a chave tiraram o carro da frente do restaurante. Achei que fossem direto para o estacionamento. Enganei-me. O rapaz deixou o carro na rua, a uns quinze metros da porta, com o pisca alerta ligado. Fiquei quieto para ver o que aconteceria. Olhei o relógio. Vinte minutos depois, um dos manobristas foi até o carro e finalmente levou-o até o estacionamento. O procedimento se repetiu com veículos de outros clientes.


Mas se a chegada ao Le Jazz Brasserie foi bagunça e desatenção, os momentos seguintes foram bastante agradáveis, compensados por comida boa, bem feita e de custo x benefício interessante. Acho que acertam muito em alguns aspectos: detalhes como a garrafa de água que é colocada na mesa e não é cobrada, bem ao estilo “carrafe d’eau” dos bistrôs da França; o papel que forra as mesas, com fotos de grandes astros do Jazz; o pão do couvert que vem quentinho. E pontos importantes como o serviço – atento naquele sábado (interessante que trabalham com pouca gente no salão, bem ao estilo europeu); a disponibilidade de vinhos em ½ garrafa e, sobretudo, os pratos. Todos os que pedimos atenderam às expectativas e arrancaramhummmsssda Gabriela. Saímos mais felizes do que entramos. E é isto que importa para nós quando saímos os dois, sem as crianças, nos raros breaks de fim de semana. Vamos voltar. Destaques abaixo:


Le Jazz Brasserie

- Localização: Rua dos Pinheiros, 254 (fone 11 2359 8141). O lugar é meio contramão para mim. Acho a Rua dos Pinheiros muito movimentada, meio bagunçada. Por isto resolvi experimentar o restaurante num sábado, na esperança do trânsito ser menor.

- Estacionamento: o esquema é muito ruim, como já contei acima. Fique esperto se for de carro.

- Ambiente: pequeno, mas movimentado e “pra cima”. 36 lugares. Decoração com motivos de Jazz e alguns instrumentos de sopro atingos. Mesas bem juntas umas das outras, no jeitão francês de bistrô.

- Banheiros: bem pequenos (sabe banheiro de avião?), mas pelo menos bem mais limpos que os dos restaurantes de Paris.

- Couvert: bem simples, pão, manteiga, jarra de água ( R$ 4,50). Quer saber? Muito honesto.

- Comida: bem, aqui começa a ficar muito interessante. Começamos com uma Terrine de Campagne que veio bastante suave, com ótima textura, acompanhada de cornichons (R$ 12). Como prato principal, escolhi o Steak Tartare (R$ 27,50) que estava temperado na medida, a carne picada e não moída (como deve ser) e batatas fritas grossas, feitas na casa (sim, isto está virando raridade. Muitos restaurantes já se renderam às batatas pré fritas, processadas e congeladas). A Gabi aprovou o Camembert empanado com mel, pimenta e torradas (R$ 22,50), acompanhado de salada. De sobremesa um Clafoutis de Cereja (R$ 12,00), muito leve, assado na hora, sem excesso de açúcar e com mais fruta do que massa, que fechou com chave de ouro nossa tarde.


- Bebidas: uma carta de vinhos enxuta, condizente com a proposta de bistrô. Vinhos em taça de R$ 8,00 a 18,00. Angelica Zapata Malbec por R$ 135, 00 a garrafa. Alamos Malbec ½ garrafa por R$ 25,00. - Serviço: bem simpático, com poucos garçons. Mas apesar da simpatia a comida naquele sábado um pouco a chegar.



© 2020 Rogério Moraes