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Arquivo de janeiro de 2008

Piadinha

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ô semaninha complicada!

Viagem inesperada, reuniões agendadas em cima da hora, uma pá de coisas para fazer. Um montão de idéias e nenhum tempo para cozinhar (escrever, muito menos!). Só para não ficar no silêncio, posto esta piadinha que recebi hoje por e-mail. Em Inglês mesmo, que não estou com tempo para traduzir…

Giving up Wine

I was walking down the street when I was accosted by a particularly dirty and shabby-looking homeless woman who asked me for a couple of dollars for dinner.

I took out my wallet, got out ten dollars and asked, “If I give you this money, will you buy wine with it instead of dinner?”

“No I had to stop drinking years ago”, the homeless woman told me.

“Will you use it to go shopping instead of buying food?” I asked.

“No, I don’t waste time shopping,” the homeless woman said. “I need to spend all my time trying to stay alive.”

“Will you spend this on a beauty salon instead of food?” I asked.

“Are you NUTS!” replied the homeless woman. “I haven’t had my hair done in 20 years!”

“Well,” I said, “I’m not going to give you the money. Instead, I’m going to take you out for dinner with my husband and me tonight.”

The homeless Woman was shocked. “Won’t your husband be furious with you for doing that? I know I’m dirty, and I probably smell pretty disgusting.”

I said, “That’s okay. It’s important for him to see what a woman looks like after she has given up shopping, hair appointments, and wine.”

Piadinha

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ô semaninha complicada!

Viagem inesperada, reuniões agendadas em cima da hora, uma pá de coisas para fazer. Um montão de idéias e nenhum tempo para cozinhar (escrever, muito menos!). Só para não ficar no silêncio, posto esta piadinha que recebi hoje por e-mail. Em Inglês mesmo, que não estou com tempo para traduzir…

Giving up Wine

I was walking down the street when I was accosted by a particularly dirty and shabby-looking homeless woman who asked me for a couple of dollars for dinner.

I took out my wallet, got out ten dollars and asked, “If I give you this money, will you buy wine with it instead of dinner?”

“No I had to stop drinking years ago”, the homeless woman told me.

“Will you use it to go shopping instead of buying food?” I asked.

“No, I don’t waste time shopping,” the homeless woman said. “I need to spend all my time trying to stay alive.”

“Will you spend this on a beauty salon instead of food?” I asked.

“Are you NUTS!” replied the homeless woman. “I haven’t had my hair done in 20 years!”

“Well,” I said, “I’m not going to give you the money. Instead, I’m going to take you out for dinner with my husband and me tonight.”

The homeless Woman was shocked. “Won’t your husband be furious with you for doing that? I know I’m dirty, and I probably smell pretty disgusting.”

I said, “That’s okay. It’s important for him to see what a woman looks like after she has given up shopping, hair appointments, and wine.”

Torta de Batatas

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Definitivamente, cansei do Jamie Oliver. Antigamente, quando ele era um moleque de cabelão solto, meio porquinho, desencanado e com idéias originais na cozinha, eu era fã. Tanto que tenho uns 4 livros dele (Rock’n Roll Cuisine, O Chef sem Mistérios, O Retorno do Chef Sem Mistérios e A Itália de Jamie).

Mas agora Jamie envelheceu…e continua querendo parecer moleque. Está meio gordão e ridículo com as mechas louras no cabelo, que ele teima em usar espetado. Está mais porcalhão na cozinha (será que é mal de cozinheiro inglês? Hein, Nigella?) Fica querendo dar uma de Italiano; ditar regra sobre cozinha italiana. Como se fosse possível conhecer a culinária da “bota” com uma dúzia de viagens à Toscana….Resolveu defender umas causas politicamente corretas – mais pela fama e repercussão que elas causam do que pela ideologia em si. De modo que, para mim, Jamie Oliver já deu o que tinha que dar.

Acontece que, apesar de tudo, às vezes ele vem com boas idéias. Sábado passado, no GNT, ele falou sobre aspargos. E deu a receita de uma torta de aspargos que resolvi adaptar. (1×0 para você, Jamie. Admito). Não fiz a torta exatamente como ele recomendava. Até porque, aspargos para mim são tão nobres, que não vale a pena desperdiçá-los numa torta. Mas, em linhas gerais, a torta à base de 1 legume + batata me pareceu boa idéia.

