amuseBOUCHE

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Imagine a Cena…

13 de maio de 2012

Chego do trabalho às 7 da noite. Com fome, subo rapidamente as escadas, troco de roupa, desço, vou até a cozinha preparar o jantar. Na copa Lucas já está jantando com Sacha, seu amiguinho-francês-cara-de-anjo e cabelão grunge na altura dos ombros.

-Hey guys! How are you? Pergunto.
- I’m good! Oi, pai! Respondem ao mesmo tempo.

Visto o avental, sirvo um saquê bem gelado. Começo a picar a cebola. Gabriela me diz:

- Este garoto francesinho é um amor! Tão educado, tão bonzinho, come de tudo. A mãe dele é linha dura, como a gente. Veja só, comeu toda a salada e os legumes também.

- Humm… que bom, respondo.

Refogo a cebola picada na manteiga com um fio de azeite. Junto o arroz, remexo. À parte hidrato o açafrão em um tico de vinho branco. Continuo a conversar com os moleques:

- Sacha, how is your food? Fine?
- Yeah, good! My mother sent some fondant for our dessert.
- Oh, thanks. How kind of her!

Jogo um cálice de vinho branco na panela, espero secar um pouco, vou regando devagar com um bom caldo de carne. Peço à Gabi:

- Amor, coloca uma musiquinha pra gente ouvir enquanto cozinho. E venha dar um gole desse saquê que está ótimo.
- Tá, que música você quer?
- Ah, qualquer uma daquelas que gosto, você sabe.

Oscar Peterson começa a tocar: “I Could Write a Book”, “Jordu”, depois “Bye Bye Blackbird”. Os meninos cochicham alguma coisa, dão risada, começam a sobremesa.

- Hey, boys, what’s so funny?
- Nothing, nothing… (mais risos).

Mr. Peterson ataca “Lil Darlin’” num arranjo inspirado e cheio de brilho. Junto o açafrão à panela, o aroma e a cor invadem o risotto - tal qual a dinâmica e as nuances da música invadem a copa. Arroz no ponto, apago o fogo, coloco uma colherada de manteiga e um bom punhado de granna padano, misturo bem. Fotografo o prato rapidinho, para a comida não esfriar. Sentamos à mesa. E eu, embevecido com “My Foolish Heart”, aumento um pouco o volume. Os garotos sorriem, sorrio também. Acho que estão começando a curtir Jazz. Sasha diz:

- Delicious food, Ms. Gabi… I loved the veggies and also the passion fruit juice. The risotto you two are eating also looks fine. But this music… Any chance that we could have some Rock’n'roll next time?!

O inevitável choque de gerações chegou à minha casa!

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Risotto Milanese

Ingredientes (2 pessoas):

- 250g de arroz Arboreo
- 1 colher de sopa de cebola bem picada.
- 1 colher de sopa de manteiga.
- 1 fio de azeite de oliva extra virgem.
- Cerca de 1 litro de caldo de carne.
- 1 colher de chá de açafrão em pistilos.
- Para finalizar, queijo Parmiggiano ralado, o quanto baste + 1 colherada de manteiga.

Modo de preparo: conforme descrito no texto acima, sendo que a adição de um menino brasileiro e outro francês, ambos com 7 anos e roqueiros é por conta e risco do cozinheiro.

Tilt!

5 de maio de 2012

Tudo ficou parado por aqui uns bons meses. Aparentemente algum problema no servidor que hospedava o amuseBouche. Estávamos banidos do google, da China, da intenrnet. Fora do ar. Pelo jeito já está resolvido. Pelo menos aqui do Brasil, onde estou por um par de dias, consigo acesar. Vou tirar a teima quando voltar a Shanghai. Para os persistentes que ainda frequentam estas bandas, oi de novo!

