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Torta de Batatas

Definitivamente, cansei do Jamie Oliver. Antigamente, quando ele era um moleque de cabelão solto, meio porquinho, desencanado e com idéias originais na cozinha, eu era fã. Tanto que tenho uns 4 livros dele (Rock’n Roll Cuisine, O Chef sem Mistérios, O Retorno do Chef Sem Mistérios e A Itália de Jamie).

Mas agora Jamie envelheceu…e continua querendo parecer moleque. Está meio gordão e ridículo com as mechas louras no cabelo, que ele teima em usar espetado. Está mais porcalhão na cozinha (será que é mal de cozinheiro inglês? Hein, Nigella?) Fica querendo dar uma de Italiano; ditar regra sobre cozinha italiana. Como se fosse possível conhecer a culinária da “bota” com uma dúzia de viagens à Toscana….Resolveu defender umas causas politicamente corretas – mais pela fama e repercussão que elas causam do que pela ideologia em si. De modo que, para mim, Jamie Oliver já deu o que tinha que dar.

Acontece que, apesar de tudo, às vezes ele vem com boas idéias. Sábado passado, no GNT, ele falou sobre aspargos. E deu a receita de uma torta de aspargos que resolvi adaptar. (1×0 para você, Jamie. Admito). Não fiz a torta exatamente como ele recomendava. Até porque, aspargos para mim são tão nobres, que não vale a pena desperdiçá-los numa torta. Mas, em linhas gerais, a torta à base de 1 legume + batata me pareceu boa idéia.

Fiz uma série de adaptações, começando por não usar massa folhada. Assei a “massa de batatas” diretamente no refratário. Substituí o cheddar por queijo meia cura. Utilizei abobrinha italiana ao invés dos aspargos. E polvilhei bastante queijo para gratinar. Eis a, agora minha, receita:

“Torta” de Batatas e Abobrinhas

Ingredientes:

- 1 abobrinha fatiada em rodelas de aproximadamente 3mm
- 800g de batatas cozidas e amassadas grosseiramente (=mais ou menos 3 batatas grandes cruas).
- 200g de creme de leite.
- 3 ovos caipiras.
- 1 colher de sopa de manteiga e mais o suficiente para untar.
- 150 gramas de queijo meia cura ralado grosseiramente (use o ralador grosso).
- 1 pitada de noz moscada.
- 1 colher de chá de sal ou mais, dependendo do seu gosto.

Modo de Preparo:

1. Fatie a abobrinha e reserve.
2. Descasque e cozinhe as batatas até que fiquem macias. Escorra a água e, com um garfo grande, amasse-as grosseiramente. Espere esfriar um pouco. Misture o creme de leite, a noz moscada, o sal, os ovos batidos, a manteiga derretida e 100g do queijo meia cura ralado.
3. Coloque esta massa em um refratário quadrado, untado com manteiga.
4. “Enfie” as fatias de abobrinha na massa, na vertical, fileira a fileira. Quando terminar, incline as fatias levemente, de modo a imitar escamas de peixe (veja a foto).
5. Salpique o restante do queijo ralado (50g).
6. Leve ao forno pré-aquecido a 220°C por 45 minutos, ou até que a torta esteja dourada.

Dica1 – Sirva com salada de tomates-cereja e cebola crua, temperada simplesmente com acceto balsâmico, azeite de oliva e sal.
Dica2 –Como ando com mania de Pinot Noir, servi com um “Doña Paula” Pinot Noir 2004, da Vinã Doña Paula em Mendoza, Argentina (importado pela “Grand Cru”) . Bom custo benefício. Bastante frutado, levemente ácido. Notas florais e de baunilha. Na boca, cereja bem madura. No fundo, achei-o um pouco demais para este prato, mas fica aqui a recomendação de um vinho bem honesto.

11 comentários para “Torta de Batatas”

  1. Luiz Horta disse:

    Concordo, ah como concordo! Jamie Olliver é um vinho vagaba, envelheceu mal e ficou insuportável. Porque será que ninguém diz isto?