Fiz uma série de adaptações, começando por não usar massa folhada. Assei a “massa de batatas” diretamente no refratário. Substituí o cheddar por queijo meia cura. Utilizei abobrinha italiana ao invés dos aspargos. E polvilhei bastante queijo para gratinar. Eis a, agora minha, receita:

“Torta” de Batatas e Abobrinhas

Ingredientes:

- 1 abobrinha fatiada em rodelas de aproximadamente 3mm
- 800g de batatas cozidas e amassadas grosseiramente (=mais ou menos 3 batatas grandes cruas).
- 200g de creme de leite.
- 3 ovos caipiras.
- 1 colher de sopa de manteiga e mais o suficiente para untar.
- 150 gramas de queijo meia cura ralado grosseiramente (use o ralador grosso).
- 1 pitada de noz moscada.
- 1 colher de chá de sal ou mais, dependendo do seu gosto.

Modo de Preparo:

1. Fatie a abobrinha e reserve.
2. Descasque e cozinhe as batatas até que fiquem macias. Escorra a água e, com um garfo grande, amasse-as grosseiramente. Espere esfriar um pouco. Misture o creme de leite, a noz moscada, o sal, os ovos batidos, a manteiga derretida e 100g do queijo meia cura ralado.
3. Coloque esta massa em um refratário quadrado, untado com manteiga.
4. “Enfie” as fatias de abobrinha na massa, na vertical, fileira a fileira. Quando terminar, incline as fatias levemente, de modo a imitar escamas de peixe (veja a foto).
5. Salpique o restante do queijo ralado (50g).
6. Leve ao forno pré-aquecido a 220°C por 45 minutos, ou até que a torta esteja dourada.

Dica1 – Sirva com salada de tomates-cereja e cebola crua, temperada simplesmente com acceto balsâmico, azeite de oliva e sal.
Dica2 –Como ando com mania de Pinot Noir, servi com um “Doña Paula” Pinot Noir 2004, da Vinã Doña Paula em Mendoza, Argentina (importado pela “Grand Cru”) . Bom custo benefício. Bastante frutado, levemente ácido. Notas florais e de baunilha. Na boca, cereja bem madura. No fundo, achei-o um pouco demais para este prato, mas fica aqui a recomendação de um vinho bem honesto.

Torta de Batatas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Definitivamente, cansei do Jamie Oliver. Antigamente, quando ele era um moleque de cabelão solto, meio porquinho, desencanado e com idéias originais na cozinha, eu era fã. Tanto que tenho uns 4 livros dele (Rock’n Roll Cuisine, O Chef sem Mistérios, O Retorno do Chef Sem Mistérios e A Itália de Jamie).

Mas agora Jamie envelheceu…e continua querendo parecer moleque. Está meio gordão e ridículo com as mechas louras no cabelo, que ele teima em usar espetado. Está mais porcalhão na cozinha (será que é mal de cozinheiro inglês? Hein, Nigella?) Fica querendo dar uma de Italiano; ditar regra sobre cozinha italiana. Como se fosse possível conhecer a culinária da “bota” com uma dúzia de viagens à Toscana….Resolveu defender umas causas politicamente corretas – mais pela fama e repercussão que elas causam do que pela ideologia em si. De modo que, para mim, Jamie Oliver já deu o que tinha que dar.

Acontece que, apesar de tudo, às vezes ele vem com boas idéias. Sábado passado, no GNT, ele falou sobre aspargos. E deu a receita de uma torta de aspargos que resolvi adaptar. (1×0 para você, Jamie. Admito). Não fiz a torta exatamente como ele recomendava. Até porque, aspargos para mim são tão nobres, que não vale a pena desperdiçá-los numa torta. Mas, em linhas gerais, a torta à base de 1 legume + batata me pareceu boa idéia.

Fiz uma série de adaptações, começando por não usar massa folhada. Assei a “massa de batatas” diretamente no refratário. Substituí o cheddar por queijo meia cura. Utilizei abobrinha italiana ao invés dos aspargos. E polvilhei bastante queijo para gratinar. Eis a, agora minha, receita:

“Torta” de Batatas e Abobrinhas

Ingredientes:

- 1 abobrinha fatiada em rodelas de aproximadamente 3mm
- 800g de batatas cozidas e amassadas grosseiramente (=mais ou menos 3 batatas grandes cruas).
- 200g de creme de leite.
- 3 ovos caipiras.
- 1 colher de sopa de manteiga e mais o suficiente para untar.
- 150 gramas de queijo meia cura ralado grosseiramente (use o ralador grosso).
- 1 pitada de noz moscada.
- 1 colher de chá de sal ou mais, dependendo do seu gosto.