Férias & Fotos

6 de março de 2012

Eu enrolei muito para escrever este post. Posterguei o máximo possível. Primeiro porque acho que este negócio de contar sobre férias é coisa de escola primária, quando â??Tia Tetecaâ? mandava fazer uma redação no primeiro dia de aula. Só para poder ficar a toa até a hora do recreio, enquanto os alunos escreviam, escreviam, escreviam. Depois porque apesar de curtir muito quando os blogs alheios contam sobre suas viagens (são excelentes fontes de dicas), quando chega a minha vez eu fico meio envergonhado, acho um pouco pernóstico sair dizendo por aí que fui para aqui ou para acolá. Dá uma certa sensação esnobe, salto alto. Por último, o tema foge um pouco da proposta inicial do AmuseBouche, que é falar de comida e correlatos.

Mas como as crianças queriam ver a nossa viagem do começo do ano publicada no blog, não tive saida. Portanto aí vão algumas fotos de nossa semana em Pesey-Vallandy. E, para não fugir (muito) à regra, vai de quebra uma receita típica do local. Desenhada porque, apesar de muito gostoso (e calórico!), o prato é praticamente â??infotografávelâ?.

Vista do nosso quarto no hotel…

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… que ficava bem próximo à entrada das pistas de esqui (só vestir a parafernália toda e andar uns 100m até o teleférico). Sim, eu apanhei pra caramba para esquiar (meeedo de arrebentar o joelho novamente!). E até agora não me conformo da molecadinha menor de 10 anos manejar esquis e snowboards muito melhor do que nós marmanjos!

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Do outro lado do vale, panorama das vilas de Pesey e Vallandry.

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Nos quatro últimos dias, volume de neve fora do normal…

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O que deixou as pistas em condições maravilhosas: neve virgem todas as manhãs!

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Nougat…

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… e doces de uma patisserie em Vallandry:

patisserie

Tricobel: paraíso onde nos abastecemos…

tricobel
… de charcuterie de primeira…

charcuterie

… e de muito Reblochon (um de meus preferidos)…

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... ingrediente indispensável da Tartiflette:

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Ano novo de novo

6 de fevereiro de 2012

Eu sei, é uma vergonha. Ficar mais de um mês sem atualizar o blog é uma vergonha. Mas sabe como é: saí correndo para o Brasil onde ficamos durante uma semana apenas, entre natal e ano novo. Depois férias (post específico depois). E em seguida ano novo de novo: desta vez Chinese New Lunar Year ou ChÅ«njié(æ?¥è??) como se diz por aqui. E não dá para falar de ano novo sem as famosas â??resoluçõesâ?. Ultimamente, para evitar maiores frustrações, tenho tomado poucas e fáceis resoluções de ano novo. Em 2011 foram o curso de culinária chinesa, o curso de fotografia e o estudo mais sistemático do Mandarin.Todas praticamente cumpridas. Este ano simplifiquei ainda mais: pretendo â??apenasâ? aproveitar ao máximo um de meus bens terrenos mais preciosos: o tempo.

Ã? curioso como aqui na China os minutos voam. Talvez pelo fato de estarmos 6 horas adiante da Europa e 10 do Brasil. Talvez pela a quantidade de informação. Talvez porque comunicar-se em um idioma muito diferente exija o triplo de energia e o dobro de tempo. Pode ser que seja a imensa quantidade de coisas a realizar, a aprender, a conhecer, fotografar, comer, descobrir… O fato é que não consigo concluir a lista completa das tarefas a que me proponho. A frustração só confirma: o tempo é curto e é preciso aproveitá-lo mais e melhor.

Sim, há uma enormidade de â??afazeres-enquanto-eu-estiver-na-Chinaâ?: avançar no curso de fotografia, visitar o Tibet ainda este ano, aprender a fazer comida tailandesa, aprimorar minha escrita em Hanzi (æ±?å­?), voltar a tocar violino, planejar melhor as viagens pela Ásia, colocar a leitura em dia, ser mais freqüente neste blog, etc. etc. etc. Mas nesta lista não há cobrança, expectativa ou grandes exigências. Se eu souber aproveitar o tempo estas coisas virão. Feliz ano novo a todos, æ?°å¹´å¿«ä¹! e com licença que hoje oficialmente terminam as comemorações de ano novo por aqui e é hora de eu comer com gosto os Tang Yuan que ganhei da Yang Laoshi…

Ainda o agreste

28 de dezembro de 2011

Sobrou castanha e amendoim. E também sobrou camarão fresco, já sem casca e limpo, que não foi usado na moqueca que acompanhou o vatapá (post abaixo). Judiação desperdiçar. Mas como aproveitar? Veio uma idéia maluca: um tipo de pesto, rapidinho, meio nordestino, à brasileira, com jeitão e sotaque da nossa terra. Foi o prato do jantar desta última segunda feira. Apesar da foto sem nenhum â??apetite appealâ?, ficou uma delícia e fez bastante sucesso aqui em casa.

