• Rogério

Ela voltou. Nesta semana a nossa querida Shanghai Symphony Orquestra retomou à rotina de concertos. De forma paulatina e com restrições, mas segundo o Doug He – meu amigo e manager da orquestra – com muita vontade!

Já à porta de entrada do SSO Concert Hall percebe-se a mudança provocada pelo novo normal (vulgo Covid 19): agora é preciso mostrar não só o ingresso, mas também o passaporte e o “código verde” da municipalidade de Shanghai (um app no celular que emite seu status com relação à doença. Se o QR code estiver verde, passe livre). A conferência é minuciosa, feita por duas pessoas. Há também a recomendação, ou melhor, a obrigação de usar máscara durante todo o concerto. Além disso, é proibido sentar fora do lugar estipulado no ingresso. O número de espectadores é muito reduzido e os assentos são marcados mantendo a distância de 3 poltronas entre cada pessoa.

Outra coisa que mudou foi a duração do espetáculo. O programa foi encurtado para caber em cerca de 1 hora apenas. Cardápio reduzido. Como fez a maioria dos restaurantes em Shanghai quando voltaram à ativa após a quarentena. As peças foram escolhidas de modo que não houvesse a participação dos instrumentos de sopro. Porque quando a direção da SSO estava planejando a retomada e redesenhando o repertório da temporada 2019-20, ainda não se sabia se o governo exigiria que os músicos usassem máscaras durante as performances. No palco, vê-se alguns músicos que tocam usando máscara. Ilustra bem o medo que o Shanghainês ainda tem. Mesmo com raríssimos casos ocorrendo na cidade, todos “importados”.


Começamos o programa com o Adágio para Cordas – Op.11, de Samuel Barber. Não me emocionei. Talvez porque eu mesmo já tenha tocado tantas vezes esta obra que já não consigo mais me surpreender com ela. Mas Zhang Jieming, a regente titular, estava lá, de corpo e alma. Firme. Pareceu-me um pouco constrangida e surpresa em tocar para tão pouca gente na plateia, acostumada que está de ver a casa sempre cheia. Os concertos da SSO costumam lotar.


Na sequência o ponto alto do dia: Música para Cordas, Percussão e Celesta – Sz.106, de Béla Bártok. A orquestra tocou de forma sensacional, principalmente levando em conta que tiveram apenas 2 ensaios e o “dress rehearsal” para se preparar. Uma interpretação focada, precisa e exuberante. Muita sensibilidade nos movimentos lentos. As cordas com tudo em cima e a percussão dizendo a que veio.

Por último, As Quatro Estação de Buenos Aires, de Piazzolla. Primeira vez que assisti ao vivo. Bonito, interessante, Piazzolla sendo Piazzolla. Mas pelo título e a inevitável comparação com a série de concertos homônima de Vivaldi, eu esperava mais, em termos de estrutura, densidade e profundidade musical. Achei que seria uma obra mais parruda. Li Pei, o spalla da orquestra, saiu-se muito bem como solista. Bonita sonoridade e técnica impecável. Gostei. Mas achei que poderia ter se sobressaído mais às cordas, quando tocavam juntos. Mais pujança, sabe? De qualquer forma, muito bom! Ótimo estar de volta com a família a uma sala de concertos. Aliás, obrigado aos amigos Ken e Gigi, que organizaram esta noitada. Terminamos com bacalhoada aqui em casa. Com direito a novos amigos, Sirquis e Alessandra, que conhecemos ontem. Foi sensacional. Tal qual a Orquestra, aos poucos as coisas voltam ao normal, com as adaptações que esta nova época nos impõe...