Modo de Preparo:

1. Fatie a abobrinha e reserve.
2. Descasque e cozinhe as batatas até que fiquem macias. Escorra a água e, com um garfo grande, amasse-as grosseiramente. Espere esfriar um pouco. Misture o creme de leite, a noz moscada, o sal, os ovos batidos, a manteiga derretida e 100g do queijo meia cura ralado.
3. Coloque esta massa em um refratário quadrado, untado com manteiga.
4. “Enfie” as fatias de abobrinha na massa, na vertical, fileira a fileira. Quando terminar, incline as fatias levemente, de modo a imitar escamas de peixe (veja a foto).
5. Salpique o restante do queijo ralado (50g).
6. Leve ao forno pré-aquecido a 220°C por 45 minutos, ou até que a torta esteja dourada.

Dica1 – Sirva com salada de tomates-cereja e cebola crua, temperada simplesmente com acceto balsâmico, azeite de oliva e sal.
Dica2 –Como ando com mania de Pinot Noir, servi com um “Doña Paula” Pinot Noir 2004, da Vinã Doña Paula em Mendoza, Argentina (importado pela “Grand Cru”) . Bom custo benefício. Bastante frutado, levemente ácido. Notas florais e de baunilha. Na boca, cereja bem madura. No fundo, achei-o um pouco demais para este prato, mas fica aqui a recomendação de um vinho bem honesto.

É Pique!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

454 anos da minha cidade predileta. Agora que eu já tenho blog, como não homenageá-la?

Mas tanta gente boa já escreveu sobre São Paulo. E tão bem, que fica difícil.

Não me refiro à “Sampa” de Caetano, que apesar de poética, é melosa, meio piegas, não tem a cara daqui. Vanzolini fez mais simples e melhor. Que outro lugar do mundo poderia ser o cenário de “Ronda”? Sem mencionar o nome da cidade, ele pintou um retrato perfeito do bas fond paulistano. Poesia é isto.

Outro que conseguiu captar de forma brilhante o espírito de São Paulo e traduzí-lo em música foi Billy Blanco, que nos presenteou com “Amanhece”:

Começou um novo dia,
Já volta quem ia,
O tempo é de chegar
De metrô chego primeiro,
Se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua,
Como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier.
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora

Quem nunca ouviu esta música, no carro, a caminho da escola ou do trabalho? Se não ouviu, não pode se considerar paulistano.

Lembro que eu tinha 6 para 7 anos quando ouvi “Amanhece” pela primeira vez. Vim passar as férias de inverno na casa de meus avós. Nunca tinha estado por aqui antes e tudo me impressionou. Os prédios, o trânsito, o ritmo da cidade. O Shopping Center com seu relógio d’água. O frio. Naquele tempo fazia muito frio. Usar luvas e cachecol!

E a comida? Tanta coisa diferente. Pão Pullmann (pão de forma) só existia aqui. Para o café da manhã, minha vó fazia torradas com geléia de framboesa, que ela mesmo preparava (um dia eu conto como ela conseguia as framboesas) . O cheirinho do “Café Seleto”:…depois de um sono bom, a gente levanta… Vovó adorava cantarolar este jingle, achava muito bonitinho. Ficou horrorizada quando cantei a versão “Café Concreto tem sabor de vomito…” que aprendi brincando com os vizinhos dela!

Depois, as tardes de desenho animado ininterrupto na Record. Sim, existia um canal de TV que passava desenhos a tarde inteira. Que maravilha! Comer bolinho “Ana Maria”, que também não existia fora de São Paulo. Comprar o jornal para o vovô e na volta da banca parar na “Padaria Bienal” para tomar um “Gini”. No lanche pão com “Nucita”.

Aos domingos, de sobremesa, as bombas de creme da confeitaria São Gabriel (naquele tempo não tinha essa frescura de chamá-las de éclair). E de vez em quando o “Pastel de Santa Clara” da Rotisserie “Da Vinci”.