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Acompanhado de arroz branco e, é claro, da imprescindível Pimenta Comari que a Sandra trouxe…

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… combinou perfeitamente com um â??Pikes â?? The White Mullet 2010â? (australiano â?? corte de Riesling+Chenin Blanc+Sauvignon Blanc+Viogner) muito refrescante e cheio de caráter, começando bem uma semana de trabalho que foi extremamente dura e dasafiadora (coisas da China).

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Camarão ao â??Pestoâ? com Jeitão Nordestino

Ingredientes (para 2 pessoas):

- 1 punhado de castanhas de caju torradas.

- 1 punhado de amendoim torrado.

- 4 colheres de sopa de azeite.

- 1 punhado de coentro.

- Suco de ½ limão.

- Sal a gosto.

- 2 dentes de alho espremidos.

- 1 colher de sobremesa de manteiga.

- 400g de camarão descascado e limpo.

Modo de preparo:

1. Triture levemente num processador as castanhas de caju, o amendoim torrado, o azeite, o suco de limão, o coentro e o sal. Reserve.

2. Tempere os camarões com um pouquinho de sal e limão.

3. Numa frigideira grande ou panela esmaltada salteie o alho na manteiga, com cuidado para não queimar.

4. Quando o alho estiver dourado, juntar o camarão, refogar por uns 2 minutos e acrescentar o â??pestoâ?. Misturar até que o camarão esteja cozido.

5. Servir com arroz branco e, é claro, pimenta de qualidade (a Comari, muito frutada, funcionou bem).

Com muito orgulho!

23 de dezembro de 2011

 

Por total falta de tempo, acabei de esquecendo de avisar a todos que o AmuseBouche participou do 44º. Inter-Blogs do â??Da Cachaça pro Vinhoâ?. Só com receitas chinesas. Passem lá para dar uma olhada. Não é todo dia que a gente aparece em um blog de culinária tão importante!

Um bocadinho mais!

10 de dezembro de 2011

Então a Dagmar aterrissa em Shanghai, direto da Bahia. Lá de Conceição do Coité, para ser mais preciso. Na bagagem, castanha, amendoim, dendê da melhor qualidade e camarão seco que D. Maria Helena mandou.

- Rogério, estão aí os ingredientes. Você tem que fazer vatapá prá nós!
- Faço com o maior prazer. Só que tem um detalhe… eu nunca fiz vatapá! Você, que é de família bahiana, me ensine como é que é .
- Hummm, é que… eu também nunca preparei. Fora estas coisas que trouxe prá você, nem sei direito o que leva.

E aí o jeito foi seguir os conselhos de Caymmi: “quem quisé vatapá ôooohhh… que procure fazê!” Lá fui eu consultar o “pai dos burros eletrônico”. Acontece que depois de um tempo cozinhando, a gente bate o olho numa receita e já sabe se vai dar certo ou não. E as que eu vi no Google não pareceram nada confiáveis. A alternativa foi procurar os amigos nordestinos aqui em Shanghai:

- Guiomar, socorro! Você tem alguma receita de vatapá?
- Tenho não…
- Mas que tipo de bahiana é você, mulher?!?
- Oxe, é que quem sempre faz vatapá lá em casa é mainha. Melhor vatapá que o de mainha eu nunca comi… (olhe, minha sogra não pode saber disso não, visse?).
- Então mande um email prá sua mainha, por favor. Peça a ela para mandar a receita.