  • Rogério



Tempo de Covid: tempo de mudanças; tempo de adaptação. Para nós aqui na China parece que o pior já passou. Muitas restrições já foram levantadas restaurantes e bares reabriram, o transporte público está funcionando e as aulas voltaram. Tudo com as adaptações necessárias para diminuir o risco de contágio. Porém, ainda estamos usando máscaras na rua. Para entrar em locais públicos é preciso mostrar no celular o QR-code verde do App que governo fornece. E os estrangeiros que saírem da China agora não podem retornar. Nada de viagens... Será? Se viajar é preciso e viver não é preciso, viajemos ao menos de forma virtual, como propõe o Luiz Horta (@luiz.horta) no seu “Tour de France” do Instagram.

Acompanho o Luiz desde os tempos em que escrevia no caderno “Paladar” do Estadão. Acho que lá se vão uns 13 anos. Trocamos e-mails e mensagens amiúde. Já me deu altas dicas. Desde hospedagem no Douro (a fantástica Quinta De La Rosa) até onde comprar boas canetas tinteiro on-line, passando obviamente por vinhos e drinks. Ele tem sempre algo a acrescentar, trazendo, muitas vezes, uma perspectiva inusitada e totalmente diferente das coisas.

Então, quando veio a proposta desta viagem virtual pela França e através de seus vinhos, não tinha como não embarcar!

Começamos por Champagne e o primeiro vinho foi o “Champagne Barons de Rothschild Brut” que por sorte conseguimos encontrar aqui em Shanghai. Bebemos à tardinha, no último fim de semana. É gostoso, elegante. Com aroma de amêndoas torradas e pão e, na boca, um tanto de cítricos também. Agora, tão bons quanto os vinhos são os comentários e dicas do Luiz. Quem esperava apenas um papo técnico sobre degustação ou aquelas histórias que são pra lá de conhecidas, vai se surpreender.

Passadas 3 sextas-feiras em Champagne, estamos rumando agora em direção ao Loire, uma das regiões que mais gosto. A ver o roteiro que o Luiz preparou para nós... Sempre que puder e fizer sentido, comentarei a "paisagem” por aqui, com a minha opinião que é apenas de “turista”. As nuances e surpresas deixo por conta do que o Luiz contará no Instagram. Ele afinal é o “tour conductor” experiente e perfeito para este tipo de jornada!


Em tempo: os vinhos desta "jornada" podem ser encontrados aí no Brasil na www.edega.com.br



  • Rogério

Oi, de novo!

Foram quase 7 anos de silêncio por aqui.

Não que tenha faltado vontade. Tampouco faltou assunto. A desculpa que dou é bem clichê mesmo: a rotina de trabalho e viagens acabou engolindo toda a energia para escrever, fotografar e criar. Mas andei, cozinhei e estudei muito nestes 7 anos. A vida me levou para muitos lugares. Conheci muita gente legal. A tal ponto que as ideias, descobertas e experiências agora pedem insistentemente para sair da cabeça e vir para o “papel”. Ou melhor, para o computador, tablet, smartphone, sei lá. Aquela “blogsfera” que existia quando criei o AmuseBouche em 2007 sumiu! Poucos blogs sobreviveram à velocidade e exuberância da mídia social. Daqueles marcados na nossa página original são raros os que ainda estão ativos. Entendo perfeitamente! Acho virou demodê. Mas contra toda a modernidade, resolvi retomar este espaço. Não por buscar seguidores e adeptos (afinal, quem perde tempo lendo blogs hoje em dia?), mas pela necessidade de escrever, registrar, guardar a memória.

Reformulei o design do blog. Está mais simples, mais leve. E também pode ser facilmente visualizado no celular. A ver se consigo a fluência e a frequência de antigamente. Confesso que estou bem enferrujado. As frases não saem mais tão fácil. Perdi a prática e o cacoete. E não tenho usado mais a câmera fotográfica. Preciso até procurar onde guardei. De uns 5 anos pra cá, só fotografo com o Iphone. Mesmo assim, vou tentar encher as páginas deste meu Moleskine virtual com coisas interessantes e boas receitas. Às vezes uns drinks, uns pitacos sobre música, algumas dicas e descobertas de viagem.

“Folheie” à vontade, pergunte e palpite. Seja bem-vindo novamente!

© 2020 Rogério Moraes