Minhas primeiras férias em São Paulo passaram rápido. Logo acabaram. Fui embora já com vontade de voltar. E fui voltando ano após ano. Nunca mais parei de voltar. Um dia ainda vou morar aqui, pensava…

Faz 14 anos que vim para ficar. Mesmo com todos os seus problemas, não me imagino em outro lugar. Aqui trabalho, aqui conheci o amor da minha vida, aqui nasceram meus filhotes. Por São Paulo, eu só tenho gratidão. Parafraseando Billy Blanco: Amo São Paulo de qualquer maneira!

É Pique!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

454 anos da minha cidade predileta. Agora que eu já tenho blog, como não homenageá-la?

Mas tanta gente boa já escreveu sobre São Paulo. E tão bem, que fica difícil.

Não me refiro à “Sampa” de Caetano, que apesar de poética, é melosa, meio piegas, não tem a cara daqui. Vanzolini fez mais simples e melhor. Que outro lugar do mundo poderia ser o cenário de “Ronda”? Sem mencionar o nome da cidade, ele pintou um retrato perfeito do bas fond paulistano. Poesia é isto.

Outro que conseguiu captar de forma brilhante o espírito de São Paulo e traduzí-lo em música foi Billy Blanco, que nos presenteou com “Amanhece”:

Começou um novo dia,
Já volta quem ia,
O tempo é de chegar
De metrô chego primeiro,
Se tempo é dinheiro
Melhor, vou faturar
Sempre ligeiro na rua,
Como quem sabe o que quer
Vai o paulista na sua, para o que der e vier.
A cidade não desperta, apenas acerta a sua posição
Porque tudo se repete, são sete
E às sete explode em multidão:
Portas de aço levantam, todos parecem correr
Não correm de, correm para
Para São Paulo crescer
Vão bora, vão bora, olha a hora
Vão bora, vão bora, vão bora, vão bora
Olha a hora, vão bora, vão bora, vão bora

Quem nunca ouviu esta música, no carro, a caminho da escola ou do trabalho? Se não ouviu, não pode se considerar paulistano.

Lembro que eu tinha 6 para 7 anos quando ouvi “Amanhece” pela primeira vez. Vim passar as férias de inverno na casa de meus avós. Nunca tinha estado por aqui antes e tudo me impressionou. Os prédios, o trânsito, o ritmo da cidade. O Shopping Center com seu relógio d’água. O frio. Naquele tempo fazia muito frio. Usar luvas e cachecol!

E a comida? Tanta coisa diferente. Pão Pullmann (pão de forma) só existia aqui. Para o café da manhã, minha vó fazia torradas com geléia de framboesa, que ela mesmo preparava (um dia eu conto como ela conseguia as framboesas) . O cheirinho do “Café Seleto”:…depois de um sono bom, a gente levanta… Vovó adorava cantarolar este jingle, achava muito bonitinho. Ficou horrorizada quando cantei a versão “Café Concreto tem sabor de vomito…” que aprendi brincando com os vizinhos dela!

Depois, as tardes de desenho animado ininterrupto na Record. Sim, existia um canal de TV que passava desenhos a tarde inteira. Que maravilha! Comer bolinho “Ana Maria”, que também não existia fora de São Paulo. Comprar o jornal para o vovô e na volta da banca parar na “Padaria Bienal” para tomar um “Gini”. No lanche pão com “Nucita”.

Aos domingos, de sobremesa, as bombas de creme da confeitaria São Gabriel (naquele tempo não tinha essa frescura de chamá-las de éclair). E de vez em quando o “Pastel de Santa Clara” da Rotisserie “Da Vinci”.

Minhas primeiras férias em São Paulo passaram rápido. Logo acabaram. Fui embora já com vontade de voltar. E fui voltando ano após ano. Nunca mais parei de voltar. Um dia ainda vou morar aqui, pensava…

Faz 14 anos que vim para ficar. Mesmo com todos os seus problemas, não me imagino em outro lugar. Aqui trabalho, aqui conheci o amor da minha vida, aqui nasceram meus filhotes. Por São Paulo, eu só tenho gratidão. Parafraseando Billy Blanco: Amo São Paulo de qualquer maneira!

Marmite

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Porque será que, na foto do post abaixo, a torrada está tão escura?

Fácil: numa panelinha, derreti uma boa colher de sopa de manteiga e refoguei de leve um dente de alho espremido. Tirei do fogo e acrescentei uma colher de sobremesa de Marmite, misturando bem. Pincelei sobre 4 fatias de pão italiano e levei ao forninho elétrico para tostar.