D. Aparecida foi rápida, mandou a receita em 2 dias, numa mensagem carinhosa, detalhada e cheia de recomendações. E no domingo seguinte, panela de barro, pimenta, dende e camarão a postos, saiu o vatapá. Reduzi a quantidade de todos os ingredientes a ¼ pois a receita de D. Aparecida, transcrita fielmente abaixo, dá para um trio elétrico inteiro comer. � claro que faltou uma nega bahiana ôoooh, que saiba mexer (Wair, difícil encontrar por aqui). Mas o carioca, branquelo e careca até que se saiu bem: o vatapá ficou arretado! Prá cabra-da-peste-da-gota-serena nenhum botar defeito, meu rei.

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Vatapá
(Receita da D. Aparecida)

Ingredientes:

- 1 kg de camarão seco descascado
- 15 pães cacetinhos (pães franceses) - usei pão de forma
- 250 g de amendoim
- 250 g de castanha de caju
- 3 copos de leite de coco grosso
- 50 g de gengibre ( se quiser, pode fazer sem )
- 1 molho de coentro
- 4 cebolas picadas
-1 xícara de azeite de dendê
- sal a gosto

Modo de Preparo:

1. Coloque o pão de molho com um pouco de leite de coco e deixe amolecer. Bata no liquidificador a cebola, metade do camarão seco, o amendoim, a castanha, o coentro, o sal e o gengibre e reserve.
2. Bata também no liquidificador o pão com o leite de coco.
3. Numa pannela misture o tempero com o pão batido no liquidificador e leve ao fogo, mexendo sempre. Acrescente o restante do leite de coco e continue mexendo.
4. Coloque o azeite de dendê e o restante do camarão seco.
5. Retire do fogo quando ele estiver soltando da panela. - e quando tomar cor. No começo não se desespere com a cor esverdeada do prato… tudo dá certo quando o vatapá estiver no ponto certo.
4. Sirva com arroz branco, moqueca de peixe ou de camarão.

Obs. : Se precisar pode usar mais leite coco e o pão é dormido (de um dia para o outro).

谢谢!

28 de novembro de 2011

Para quem está fora de seu país, do outro lado do mundo, pequenos gestos costumam ter enorme significados. Um bilhete, um alô, um â??fulano perguntou por você e mandou um abraçoâ?, valem muito. Hoje recebi uns presentes do Brasil: um â??pout-pourriâ? de pimentas brasileiras, sal negro defumado e camarão seco para fazer vatapá. Obrigado, Sandra, Roseli, Dag e D. Maria Helena. Xiè Xiè!

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Networking

7 de novembro de 2011

Davizinho ontem, durante o café da manhã:

- Pai, sabia que só existem 3 pessoas entre mim e o Obama?
- Hã, filho? Como assim?
- �! 3 pessoas. A Mrs. Lucas, minha professora de Numeracy, disse que o marido dela é amigo de uma pessoa nos Estados Unidos que é membro da Court. E esta pessoa é amicíssima do Obama. Então entre mim e o Obama só tem a Mrs. Lucas, o Mr. Lucas e o amigo dele da Court.
- Ah… (dois segundos de silêncio) Entendi…

Seguindo esta linha de raciocínio, concluo que só existem 4 pessoas entre o que lhes escreve e o presidente dos Estados Unidos. Como diz um grande amigo meu: â??moooorraaa de inveja!â?. Risos+risos+risos.

"Obama" por Lucas, que desenhou especialmente para este post

"Obama" por Lucas, que desenhou especialmente para este post

First things First

23 de outubro de 2011

Na pressa de escrever o post anterior e fazer este blog andar (está difícil…) acabei esquecendo de um dos pontos mais importantes da técnica de corte com o Cài Dāo: como empunhar o dito cujo.

Oficialmente deve-se segurar a faca exatamente como as fotos abaixo (a modelo foi a Gabi). Indicador de um lado da lâmina, polegar do outro.Dedos mínimo, polegar e médio abraçando o cabo.

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Na prática é muito simples: lembre dos tempos politicamente incorretos de criança, quando ainda havia brincadeira de bang-bang. Faça um gesto de â??revólverâ?.

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Abaixe o polegar até a altura do indicador.

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Segure a faca com os dedos nesta posição.

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Boas fatias a todos os que se aventurarem!

 
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