  2. Ana Elisa disse:

    hehehe…
    Concordo que o Jamie Oliver tenha se revelado mais charlatão do que todos esperavam, e que ele anda reciclando muita receita em livro. Mas acho que todo chef acredita que tem a melhor receita disso e daquilo. E depois que vi Gordon Ramsay (com estrela michelin e tudo) colocar óleo na água para fazer spaghetti, parei de achar que qualquer um deles seja dono de uma verdade universal sobre comida. No entanto, há um único e derradeiro motivo de eu ainda ter um resquício de admiração pelo Oliver, e são justamente os trabalhos “extra-curriculares” dele. É difícil dizer que ele faz pela fama, já que ele só consegue fazer POR CAUSA da fama. Um zé migué como eu não conseguiria criar as campanhas que ele cria, e se criasse, elas cairiam no esquecimento público. Então vamos dar o braço a torcer que, criativo hoje em dia, só o Adriá (e numa escala menor, o Atala), e eu não sei se gosto do tipo de comida que ele faz. Jamie faz comida honesta para todo dia: ele deixa isso muito claro. Falta criatividade, mas pelo menos as receitas dão certo… hehehe… Ao contrário de um senhor Hermé que eu conheço… hahahahahaha!
    ;)

    Beijão!

  3. Rogério disse:

    Pois é, Luiz…perfeita a analogia! Esta vou anotar!
    Abraço
    Rogério

  4. Rogério disse:

    É Ana, que as receitas dão certo, não há como negar. Mas ele anda mais marketeiro do que cozinheiro nos últimos anos. E$perto. Muito e$perto…Quanto às campanhas, em parte ele tem razão. Porém existem muitas meias-verdades no que ele diz. Muita falta de embasamento técnico. A história às vezes é contada pela metade. Sinto também que se tenta atacar o sintoma e não a causa. É que, quando a discussão se aprofunda e se torna realmente científica, curiosamente isto some da mídia.
    Beijo grande,
    Rogério

  5. Ana Elisa disse:

    Concordo com você mais uma vez. Mas acho que, charlatanice e exageros apocalípticos à parte, prefiro que um cara como ele esteja saturando a mídia, pregando um estilo de vida mais natureba, tentando convencer as pessoas a plantar mais e cozinhar com um pouquinho mais de consciência a respeito da origem dos seus ingredientes, do que outros por aí que só se preocupam com o resultado final do prato e continuam incentivando o uso de ingredientes pouco éticos ou pouco saudáveis. Sei lá, acho que todo chef celebridade tem seus pecados.

    Beijos!

  6. Gourmandise disse:

    Esse garoto faz tanto sucesso, mas é meio “pentelho”, desorganizado e suja tudo!
    abs,
    Nina.

  7. Pamela disse:

    oi Rogério. Acabei de ver na tv a receita original no programa do J Oliver e encontrei seu blog. Amei sua receita e definitivamente vou cozinhá-la antes de usar os aspargos. Você tem o link para a receita original? Não consegui encontrar.
    abraço!

  8. Rogério disse:

    Oi Pamela,

    Infelizmente eu não tenho o link da receita nem anotei em detalhes a receita dele. Anotei apenas os ingredientes e o processo de preparo. Depois, fiz tudo meio “de olho”.
    Abração e volte sempre!
    Rogério

  9. Lívia Mascarenhas disse:

    Olá,

    eu também vi a torta de aspargos e ela me interessou bastante. Mas eu resolvi adaptar também, vou fazer amanhã a noite. Mas ao invés de aspargos vou usar cogumelos (shimeji, shitake etc).
    ainda vou aproveitar e tirar essa massa folhada e fazer tudo no refratário, estava achando muito engordurada!

  10. paula disse:

    eu fiz essa receita outro dia com massa folhada, st agur e mussarela. ficou ótima!

  11. Ana Bravo disse:

    Olá Fernando,
    O seu blogue chegou a Portugal a esta portuguesa. Andava a pesquisar receitas e ,porque me chamou a atenção entrei.
    Espero que entenda isto da melhor forma mas quando vi o que escreveu sobre o Jamie Olivier fiquei bastante desapontada. Não por se tratar do Jamie mas pelo que diz. Acha necessário falar mal de alguém, denegrir a imagem de uma pessoa num blogue de culinária? Não é a vida já por si só já tão cheia de tramas, dramas, diz que disse, má língua? Pelo que li seu parece-me uma pessoa com alguma instrução, escreve bem, exprime-se inteligentemente…pelo que lhe proponho usar os dons que lhe foram concedidos para através do seu blogue passar bons sentimentos, boas práticas para além de boa cozinha. Todos temos excelência dentro de nós, é uma escolha usá-la. Seja diferente!
    Deixo-lhe um abraço e desejo de um bom dia

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