Sempre faço estas “torradinhas de marmite” para acompanhar salada verde ou sopas mais suaves. Elas têm uma sabor marcante e acho que fazem um bom contraponto a pratos mais leves.

Para quem não sabe, Marmite é uma pasta escura, de sabor forte, à base de extrato de levedura (um sub-produto da fermentação da cerveja). Apesar de possuir um sabor que lembra caldo de carne concentrado, é um produto 100% vegetariano. Toda família inglesa que se preze tem um pote de Marmite na geladeira, que é consumido com crackers e manteiga. Tem gente que usa em sopas ou refogados. De vez em quando, misturo uma colherinha de chá ao meu molho vinagrete, para uma salada mais substancial.

O produto porém está longe de ser unanimidade. Muita gente detesta. Tanto que o slogan do produto é algo como “Marmite, uns amam, outros odeiam, ninguém fica indiferente…”. Faço parte do primeiro time!

Marmite

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Porque será que, na foto do post abaixo, a torrada está tão escura?

Fácil: numa panelinha, derreti uma boa colher de sopa de manteiga e refoguei de leve um dente de alho espremido. Tirei do fogo e acrescentei uma colher de sobremesa de Marmite, misturando bem. Pincelei sobre 4 fatias de pão italiano e levei ao forninho elétrico para tostar.

Sempre faço estas “torradinhas de marmite” para acompanhar salada verde ou sopas mais suaves. Elas têm uma sabor marcante e acho que fazem um bom contraponto a pratos mais leves.

Para quem não sabe, Marmite é uma pasta escura, de sabor forte, à base de extrato de levedura (um sub-produto da fermentação da cerveja). Apesar de possuir um sabor que lembra caldo de carne concentrado, é um produto 100% vegetariano. Toda família inglesa que se preze tem um pote de Marmite na geladeira, que é consumido com crackers e manteiga. Tem gente que usa em sopas ou refogados. De vez em quando, misturo uma colherinha de chá ao meu molho vinagrete, para uma salada mais substancial.

O produto porém está longe de ser unanimidade. Muita gente detesta. Tanto que o slogan do produto é algo como “Marmite, uns amam, outros odeiam, ninguém fica indiferente…”. Faço parte do primeiro time!

Sopa de Inhame

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Meu bisavô materno era um sujeito singular. Como médico sanitarista, trabalhou com Oswaldo Cruz no combate à febre amarela. Ganhou medalhas e reconhecimento pelos serviços prestados à saúde e ao Brasil. Como poeta, escrevia de um jeito diferente. Contava seus “causos” à moda caipira, muito antes de Rolando Boldrin sonhar em nascer. Como ser humano, mostrou o que é ser Cristão de verdade. A gente lembra de sua sabedoria e bom humor até hoje.

Bom mineiro de Leopoldina, vovô Abel tinha algumas “manias”. Não abria mão de comer mamão todos os dias pela manhã. Segundo ele, era uma fruta amiga, que garantia a saúde e vida longa. O mamão daquela época era grande, amarelo e redondo. Nada a ver com a Papaya ou o mamão Formosa. A fruta nativa tinha fragrância forte e era menos açucarada, de sabor sutil. Crescia nos fundos da casa da Rua Sabóia Lima, na Tijuca. Sem agrotóxicos, era dividido com os passarinhos que freqüentavam o quintal. Ele conhecia cada um deles e não se importava com as bicadas em sua fruta preferida.

Outro de seus pratos preferidos era sopa de inhame. Vovô Abel dizia que sopa de inhame nutre, faz bem ao sangue e ajuda a recuperar quem está doente. É a sopa do aconchego. Era mais fácil achar inhame antigamente. Redondos, bonitos e baratos, estavam disponíveis em qualquer feira livre, que era onde se comprava frutas, verduras e legumes naquele tempo. Hoje, a menos que conheça um bom feirante, você vai pelejar para achar bons inhames. Em grandes supermercados, se tiver sorte, vai encontrar umas bolinhas envergonhadas, caríssimas.

E assim, através das manias do vovô, a família Tavares de Lacerda aprendeu a comer mamão todo dia e tomar sopa de inhame pelo menos uma vez por semana. Aprendeu muitas outras coisas também. São tantas lembranças, histórias e lições que Vovô Abel merecia um livro…Enquanto não aparece alguém com talento para escrevê-lo, relembrar esta receita (se é que se pode chamar isto de receita) é meu jeito de homenageá-lo.

Sopa de Inhame do Vovô Abel

Ingredientes:

- 500g de inhames descascados
- 1 cebola descascada e cortada ao meio.
- Sal a gosto.
- 2 colheres de sopa de manteiga.
- Cheiro verde (salsinha e cebolinha) bem picado, o quanto baste.
- Azeite extra virgem, o quanto baste.

Modo de Preparo:

1. Numa panela, coloque os inhames e a cebola e cubra-os com água.
2. Cozinhe em fogo baixo até que os inhames estejam macios e a cebola transparente.
3. Espere esfriar um pouco e bata todo o conteúdo da panela no liquidificador (na casa do vovô eles passavam na peneira, mas acho que dá muito trabalho…).
4. Volte o conteúdo batido à panela, acrescente a manteiga e acerte o sal. Se a sopa estiver muito encorpada, coloque um pouquinho mais de água.
5. Sirva bem quente, decorando o prato com um fio de azeite e o cheiro verde.

Sopa de Inhame

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Meu bisavô materno era um sujeito singular. Como médico sanitarista, trabalhou com Oswaldo Cruz no combate à febre amarela. Ganhou medalhas e reconhecimento pelos serviços prestados à saúde e ao Brasil. Como poeta, escrevia de um jeito diferente. Contava seus “causos” à moda caipira, muito antes de Rolando Boldrin sonhar em nascer. Como ser humano, mostrou o que é ser Cristão de verdade. A gente lembra de sua sabedoria e bom humor até hoje.

Bom mineiro de Leopoldina, vovô Abel tinha algumas “manias”. Não abria mão de comer mamão todos os dias pela manhã. Segundo ele, era uma fruta amiga, que garantia a saúde e vida longa. O mamão daquela época era grande, amarelo e redondo. Nada a ver com a Papaya ou o mamão Formosa. A fruta nativa tinha fragrância forte e era menos açucarada, de sabor sutil. Crescia nos fundos da casa da Rua Sabóia Lima, na Tijuca. Sem agrotóxicos, era dividido com os passarinhos que freqüentavam o quintal. Ele conhecia cada um deles e não se importava com as bicadas em sua fruta preferida.

Outro de seus pratos preferidos era sopa de inhame. Vovô Abel dizia que sopa de inhame nutre, faz bem ao sangue e ajuda a recuperar quem está doente. É a sopa do aconchego. Era mais fácil achar inhame antigamente. Redondos, bonitos e baratos, estavam disponíveis em qualquer feira livre, que era onde se comprava frutas, verduras e legumes naquele tempo. Hoje, a menos que conheça um bom feirante, você vai pelejar para achar bons inhames. Em grandes supermercados, se tiver sorte, vai encontrar umas bolinhas envergonhadas, caríssimas.

E assim, através das manias do vovô, a família Tavares de Lacerda aprendeu a comer mamão todo dia e tomar sopa de inhame pelo menos uma vez por semana. Aprendeu muitas outras coisas também. São tantas lembranças, histórias e lições que Vovô Abel merecia um livro…Enquanto não aparece alguém com talento para escrevê-lo, relembrar esta receita (se é que se pode chamar isto de receita) é meu jeito de homenageá-lo.

Sopa de Inhame do Vovô Abel

Ingredientes:

- 500g de inhames descascados
- 1 cebola descascada e cortada ao meio.
- Sal a gosto.
- 2 colheres de sopa de manteiga.
- Cheiro verde (salsinha e cebolinha) bem picado, o quanto baste.
- Azeite extra virgem, o quanto baste.

Modo de Preparo:

1. Numa panela, coloque os inhames e a cebola e cubra-os com água.
2. Cozinhe em fogo baixo até que os inhames estejam macios e a cebola transparente.
3. Espere esfriar um pouco e bata todo o conteúdo da panela no liquidificador (na casa do vovô eles passavam na peneira, mas acho que dá muito trabalho…).
4. Volte o conteúdo batido à panela, acrescente a manteiga e acerte o sal. Se a sopa estiver muito encorpada, coloque um pouquinho mais de água.
5. Sirva bem quente, decorando o prato com um fio de azeite e o cheiro verde.

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